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SETEMBRO VERDE
No HU-UFS, a doação de órgãos e tecidos é o “sim” que salva vidas
Aracaju (SE) – O Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), apoia o Setembro Verde, campanha de incentivo e conscientização à doação de órgãos e tecidos para transplantes, com uma série de palestras que ocorrem nesta segunda-feira, 29, no Auditório do Campus da Saúde da UFS. No Brasil, segundo dados mais recentes do Ministério da Saúde, 78 mil pessoas estão nessa fila de espera. Uma causa tão importante que até ganhou uma data - o 27 de setembro -, instituído como o Dia Nacional da Doação de Órgãos.
De acordo com o cirurgião e presidente da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos (Cihdott) do HU-UFS, Antônio Alves Júnior, o Setembro Verde é um evento para estimular a doação de órgãos e a atividade transplantadora. “Eventos como esse são cruciais, haja vista que a principal causa de não doação é a recusa familiar, que infelizmente no nosso estado beira 70%, então é bastante alta. O HU, já há algum tempo, vem capitaneando o retorno da atividade transplantadora em Sergipe. Nós paramos durante alguns anos, o estado estava parado, então o HU foi importantíssimo no reinício da atividade transplantadora. Eventos como os de hoje só ajudam a aumentar a possibilidade, não só da doação, mas da realização dos transplantes internos aqui no nosso estado”, contextualizou o médico.
Ele destacou que, até o momento, somente o HU vem realizando o transplante renal. “Isso é muito importante, porque a gente não deixou parar essa iniciativa que começou com a tutoria de outros estados, e a gente continua realizando o transplante, já realizamos vários, inclusive só com a equipe do HU. Por enquanto fizemos de córnea e rim, mas existe a perspectiva de fazermos de fígado. Então a atividade de hoje é extremamente importante para a gente relembrar a sociedade da importância de doar um órgão, de fazer a vida continuar em outra pessoa. Nós temos aqui uma equipe de captação de órgãos desde 2015. A primeira captação de órgãos pela nossa equipe, que coordeno, aconteceu em 1º de maio de 2015 e vem até agora, motivo pelo qual a gente insiste na doação, porque os órgãos não dependerão de outra equipe externa do nosso estado para fazer essa captação”, pontuou Antônio Junior.
O médico ressaltou que uma equipe de cirurgiões está 365 dias do ano preparada para retirar esses órgãos e fornecer, quer seja internamente, quer seja para outro estado, caso Sergipe não faça aquele tipo de transplante. “As captações ocorrem normalmente, e já tivemos aqui a primeira captação de múltiplos órgãos, que foi em abril deste ano. O HU já colaborou também com isso, estamos atentos, aqui nós temos uma comissão para doação de órgãos e tecidos para transplante bastante ativa, que visita as alas, que faz a busca ativa de potenciais doadores e as famílias são acolhidas e perguntadas sobre a possibilidade de doação”, resumiu o médico.
O processo
O transplante só é possível a partir do “sim” do doador e da sua família. Mas esse “sim”, muitas vezes, não se concretiza por falhas de comunicação, que geram o desconhecimento e até a desinformação das pessoas que poderiam doar. Por isso, a importância de divulgar a informação, conforme ressalta o coordenador da Central de Transplantes de Sergipe, Benito Fernandez. “O Hospital Universitário de Aracaju é um hospital transplantador, é autorizado pelo Ministério da Saúde a fazer transplante de rim e transplante de córnea, é um hospital formador de opinião, é um hospital escola, como eu já disse, e forma profissionais. Então a gente precisa disseminar esse conhecimento, essa informação que a sociedade tanto carece, para que eles possam, de forma mais tranquila, decidir pela doação de órgãos. O profissional de saúde tem esse papel preponderante também na parte educativa, ao disseminar esse tema para que as pessoas tomem a decisão de ser doador, porque a grande pergunta é: por que não doar, uma vez que o corpo vai perecer e a gente não vai estar beneficiando ninguém?”, comentou Benito.
Um dos participantes do evento foi o motorista Genilson Silva, que recebeu um rim da sua irmã doadora no último dia 30 de maio, no HU-UFS. “Eu fui diagnosticado com um problema de pressão. E nesse problema de pressão, acabei tendo problema nos meus órgãos e tive que fazer hemodiálise por três anos. Então fiquei sabendo aqui no
Hospital Universitário que teve o primeiro transplante depois de mais de dez anos. Vi em uma reportagem, me interessei e hoje estou aqui muito grato à minha irmã, porque ela me doou um órgão dela, não tem palavras para agradecer, estou bastante saudável, querendo voltar às minhas atividades rápidas, voltar a viver novamente. Agradecer a Deus, a ela e ao pessoal da equipe do hospital”, declarou.
O processo de doação e transplante envolve várias etapas, desde a manifestação do desejo da pessoa em vida; o diagnóstico de morte encefálica (no caso de órgãos) e parada cardiorrespiratória (no caso de tecidos, como córneas, vasos, pele, ossos e tendões); a atuação da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (Cihdott) junto à família; a realização de exames de compatibilidade e doenças; a retirada do órgão; o transporte e a cirurgia transplantadora.
A Cihdott atua desde a suspeita de morte encefálica, no diagnóstico dela, passando pela entrevista familiar, pelo preparo para a retirada dos órgãos e a retirada propriamente dita.
Doação
Referência mundial, o Sistema Nacional de Transplantes (SNT) do Sistema Único de Saúde (SUS) atua em parceria com a Central de Transplante de cada Secretaria Estadual, dando transparência à lista de espera e proporcionando um serviço gratuito e universal. Em 2024, o Brasil bateu o seu recorde de transplantes com mais de 30 mil procedimentos, um crescimento de 18% em relação a 2022. Os órgãos e tecidos mais transplantados foram córnea (17.107), rim (6.320), medula óssea (3.743) e fígado (2.454).
A maior parte das doações é realizada após a morte do doador, sendo necessária a autorização da família que, geralmente, respeita o desejo do parente. Daí, a importância de informar aos mais próximos sobre a decisão de doar. Mas há também a doação entre vivos com o transplante de um dos rins (doador falecido fornece os dois), parte do fígado, parte da medula ou parte dos pulmões, sendo a compatibilidade sanguínea necessária em todos esses casos, além de testes para selecionar o doador que apresenta maior chance de sucesso.
Tecidos também são doados
Quando o assunto é transplante de tecidos, o de córnea é o mais realizado no Brasil. Outros tecidos que podem ser doados são pele, ossos, valvas cardíacas, medula óssea e tendões.
CIHDOTT do HU-UFS/Ebserh
A Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos (Cihdott) do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS) é formada por uma equipe multiprofissional da área de saúde. No HU-UFS, o grupo existe desde 4 de janeiro de 2007, organizando, no âmbito da instituição, rotinas e protocolos que possibilitem o processo de doação de órgãos e tecidos para transplantes.
Sobre a Ebserh
O HU-UFS faz parte da Rede Ebserh desde outubro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Redação: Moisés de Holanda e Andreza Azevedo
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh
Tags: ebserh, hu-ufs, doação de órgãos, doação de tecidos, transplantes, setembro verde, sus, snt