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CONSCIÊNCIA NO CUIDADO
Médicas do HU e HUL-UFS combatem a ideia de que Parkinson é ‘apenas tremor’
Aracaju e Lagarto (SE) - Muitas vezes, a visão limitada sobre a doença de Parkinson dificulta o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento adequado. Em abril, mês de conscientização sobre a condição, profissionais da Rede HU Brasil reforçam que a doença vai além dos sintomas motores mais conhecidos e pode se manifestar em diferentes idades, exigindo abordagem terapêutica contínua, uso de medicamentos e acompanhamento por equipe multidisciplinar.
De acordo com a neurologista do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), Lis Campos, a doença de Parkinson é neurodegenerativa, crônica e progressiva, causada principalmente pela perda de neurônios responsáveis pela produção de dopamina, substância essencial para o controle dos movimentos do corpo. “Os principais sintomas incluem lentidão dos movimentos (bradicinesia), tremor de repouso, rigidez muscular e instabilidade postural (desequilíbrio), mas também podem surgir sinais como constipação, depressão, alterações do sono e perda da capacidade de sentir cheiros anos antes do início do quadro motor”, explica.
Parkinson não deve ser reduzido ao tremor
Para a especialista, um erro bastante comum é associar o Parkinson apenas ao tremor. No entanto, nem todo paciente apresenta esse sintoma no início da doença, e algumas pessoas sequer o terão como manifestação predominante. Do ponto de vista neurológico, o sinal mais característico costuma ser a bradicinesia - ou seja, o tremor chama atenção, mas não é o elemento central da doença.
A neurologista ressalta que a patologia pode se manifestar de formas menos evidentes e, por isso, passar despercebida nas fases iniciais. “Muitos pacientes apresentam sinais discretos anos antes do diagnóstico. Entre eles estão perda do olfato, constipação intestinal persistente, sono agitado e violento, depressão ou ansiedade sem causa aparente, dores no corpo, alterações na caligrafia (com a letra progressivamente menor), voz mais baixa, redução do balanço de um dos braços ao caminhar e lentidão em tarefas do dia a dia”, destaca.
Importância do diagnóstico precoce
Segundo Lis, o primeiro passo é combater a ideia de que Parkinson é ‘apenas tremor’, pois isso atrasa a busca por avaliação médica. Também é necessário desfazer o mito de que se trata de uma doença exclusiva de idosos, embora seja mais frequente após os 60 anos. Outro ponto relevante é que existem tratamentos eficazes. “Muitas pessoas acreditam, equivocadamente, que nada pode ser feito. Hoje contamos com medicamentos, procedimentos não invasivos, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e, em casos selecionados, cirurgia. É fundamental reduzir o estigma, já que o paciente deve permanecer socialmente ativo, trabalhar quando possível, praticar exercícios e preservar sua autonomia”, garante.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento para a doença de Parkinson por meio de acompanhamento clínico e acesso a medicamentos padronizados, conforme protocolos nacionais. No HU-UFS, por se tratar de hospital universitário e de referência, estão incluídos avaliação e seguimento especializados, integração com equipe multiprofissional e formação de profissionais de saúde. “Há um ambulatório específico, liderado pelo professor Roberto César Prado há quase 30 anos, que transformou a realidade do Parkinson no estado. Atualmente, conta com a participação de outro neurologista, o doutor Helton Benevides, além do neurocirurgião Jorge Dornellys, responsável pelos casos com indicação cirúrgica. Em situações de suspeita de causa genética, os pacientes são encaminhados à geneticista Luciana Mota”, detalha.
Ainda segundo Lis Campos, o diagnóstico não deve definir a vida do paciente, já que atualmente a doença pode ser tratada com maior eficácia. Quanto mais cedo o acompanhamento, melhores tendem a ser os resultados. “Meu conselho é manter-se ativo, praticar exercícios regularmente, seguir corretamente o tratamento, conversar abertamente com o médico e evitar o isolamento. Com cuidado, apoio familiar e acompanhamento neurológico, é possível viver com autonomia e dignidade”, afirma.
Importância da Geriatria
Além da Neurologia, pacientes com Parkinson devem ser acompanhados pela Geriatria, como explica a médica Rívia Amorim, geriatra do Hospital Universitário de Lagarto (HUL-UFS). “A condição está no campo da geriatria porque envolve o envelhecimento associado a doenças. A especialidade contribui para gerenciar de forma integrada todos os cuidados da equipe multiprofissional. São pacientes que, em geral, utilizam múltiplos medicamentos e evoluem com maiores limitações e incapacidades, tanto físicas quanto cognitivas, o que exige, inclusive, planejamento antecipado de cuidados para fases em que não consigam mais responder por si”, contextualiza.
Rívia salienta que ainda há uma cultura, no Brasil e no mundo, de fechar o diagnóstico apenas quando surgem manifestações motoras mais evidentes, como tremor, rigidez e lentificação dos movimentos. “Com a progressão da doença, especialmente nos estágios mais avançados, surgem alterações cognitivas. Passa a haver necessidade de auxílio em atividades básicas da vida diária, como banho, vestir-se e alimentar-se. O paciente pode apresentar dificuldade para engolir, lembrar se já se alimentou e aprender novas tarefas. Essa capacidade cognitiva também é comprometida da fase moderada para a avançada”, pontua.
De acordo com a geriatra, os tratamentos atuais retardam a progressão da doença, mas não impedem sua evolução. “Além do tratamento farmacológico, é indispensável o cuidado não medicamentoso. Isso inclui fisioterapia com foco em movimento e equilíbrio, acompanhamento com profissional de educação física para melhora da mobilidade, terapia ocupacional voltada à cognição e fonoaudiologia, que auxilia na deglutição e na comunicação”, finaliza.
Sobre a HU Brasil
O HU-UFS e o HUL-UFS fazem parte da Rede HU Brasil desde 2013 e 2017, respectivamente. A estatal foi criada por meio da Lei nº 12.550/2011, vinculada ao Ministério da Educação (MEC), e nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil. A estatal é responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades de assistência, pesquisa e inovação por meio de uma gestão de excelência.
Por Andreza Azevedo, com edição de George Miranda Unidade de Imprensa e Informação Estratégica para as regiões Norte e Nordeste Coordenadoria de Comunicação Social da HU Brasil