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CUIDADOS PALIATIVOS
HU oferece cuidados que melhoram a sobrevida de pacientes
Parte da equipe envolvida com os cuidados paliativos no HU-UFS.
Como ajudar uma pessoa que está próxima da morte a viver os seus últimos dias da melhor forma possível? A resposta pode estar nos cuidados paliativos, que hoje já fazem parte da realidade do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), filial da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), em conceito definido em 1990 e atualizado em 2002, "cuidados paliativos consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, da identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais".
A denominação é amplamente defendida pela Comissão Permanente de Cuidados Paliativos do HU-UFS, implantada oficialmente em janeiro de 2018. A presidente da comissão, Vanessa Barros, que atua como médica geriatra e paliativista, explica que todo paciente que apresenta uma doença crônica, com ameaça à vida, é um candidato aos cuidados paliativos.
“São casos de insuficiência cardíaca grave, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica grave, câncer metastático, doenças neurológicas, como Alzheimer, Parkinson, esclerose lateral amiotrófica, são diagnósticos que a gente acompanha regularmente”, cita.
Para a médica, o foco é melhorar a qualidade de vida. “É fazer com que esse tempo que resta ao paciente seja bem vivido, livre de sintomas como dor, dispneia, cansaço, fadiga, depressão, sempre trabalhando com uma abordagem multidisciplinar e multidimensional”, pontua Vanessa.
Ela ressalta que, com os cuidados paliativos, não está sendo abordada apenas a parte física, mas a multidimensional. “Abrangemos o psicológico, o social e o espiritual, todas as dimensões do paciente. Lembrando que o social acolhe a família, dando um suporte. Após a morte, a assistência social mantém contato com familiares, verificando se podemos ajudar de alguma forma naquele momento difícil”, detalha.
Fluxo
Normalmente é o médico assistente que solicita uma avaliação da equipe de cuidados paliativos para que o paciente possa ser acolhido. De acordo com a enfermeira Samara Lopes, membro da comissão, o médico faz essa solicitação no livro de registro de avaliação de cuidados paliativos.
“O médico assistente informa o diagnóstico e, posteriormente, o paciente é avaliado pelos médicos da comissão. Os principais casos são na área oncológica e as doenças crônicas, como pacientes com sequelas de Acidente Vascular Cerebral, pacientes da reumatologia, cardiologia, pneumologia. Hoje atendemos nos três âmbitos: hospitalar, ambulatorial e domiciliar. A média semanal é de 16 pacientes, um número ainda baixo, por causa das poucas solicitações de acompanhamentos que recebemos”, comenta Samara.
A comissão é unânime ao afirmar que trabalhos publicados já mostram que os cuidados paliativos aumentam a sobrevida do paciente. A médica fisiatra Márcia Matos, do HU-UFS, concorda. Apesar de não fazer parte da comissão, ela afirma que o encaminhamento precoce do paciente aos cuidados paliativos é essencial.
“Vai do especialista na doença ao especialista na consequência. Na hora que não tem mais tratamento para a doença, o encaminhamento precoce para os cuidados paliativos é muito importante. O paliativista é aquele que tem uma formação específica em cuidados paliativos, não é uma especialização, é uma área de atuação. Nós, fisiatras, trabalhamos muito em conjunto, mas não somos especialistas em cuidados paliativos. A fisiatria está muito mais voltada à deficiência física, aos direitos dos deficientes, e é muito comum que os pacientes que estejam próximos da morte tenham incapacidades, deficiências”, esclarece.
“É aquele paciente que ficou muito fraco e acabou virando cadeirante, ou que teve câncer ósseo e teve um membro amputado, ou uma criança que teve um tumor cerebral e virou uma criança especial. Por algum motivo é muito comum que o paciente no fim da vida tenha uma incapacidade, imobilidade, fique muito restrito ao leito, tenha dor, desconforto. Por isso, a fisiatria tem muitos recursos para incrementar o cuidado paliativo, já que um dos principais objetivos do cuidado paliativo é trazer conforto ao paciente”, descreve a fisiatra.
Outra contribuição do fisiatra está relacionada ao apoio à equipe multidisciplinar. “É uma orientação sobre mobiliário, órtese, cadeira de rodas, almofada para posicionamento do paciente no leito, sempre em conjunto com o fisioterapeuta. É também prevenir as complicações, como fraturas causadas por osteoporose, fazer prescrição de exercícios junto aos fisioterapeutas, tudo que envolve deficiência física, motora, basicamente. Atuamos com a fisioterapia, terapeuta ocupacional, trabalhando em conjunto, interligando a equipe”, pontua Márcia Matos.
Reuniões
As reuniões da Comissão Permanente de Cuidados Paliativos do HU-UFS são multidisciplinares, com discussão de casos clínicos, e acontecem todas as terças-feiras, às 8h, na Clínica Médica 1, sala 4. Qualquer pessoa, desde que tenha vínculo com o HU, pode dar a sua contribuição ou até participar para obter esclarecimentos. Mais informações sobre os encontros podem ser obtidas pelo telefone 79 2105-1767.
O HU-UFS tem uma equipe multidisciplinar de cuidados paliativos, composta por médicos, enfermeiros, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, nutricionista, vários profissionais envolvidos com princípios para abordar pacientes com doenças crônicas que ameaçam a vida.
Sobre a Rede Hospitalar Ebserh
O Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS) faz parte da Rede Hospitalar Ebserh desde outubro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.
Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas.
Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Hospitalar Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.
Por Andreza Azevedo