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OUTUBRO VERDE
Campanha alerta para a sífilis, doença que pode permanecer por anos no organismo sem apresentar sintomas
Teresina (PI) – A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) provocada pela bactéria Treponema pallidum. É uma doença silenciosa, capaz de permanecer no corpo durante anos, além de desenvolver sintomas graves e levar à morte se não tratada corretamente. Sua transmissão ocorre principalmente por relações sexuais, mas também por transmissão sanguínea e da pessoa gestante para o bebê. O Sistema Único de Saúde (SUS) possui preparo suficiente para o diagnóstico e tratamento da sífilis, que tem cura.
O Outubro Verde é a campanha nacional de conscientização e combate à sífilis e à sífilis congênita, sendo a data de sua maior mobilização o terceiro sábado de outubro, marcando o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita.
A sífilis adquirida é o tipo mais comum de transmissão, que acontece através de relações sexuais desprotegidas com penetração vaginal ou anal. O sexo oral também pode transmitir a doença, caso haja contato com as áreas infectadas.
Fases
Informações do Boletim Epidemiológico Sífilis 2025 do Ministério da Saúde (MS), mostram que essa infecção possui quatro fases: primária, latente, secundária e terciária. Na fase primária o ferimento (cancro duro) normalmente surge no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou outros locais da pele). O que pode acontecer entre 10 e 90 dias após o contágio. Esse tipo de ferimento não dói, não coça e não tem pus, podendo ainda manifestar ínguas na virilha. Alguns dias depois, o cancro duro desaparece sozinho, o que não significa que a doença foi curada.
“Após esta fase, pode-se evoluir para a fase latente, quando a doença não apresenta sinais nem sintomas, que podem levar anos para aparecer. Porém, não significa que a pessoa infectada não transmita a doença, por isso a importância da testagem”, explica a infectologista do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI/HU Brasil), Thallyta Antunes.
A sífilis secundária, por sua vez, “ocasiona manchas pelo corpo, febre, mal-estar, queda de cabelo. A terciária – forma mais grave da doença – é caracterizada por complicações cardiovasculares, neurológicas graves”, destaca Thallyta. Quando não tratada adequadamente, a sífilis em sua fase terciária pode manifestar sintomas entre um e quarenta anos após o início da infecção e é capaz de levar à morte, informa o Boletim Epidemiológico do MS.
“A sífilis pode permanecer por anos no organismo de forma assintomática, reforçando a importância da testagem e da atenção dos profissionais de saúde. Após o diagnóstico laboratorial da doença, deve ser investigado a ocorrência de sintomas e o histórico de saúde do paciente em relação a infecções”, completa a infectologista.
Há ainda uma outra fase da doença, a neurossífilis, que se apresenta nas formas aguda ou tardia, e que pode aparecer tanto nas fases iniciais quanto nas mais avançadas, afetando o sistema nervoso central.
Sífilis congênita
A sífilis é uma infecção que pode ser transmitida verticalmente da pessoa gestante infectada para o bebê. A transmissão pode ocorrer durante o parto, pelo contato direto com lesões infecciosas ou durante a gestação através da placenta, classificada como sífilis congênita, podendo provocar sérios problemas de saúde e, em casos mais graves, levar à morte da criança.
“A sífilis congênita acomete o bebê ainda durante a formação dele no útero materno e é capaz de causar prematuridade, baixo peso ao nascer, aumento de fígado e baço, anemia, alterações ósseas”, detalha a infectologista do HU-UFPI, Thallyta Antunes.
Prevenção e tratamento
Importantes métodos de prevenção da doença incluem o uso de preservativo e a testagem rápida. A sífilis é uma IST que tem cura e o tratamento mais indicado é feito com a penicilina benzatina, conhecida como Benzetacil, considerada padrão ouro no tratamento à doença. O número de doses varia de acordo com a fase da doença em que o paciente se encontrar: só após avaliação de sinais e sintomas é que se define a dose adequada.
Para pacientes com alergia documentada à penicilina benzatina, algumas opções são a doxiciclina, medicação na forma de comprimido, e a ceftriaxona, que pode ser administrada tanto via intramuscular quanto venosa.
Todos os métodos de prevenção e tratamento estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).
Sobre a HU- Brasil
O HU-UFPI faz parte da rede HU Brasil desde novembro de 2012. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
Gerência Executiva de Comunicação Social da HU Brasil