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DOAÇÃO DE ÓRGÃOS
Palestra aborda superação e o papel da aviação para os transplantes
Um testemunho de amor, fé, esperança e superação foi assim a palestra do publicitário, Alexandre Barroso, que aconteceu hoje, 30, no auditório da Unidade Materno Infantil do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HU-UFMA). Com uma história de luta e resiliência digna de virar um filme, ele envolveu a plateia em momentos de muita emoção, que foram do choro ao riso. Tudo isso para mostrar a importância da doação de órgãos para a vida de muitas famílias.
Alexandre Barroso, 60 anos, passou quatro anos internado, foi submetido a 11 cirurgias, sendo três transplantes (dois de fígado e um de rim) e esteve em coma 21 vezes. Parecem números absurdos, alguns dizem que é milagre, mas Alexandre destaca sua sobrevida ao amor. “Eu falei com Deus e pedi que queria viver para falar de amor. E hoje estou aqui, no vigésimo primeiro estado que visito neste ano para falar de doação, que é um ato de amor. É uma bênção receber um órgão e sou eternamente grato a todos os doadores. Passar por todo esse processo nos faz ter um outro olhar sobre a vida, criar resiliência, ressurgir, renascer e ressuscitar”.
O momento faz parte de uma série de palestras promovidas pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), intitulada Jornada Asas do Bem, que tem o intuito de sensibilizar sobre a importância da doação de órgãos e de mostrar a grande contribuição da aviação para os transplantes. Ela foi lançada em 2018 e já reuniu cerca de 3,5 mil pessoas em eventos realizados por hospitais, centrais de transplante e iniciativas sociais. A ação é uma extensão do Asas do Bem, programa lançado em 2014 pela ABEAR que aborda a importância do transporte aéreo gratuito de órgãos realizado pelas empresas aéreas desde 2001. As aeronaves que transportam órgãos e equipes têm prioridade no pouso e decolagem.
Um coração suporta apenas quatro horas e é nessa corrida contra o tempo que as empresas aéreas oferecem a agilidade necessária para o transporte de um órgão, que precisa ser transplantado o mais rápido possível. O consultor em comunicação da ABEAR, Adrian Alexandri, disse que quando se pensa em transplantes não se imagina a logística que existe por trás de todo o processo. “Estamos em um país com dimensões continentais e o trabalho das companhias aéreas é de extrema importância para que o órgão chegue em condições adequadas e no tempo certo para salvar vidas”.
A superintendente do HU-UFMA, Joyce Lages, agradeceu a iniciativa e destacou a importância de se falar sempre em doação. “Precisamos cada vez mais somar forças em torno dessa causa tão nobre. Precisamos falar mais sobre o tema em casa, no trabalho e com todos que nos cercam, pois somente dessa forma a vontade de ser um doador de órgão poderá ser concretizada. Converse com sua família!”
Saiba mais:
O Brasil possui o maior sistema público de transplantes do mundo, sendo uma referência mundial. De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil possui o segundo maior volume de transplantes no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza aos pacientes uma assistência integral e gratuita, incluindo exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento e medicamentos pós-transplante.
No Maranhão, os transplantes iniciaram no ano 2000 com doadores intervivos e só a partir de 2015 passou a realizar com doadores falecidos. Atualmente, o HU-UFMA é credenciado para realizar cinco tipos de transplantes: coração, fígado, tecido ósseo, rim e córnea. No momento, há um déficit em transplante de fígado. Apesar do programa de transplante da especialidade ter completado dois anos, foram realizados apenas quatro transplantes no período. Reflexo do baixo número de doadores de órgãos e tecidos no estado, resultado da alta taxa de recusa familiar, que chega a 69% no Maranhão.
Por Alexsandra Jácome com informações da ABEAR