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AÇÃO EDUCATIVA
Palestra aborda o uso da rede social pelo profissional médico
Na manhã desta quinta-feira, 9, o Hospital Universitário da UFMA (HU-UFMA), vinculado a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), ofertou a palestra “Médico nas Redes Sociais – impacto na judicialização” para os residentes do primeiro ano da Residência Médica do hospital. Ministrada pela chefe da Divisão Médica, Márcia Sousa, a proposta levou em consideração a não observância das normas na judicialização, resoluções normativas e a importância do conhecimento sobre o código de ética do profissional médico.
O uso das redes sociais digitais está cada vez mais recorrente. A todo momento as pessoas sentem a necessidade de compartilhar algo do seu dia, sua rotina, suas conquistas e, até mesmo, suas frustações. E quando se trata do ambiente de trabalho, como proceder? O que podemos ou não divulgar? Podemos ser advertidos quanto a isso? Essas foram algumas questões que dominaram a apresentação. “Quando o médico se forma, o foco do seu juramento é o sigilo. Não podemos perder tudo por uma vaidade que não nos cabe. Expor a fragilidade, a intimidade do paciente é inadmissível”, advertiu Márcia Sousa.
Infelizmente, essa realidade tem aumentado no Brasil. De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), o número de processos subiu 302% nos últimos dez anos, com 180% de aumento nas condenações. Parte destas condenações se dá sem o efetivo erro profissional no procedimento, mas por falhas do judiciário (inexistência de varas específicas de direito médico, deficiência nas perícias médicas, preceitos de defesa do consumidor), ou falhas do médico relacionadas à letra ilegível, prontuário incompleto e não detalhado, falta de cautela com e-mails, mensagens e postagens).
José Pereira Guará, coordenador geral da Residência Médica, alerta para como pode repercutir negativamente determinada exposição. “Passamos mais de 50% de nossas vidas exercendo nosso trabalho e somos vigiados em todos os momentos. Ao sair de casa até chegarmos ao hospital. Tenham muito cuidado ao exercerem a profissão, se preservem. O mesmo ocorre com os pacientes, não divulguem nem mesmo as peças cirúrgicas. Essas são falhas indefensáveis. Se tirei foto exercendo a atividade, posso passar a imagem de negligente, porque estou mais preocupado com a exposição midiática do que com a assistência”.
As consequências jurídicas são diversas e podem resultar em demissão por justa causa, ação por danos morais, processo criminal por quebra de sigilo e processo ético disciplinar. Alguns exemplos de posts sugerem o quanto o bom senso anda ao largo do exercício da profissão. Casos desastrosos, como “plantãozinho começando”, “sonho do jovem médico: ninguém para atender”, “abrindo cabeças e salvando vidas”, “foto autorizada pelo paciente”, “24h no ar! Vamo que vamo! #mortinha” ilustraram a palestra.
A residente de Cirurgia Geral, Tárcia Heliny, realçou sua impressão sobre o assunto. “A palestra foi muito boa, um tema oportuno e atual porque isso não é discutido nas universidades, porém, percebe-se que aumentou a judicialização na medicina e todos nós devemos estar atentos para não cometer essas falhas. Conhecer o código de ética médica é importante. Pretendo aprender ao máximo com os especialistas, estudar muito para que possa ser uma profissional cada vez melhor”.
Por Beatriz Abrantes