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Dores e cansaço são sinais de alerta para fibromialgia e síndrome da fadiga crônica
“Sinto dores no corpo todo de forma variada, umas mais intensas, outras mais leves, mas sempre desconfortáveis, o que faz com que a gente acabe aprendendo a lidar com elas e com os nossos pensamentos porque é muito importante não se abalar emocionalmente”, relata a aposentada pernambucana Angelina da Silva, de 62 anos, que convive com a fibromialgia há 15 anos, e realiza tratamento no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC-UFPE), uma das unidades vinculadas à estatal HU Brasil e ao Sistema Único de Saúde (SUS) que promovem esse tipo de acompanhamento multidisciplinar e de cuidado contínuo.
Moradora de Orobó (a cerca de 110 km do Recife), Angelina é uma das quase 6,5 milhões de pessoas no Brasil que convivem com a fibromialgia. É muita gente. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia, são 3% da população ou 81 estádios do Maracanã lotados. Para dar visibilidade a essas pessoas e às que sofrem com a Síndrome da Fadiga Crônica, o 12 de maio passou a ser reconhecido como o Dia Mundial e Nacional de Conscientização dessas condições.
A fibromialgia tem como sintomas dores musculoesqueléticas generalizadas, frequentemente acompanhadas de fadiga, distúrbios do sono, ansiedade, déficits cognitivos (como alterações de memória e atenção), sintomas depressivos e sensibilidade aumentada ao toque. A causa exata é desconhecida ainda, mas estudos indicam que ela é multifatorial, envolvendo disfunções no sistema nervoso central que aumentam a sensibilidade à dor. A maioria dos pacientes é do sexo feminino, possivelmente, em virtude da maior sobrecarga física e emocional, além de as mulheres possuírem diferenças no processamento da dor pelo sistema nervoso.
Já a síndrome da fadiga crônica - também conhecida como Encefalomielite Miálgica (EM) - tem como principal sintoma o cansaço intenso e persistente, que não melhora com repouso e pode piorar após atividades físicas ou mentais, além de dores, tonturas e problemas de memória. Essa condição não tem estimativas nacionais tão precisas quanto a fibromialgia, mas estudos internacionais apontam prevalência entre 0,2% e 0,4% da população, ou seja, uma proporção de 425 mil a 850 mil brasileiros afetados.
“O diagnóstico diferencial [com uma consulta médica bem realizada e exames laboratoriais] é fundamental para afastar outras possibilidades de doenças e iniciar o tratamento de controle o mais rápido possível tanto para a fibromialgia quanto para a fadiga crônica”, explica a reumatologista e coordenadora do Ambulatório de Fibromialgia do HC-UFPE, Aline Ranzolin.
Como estratégias de tratamento, Ranzolin destaca uma série de medidas para controle dos sintomas a serem elaboradas pela equipe multiprofissional. “A primeira é atuar na educação do paciente ajudando no entendimento a respeito da doença e dos seus sintomas, ajudando a encontrar um modo de como lidar com ela e melhorar a qualidade de vida [praticando algum hobby e outras ações que proporcionem bem-estar]. Exercícios físicos também são fundamentais, assim como o acompanhamento psicológico, com a terapia cognitiva comportamental. Medicações também são prescritas para controle da dor e de outros sintomas”, comenta a reumatologista.
Agora é lei
A fibromialgia, a fadiga crônica e outras síndromes dolorosas correlatas passaram a ser oficialmente reconhecidas como condições passíveis de configurar deficiência nos termos da Lei nº 15.176/2025, em vigor desde janeiro passado, mediante avaliação biopsicossocial por equipe multiprofissional (composta por médico, fisioterapeuta, profissional de educação física, psicólogo, nutricionista e assistente social).
Atividade física é importante
A fisioterapia e atividades físicas supervisionadas têm papel essencial no manejo da fibromialgia e da síndrome da fadiga crônica tendo como foco a manutenção da funcionalidade e qualidade de vida do paciente, evitando picos de dor e fadiga.
Uma rotina de exercícios físicos regulares proporciona efeitos benéficos ao paciente no controle da dor crônica e na redução na catastrofização da doença, além de bem-estar e qualidade de vida.
Sobre a HU Brasil
O HC-UFPE faz parte da HU Brasil desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Moisés de Holanda
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede HU Brasil