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CONHECIMENTO
Ciência e humanização do cuidado são temas do IV Simpósio de Terapia Intensiva
“O futuro da Terapia Intensiva: conectando pessoas, ciência e resultados” é o tema do IV Simpósio de Terapia Intensiva do Hospital das Clínicas da UFPE, que está acontecendo no Auditório Dênis Bernardes, no Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA), ao longo desta quinta-feira (13). O HC é uma unidade vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
A programação está reunindo conferências magnas, mesas-redondas e apresentações sobre os principais desafios e inovações na área, analisando a integração de avanços tecnológicos, Inteligência Artificial e personalização do cuidado, com foco na centralidade do paciente no processo terapêutico.
“A UTI do HC é um ambiente de decisões difíceis tomadas por uma equipe multiprofissional de muita dedicação e entrega e com uma cultura já estabelecida de unir a inovação com a humanização”, destacou o superintendente do HC, Filipe Carrilho”, salientando a evolução das UTIs em Pernambuco nas últimas décadas.
Para a vice-presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira - Regional Pernambuco (Amib-PE), Aline Sales, o Simpósio do HC “fortalece a atividade e se consolida como um importante evento do calendário científico da especialidade”.
A coordenadora da UTI, Michele Godoy, ressaltou a importância do evento, que chega à sua quarta edição. “É um marco que reflete o compromisso contínuo do HC com a assistência, com o ensino e com a pesquisa buscando o equilíbrio entre o uso da tecnologia de ponta com a humanização do cuidado ao paciente”, pontuou.
O gerente de Atenção à Saúde do HC, Glauber Leitão, também participou da mesa de abertura e enalteceu “a liderança de Michele Godoy e o bom trabalho desenvolvido por toda a equipe da UTI.”
Prestes a se aposentar no próximo dia 17, Michele Godoy foi homenageada, ao lado da técnica de enfermagem Maria das Graças (que completou 41 anos no HC) e da ex-coordenadora de enfermagem da UTI, Janaína Vieira. Elas receberam a homenagem da equipe da UTI, representada pela vice-coordenadora da unidade, Janny Leonor.
Apresentações
Na palestra magna “Uma odisseia na terapia intensiva: da peep de selo d’água à UTI conectada”, o chefe do Departamento de Cardiopneumologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e diretor de Saúde Digital do HC-FMUSP, Carlos Carvalho, de forma remota, falou sobre a evolução nos cuidados intensivos, notadamente da saúde pulmonar.
“A TeleUTI conectada apresenta uma redução média de 20% no tempo de internação e em 25% a redução da mortalidade”, disse Carvalho, sobre a experiência do HC paulistano com a saúde digital, marcada pela conectividade e integração dos equipamentos.
O evento prosseguiu com a mesa-redonda “Inteligência Artificial na UTI”, que abordou as aplicações reais e os desafios éticos. Nela, o intensivista André Lima mostrou uma série de usos da IA na UTI. “Ela é uma ferramenta de apoio que a gente precisa aprender a perguntar para ter os melhores resultados. É como ter um gênio ao lado, mas com o cuidado de checar o resultado gerado que, às vezes, apresenta alucinações (informações incorretas ou enganosas da IA)”, explicou.
De forma remota, o enfermeiro intensivista Eliezer Mello, do Complexo do Hospital de Clínicas da UFPR (CHC-UFPR), também da Rede Ebserh, destacou em sua palestra uma série de marcos e diretrizes regulatórias para o uso seguro da IA como as das brasileiras Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa - RDC); do estadunidense Nist (Instituto nacional de Padrões e Tecnologia); da Organização Mundial da Saúde (OMS); e do EU AI Act, a lei da União Europeia que classifica a IA utilizada na saúde e na UTI como de “alto risco”.
Esses marcos e diretrizes abordam temas como privacidade, proteção de dados, governança, responsabilidade, transparência e explicabilidade (a IA informar como chegou àquele resultado), entre outros. “O futuro da IA em terapia intensiva não é automático. Ele é construído todos os dias no cuidado, na vigilância, na decisão e na escuta. A tecnologia pode ampliar o nosso alcance, mas é a presença humana que dá sentido ao cuidado”, comentou Eliezer Mello.
Mais programação
Após o coffee-break, houve a mesa-redonda “Novas recomendações em ventilação mecânica: O que mudou?” e, na sequência, “Uso da Sedação Inalatória na UTI: 1) Propriedades Farmacológicas, 2) Desfechos Clínicos”.
À tarde, estão previstas a mesa-redonda: “Impactos da monitorização avançada na beira do leito: 1) Pocus (Point-of-Care Ultrasound, traduzido em português como Ultrassonografia no Ponto de Cuidado), 2) Hemodinâmica, e 3) Tomografia por impedância elétrica.”
Haverá também a “Sessão Up-To-Date em Terapia Intensiva - Avanços da ciência nos últimos dois anos” em diversas áreas: na prática médica, na terapia nutricional, nos cuidados de enfermagem, na prática de fonoaudiologia, nos cuidados de fisioterapia, na prática da psicologia e na prática farmacêutica.
A parte final do evento terá a mesa-redonda “FM-UTI: Uma Abordagem Integrada” sobre a fraqueza muscular (FM) adquirida durante o internamento, com a participação de profissionais de diversas áreas; a palestra “PICS: O desafio invisível da UTI”, sobre as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde, e por fim, a discussão “Decisões de manutenção ou retirada de suporte de vida em pacientes críticos e comunicação com pacientes e familiares”.
Pré-Simpósio
O evento começou na última quarta-feira (12) com o Pré-Simpósio realizado em quatro estações de simulação realística, nas salas do 3º andar do HC. Essas estações foram concebidas para aprimorar a prática clínica e a comunicação assertiva, abordando “Ventilação Mecânica: Otimização de estratégias ventilatórias”; “Pocus (Point-of-Care Ultrasound): Aplicações avançadas de ultrassonografia à beira-leito”; “Comunicação de Notícias Difíceis: Desenvolvimento de habilidades para comunicação sensível em contextos complexos”; e “Suporte Avançado de Vida: Gerenciamento de emergências médicas com protocolos atualizados”.
Sobre a Ebserh
O HC-UFPE faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Moisés de Holanda
Coordenadoria de Comunicação Social