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INCLUSÃO
No Agosto Dourado, Humap destaca possibilidades de amamentação por pessoas trans
Mesmo que ainda seja uma situação rara, a população trans está cada vez mais adentrando os serviços de saúde, inclusive nos lugares de parto e nascimento
Amamentar não é uma experiência restrita às mulheres cisgênero. Homens e mulheres trans também podem amamentar, e o agosto Dourado reforça a importância de ampliar a informação e o apoio para que diferentes pessoas possam vivenciar esse momento. É o que explica Ricardo Gomes, ginecologista-obstetra e chefe do Setor Materno Infantil e Saúde da Mulher do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), vinculado à HU Brasil.
“No caso de homens trans que engravidam, nenhum preparo específico é necessário. Após o parto, pode-se estimular a amamentação da mesma forma que ocorre com as mulheres cis. No caso de mulheres trans isso também é possível, desde que já se tenha desenvolvimento das mamas com o uso de hormônios femininos seguido de um preparo específico para estimular a produção de leite”, destaca o especialista.
Ele ainda detalha que a indução da lactação para as mulheres trans costuma ser feita com o uso dos hormônios femininos que ela já usa para a transição. No último trimestre da gestação do parceiro (a), acrescenta-se medicação e estímulo mecânico com bombinha de extração de leite.
Desafios nos serviços de saúde
O preconceito gera violência e, por consequência, afasta pessoas trans de vários ambientes públicos, inclusive dos serviços de saúde. “Preconceitos, tanto de equipe de saúde quanto da população geral. Há também a falta de preparo de muitos profissionais no atendimento dessa população para as mais diversas demandas no atendimento em saúde”, alerta Rafael, que ainda destaca: “A principal forma de começar bem é respeitando o nome social. Perguntar para a pessoa como ela quer ser chamada e respeitar isso”.
Agosto Dourado vai além da amamentação
Mais do que conscientizar, a celebração do Agosto Dourado também é momento para encorajar a amamentação por toda população, por isso é imprescindível lembrar e defender essa prática pela população trans. “Se for desejo da pessoa vivenciar isso, ela pode buscar ajuda. Aqui no Humap, estamos abertos para buscar juntos a melhor forma de orientar e acolher”, salienta o ginecologista-obstetra.
O médico, inclusive, enfatiza a importância de profissionais da saúde estarem atentos a esses cenários. “Mesmo que ainda seja uma situação rara, a população trans está cada vez mais adentrando os serviços de saúde, inclusive nos lugares de parto e nascimento. Então, é preciso estar preparado para o atendimento dessa população e mesmo que não se tenha todo o conhecimento técnico necessário, estar sempre aberto para aprender e acolher”, afirmou.
HU Brasil
O Humap-UFMS integra a Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.