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Humap-UFMS destaca cuidados no tratamento da obesidade no Dia Nacional de Combate à Obesidade
A obesidade é uma doença crônica e seu tratamento deve ser encarado como um cuidado de longo prazo.
O 11 de outubro é marcado pelo Dia Nacional de Combate à Obesidade, data que chama atenção para a importância da prevenção, do diagnóstico e do tratamento da doença. A obesidade é uma condição crônica, complexa e multifatorial que exige acompanhamento de longo prazo e não deve ser reduzida apenas à questão estética.
Embora os medicamentos popularmente conhecidos como “canetinhas” tenham ganhado espaço nas discussões sobre emagrecimento, seu uso não é indicado simplesmente para quem deseja perder alguns quilos. De acordo com Marco Antonio Bráulio Elosta, médico do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), filiado à HU Brasil, e especialista em cirurgia bariátrica, cirurgia do aparelho digestivo e cirurgia geral, esses medicamentos podem fazer parte do tratamento de alguns pacientes, mas a indicação depende de fatores como o grau da obesidade, a presença de outras doenças, o histórico clínico e os objetivos do tratamento.
“Os medicamentos popularmente conhecidos como ‘canetinhas’, como os análogos do GLP-1 e medicamentos que atuam em mecanismos semelhantes, não são indicados simplesmente para quem deseja perder alguns quilos”, explica o especialista. Segundo ele, a indicação deve considerar o diagnóstico de obesidade, o grau da doença, a presença de outras condições de saúde, o histórico clínico e os objetivos terapêuticos.
A obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial. Por isso, o tratamento medicamentoso pode fazer parte da estratégia terapêutica de alguns pacientes, sempre associado a mudanças de estilo de vida e acompanhamento profissional.
Uso de medicamentos exige acompanhamento
As chamadas “canetinhas” não são isentas de riscos. Entre os efeitos adversos mais comuns estão náuseas, vômitos, diarreia e constipação. Também existem eventos menos frequentes e potencialmente mais graves, além de contraindicações, precauções e situações em que o medicamento deve ser evitado.
Outro ponto importante é a interrupção do tratamento. Em parte dos pacientes, pode ocorrer recuperação de peso após a suspensão do medicamento. Por isso, não se trata de uma solução rápida nem de uma estratégia que deva ser iniciada, ajustada ou interrompida por conta própria.
O especialista ressalta ainda que o tratamento da obesidade não deve depender exclusivamente dos medicamentos. A abordagem pode envolver mudanças na alimentação, atividade física, acompanhamento psicológico e comportamental, medicamentos e, em determinados casos, cirurgia bariátrica.
Tratamento deve ser individualizado
A escolha da estratégia terapêutica depende das características de cada pessoa. Entre os aspectos avaliados estão o grau da obesidade, a distribuição da gordura corporal, as doenças associadas, o histórico de tentativas anteriores de tratamento, o uso de medicamentos, os aspectos psicológicos, os hábitos alimentares, a capacidade funcional e outras condições que possam interferir no tratamento.
“A obesidade não deve ser interpretada simplesmente como resultado de falta de força de vontade”, destaca Marco Antonio Bráulio Elosta.
A alimentação deve ser trabalhada de maneira individualizada, levando em consideração as necessidades nutricionais, os hábitos, a rotina e as condições clínicas de cada pessoa. O objetivo não deve ser simplesmente seguir uma dieta restritiva por determinado período, mas desenvolver um padrão alimentar que possa ser mantido ao longo do tempo.
A atividade física também é importante para a saúde cardiovascular, metabólica e musculoesquelética, além de contribuir para a manutenção da perda de peso. O tipo e a intensidade do exercício precisam ser adaptados à condição clínica e à capacidade física de cada paciente.
Já o acompanhamento psicológico pode ajudar na identificação de fatores emocionais e comportamentais relacionados à alimentação, além de auxiliar na construção de estratégias para lidar com ansiedade, compulsão alimentar, imagem corporal, estresse e mudanças de hábitos.
Quando a cirurgia bariátrica pode ser indicada?
A cirurgia bariátrica é uma importante ferramenta terapêutica para pacientes que apresentam indicação, especialmente nos casos de obesidade mais grave e/ou associada a doenças que podem ser melhoradas com a perda de peso.
No Sistema Único de Saúde (SUS), existem critérios específicos para a indicação do procedimento, que faz parte de uma linha de cuidado que inclui avaliação e acompanhamento antes e depois da operação.
A cirurgia não representa um “atalho”, mas uma ferramenta de tratamento da obesidade. O procedimento exige acompanhamento multiprofissional e mudanças permanentes nos hábitos de vida.
Obesidade pode afetar diferentes sistemas do organismo
A obesidade pode afetar praticamente todos os sistemas do organismo e está associada ao aumento do risco de diversas doenças. Entre as principais condições relacionadas estão hipertensão arterial, diabetes tipo 2, alterações do colesterol e dos triglicerídeos, doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral, apneia obstrutiva do sono, doença hepática associada ao excesso de gordura, problemas articulares e osteoartrite.
A condição também está associada a um risco maior de determinados tipos de câncer. Além das consequências físicas, pode comprometer a qualidade de vida e estar relacionada a sofrimento psicológico, estigma e discriminação.
Por isso, o objetivo do tratamento não deve ser apenas atingir determinado número na balança. Segundo o especialista, muitas vezes, uma redução de peso relativamente moderada já pode produzir benefícios importantes para a saúde, como melhora do controle da pressão arterial, da glicemia, da mobilidade e de outras condições associadas à obesidade.
Cuidado com soluções rápidas
Cuidar do peso também pode fazer parte do cuidado com a saúde. A diferença está principalmente no objetivo e na forma como esse cuidado é conduzido.
Quando existe obesidade, a busca pelo tratamento deve estar relacionada à prevenção ou ao controle de doenças, à melhora da qualidade de vida, da capacidade funcional e da saúde como um todo. A aparência pode ser uma preocupação legítima do indivíduo, mas o tratamento médico da obesidade não deve ser reduzido a uma questão estética.
É importante evitar a ideia de que existe uma solução rápida, universal ou definitiva para emagrecer. Dietas extremamente restritivas, uso de medicamentos sem prescrição, doses inadequadas ou a utilização de medicamentos indicados para outra pessoa podem trazer riscos e não levam em consideração as características individuais do paciente.
“O mais seguro é procurar avaliação profissional para entender se existe realmente uma indicação de tratamento, quais são os objetivos possíveis e qual estratégia apresenta a melhor relação entre benefícios e riscos para aquela pessoa”, orienta o especialista.
A obesidade é uma doença crônica e seu tratamento deve ser encarado como um cuidado de longo prazo. Mais importante do que simplesmente perder peso é melhorar a saúde, reduzir os riscos associados à obesidade e proporcionar ao paciente uma melhor qualidade de vida.
O Humap-UFMS, filiado à HU Brasil, oferece atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme os fluxos de acesso e os critérios estabelecidos para cada serviço.
Sobre a HU Brasil
O Humap-UFMS integra a HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.