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SAÚDE, AMOR E CUIDADOS
Humap-UFMS celebra o Dia dos Avós
Os netos desenvolvem maior empatia, respeito e compreensão sobre o envelhecimento, enquanto os avós têm a oportunidade de compartilhar experiências, transmitir valores, preservar a história da família e fortalecer o sentimento de pertencimento.
Em ocasião passada, o neto de Carlos Drummond de Andrade perdia seu tucano, que comprara havia poucos dias. Ali, com a genialidade do poeta e a sensibilidade de um avô, surgiam os versos de “Elegia a Um Tucano Morto”, que eternizaria a ave ao neto. Bem mais contemporânea, a cantora Maria Gadú apresentava a letra de “Dona Cila”, música que retratava seu amor pela avó materna.
Se na arte o afeto entre avós e netos é tão resplandecente, na vida, como um todo, não seria diferente. No domingo, 26 de julho, é celebrado o Dia dos Avós. A data é também um alerta para a atenção à saúde de quem tanto cuidou e agora precisa de cuidado.
É claro que o conceito de avós mudou bastante nas últimas décadas. Embora o aumento da expectativa de vida tenha elevado a idade cronológica, os avanços da medicina fizeram surgir uma nova geração de avós: pessoas que vivem mais, com melhor qualidade de vida, mantendo-se, em grande parte, ativas, independentes e socialmente participativas.
“Envelhecer é um processo natural e muito heterogêneo: algumas pessoas chegam à velhice com poucas limitações, enquanto outras enfrentam mais desafios de saúde. O mais importante é compreender que a idade, por si só, não define a capacidade, a autonomia e nem o potencial de cada indivíduo”, destaca a médica Marta Driemeier, geriatra que atua do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), vinculado à HU Brasil.
A especialista ressalta ainda que, com o avançar da idade, aumenta a prevalência das doenças crônicas: “envelhecer com saúde não significa envelhecer sem doenças, mas sim manter a autonomia e a independência apesar delas”.
Cuidados na rotina: mais autonomia e qualidade de vida
Um envelhecimento saudável é resultado de hábitos cultivados ao longo da vida, mas nunca é tarde para começar. Marta reforça o quão essencial é manter uma alimentação equilibrada, com ingestão adequada de proteínas e outros nutrientes; a prática de atividade física regularmente, incluindo exercícios de força, equilíbrio e flexibilidade; manter um sono de boa qualidade; e atentar-se para o acompanhamento médico periódico: “É fundamental para prevenção e o controle das doenças crônicas ter acompanhamento médico, além de utilizar as medicações de forma correta e segura, manter a mente ativa, evitar o isolamento social, preservar os vínculos familiares, as amizades e a participação em atividades que proporcionem bem-estar”.
A consulta com o geriatra é recomendada, em geral, a partir dos 60 anos, embora pessoas mais jovens também possam se beneficiar desse acompanhamento. O envelhecimento é um processo muito individual, e pessoas da mesma idade podem apresentar necessidades completamente diferentes. Por isso, a prevenção deve ser personalizada. “Mais do que solicitar exames, o geriatra realiza uma avaliação geriátrica ampla, que considera não apenas as doenças, mas também conciliação medicamentosa, funcionalidade, cognição, humor, nutrição, mobilidade, risco de quedas, suporte familiar e contexto social da pessoa idosa”, comenta a médica.
Por isso, o alerta é para todos os idosos e sua rede de apoio: é necessário manter a vacinação em dia, realizar exames de rastreamento e avaliações periódicas, controlar adequadamente as doenças crônicas, revisar regularmente o uso das medicações e avaliar condições comuns no envelhecimento, como sarcopenia (diminuição da força e da massa muscular), fragilidade, risco de quedas, alterações cognitivas e problemas nutricionais.
Avós e netos: uma medicação sem contraindicações
O isolamento social é um dos grandes desafios do envelhecimento. Estudos mostram que ele está associado a um maior risco de depressão, declínio cognitivo, demência, perda da capacidade funcional e até aumento da mortalidade. Por isso, manter vínculos familiares, sociais e comunitários é um dos pilares do envelhecimento saudável.
A convivência entre diferentes gerações beneficia a todos. Os netos desenvolvem maior empatia, respeito e compreensão sobre o envelhecimento, enquanto os avós têm a oportunidade de compartilhar experiências, transmitir valores, preservar a história da família e fortalecer o sentimento de pertencimento. Esse convívio favorece o bem-estar emocional e pode proporcionar maior satisfação e propósito de vida.
Marta Driemeier comenta que pequenos gestos, como incluir a pessoa idosa nas conversas, ouvir suas opiniões, respeitar suas decisões, incentivar sua participação nas atividades familiares e manter contato frequente ajudam a combater o sentimento de solidão e de inutilidade: “Mais do que cuidar do idoso, é importante fazê-lo sentir-se pertencente à família e à comunidade, valorizando sua história, sua experiência e sua contribuição”.
Ela ainda completa destacando que os avós desempenham um papel muito importante na formação dos netos: “Eles transmitem valores, histórias, tradições familiares e experiências de vida, contribuindo para o desenvolvimento emocional e social das crianças e dos jovens. Ao mesmo tempo, os netos trazem alegria, afeto, vitalidade e um novo significado para essa fase da vida, fortalecendo o sentimento de pertencimento e de propósito dos avós”.
O privilégio de envelhecer e o compromisso de estar bem
Valorizar essa etapa da vida, com dignidade, autonomia e alegria, caminha junto com o compromisso de manter-se saudável. Por isso, estar alerta à saudade é tão necessário. O Dia dos Avós reforça esse compromisso, tanto aos idosos como a todos em sua volta.
“Cuidar da saúde física, emocional e social também é um ato de amor-próprio. Envelhecer é um privilégio, e esse caminho pode ser vivido com propósito e qualidade quando buscamos os cuidados necessários. Que nunca lhes faltem saúde, paz, amor e a certeza de que sua presença continua sendo essencial para suas famílias e para a nossa sociedade”, finaliza a geriatra.
Sobre a HU Brasil
O Humap-UFMS integra a HU Brasil desde dezembro de 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.