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Diagnóstico precoce, hábitos saudáveis e acompanhamento médico reduzem os riscos cardiovasculares
Sintomas de infarto nas mulheres podem ser diferentes e dificultar diagnóstico
Nesta matéria, você verá:
- Sintomas de infarto são diferentes entre homens e mulheres;
- Fatores que aumentam o risco cardiovascular nas mulheres;
- Gravidez exige atenção cardiovascular;
- Como reduzir o risco de doenças cardiovasculares.
A saúde da mulher é um tema que costuma estar direcionado à prevenção de doenças ginecológicas, mas especialistas da Rede HU Brasil também alertam para outro tipo de problema: as doenças cardiovasculares. Esse assunto é destaque neste 14 de maio, Dia Nacional das Doenças Cardiovasculares na Mulher, criado em 2022 para conscientizar sobre os riscos e a importância da prevenção.
Conforme destaca a cardiologista Jamila Xavier, chefe da Divisão Médica do Hospital Universitário Júlio Müller, da Universidade Federal de Mato Grosso (HUJM-UFMT), as doenças cardiovasculares representam 30% dos óbitos entre mulheres, “superando, inclusive, as mortes por todos os tipos de cânceres ginecológico e de mamas combinados”, alerta.
Segundo a especialista, acidente vascular cerebral (AVC) e infarto são os principais problemas fatais. “Além da menopausa, do envelhecimento e da maior expectativa de vida nas mulheres, fatores de risco importantes como hipertensão arterial, diabetes mellitus, sedentarismo e obesidade também são mais comuns no sexo feminino e contribuem diretamente para este cenário desfavorável”, detalha.
Sintomas de infarto são diferentes entre homens e mulheres
Os sintomas das doenças cardiovasculares nas mulheres costumam ser menos específicos, o que dificulta o diagnóstico e pode atrasar o início do tratamento. “Aqueles sintomas típicos de infarto em homens, como dor no peito em aperto que irradia para o braço esquerdo, nas mulheres tendem a ser mais vagos e inespecíficos, como dor no peito de difícil caracterização, além de falta de ar como o principal sintoma, associada à fadiga e ao cansaço”, revela Jamila.
Fatores que aumentam o risco cardiovascular nas mulheres
Além dos fatores de risco mais conhecidos (hipertensão, diabetes, sedentarismo etc.), existem condições específicas da saúde da mulher que também aumentam o risco cardiovascular, conforme explica a cardiologista Tatiane Aguiar, gerente de Atenção à Saúde do Hospital Universitário Getúlio Vargas, da Universidade Federal do Amazonas (HUGV-Ufam). Na menopausa, por exemplo, a queda do hormônio estrogênio tem impacto no colesterol e aumenta o risco de aterosclerose (acúmulo de gordura nas artérias). Já a síndrome dos ovários policísticos também eleva o risco cardiovascular por estar associada à resistência à insulina.
As doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide, que são mais frequentes em mulheres, também aumentam a inflamação dos vasos sanguíneos e favorecem o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. E, em alguns casos, o uso de anticoncepcionais hormonais ou de terapia de reposição hormonal pode elevar o risco de trombose, especialmente quando existem outros fatores de coagulação do sangue associados, esclarece Tatiane.
Algumas doenças cardíacas também são mais frequentes nas mulheres. “A síndrome do coração partido, também chamada cardiomiopatia de Takotsubo, é desencadeada por estresse emocional intenso e afeta mulheres idosas mais frequentemente. Outro exemplo é a doença coronariana microvascular (dos pequenos vasos do coração) que muitas vezes não aparece nos exames mais comuns”, afirma.
Gravidez exige atenção cardiovascular
A gravidez é um período que exige atenção redobrada às condições cardiovasculares. Durante a gestação, podem surgir síndromes hipertensivas, como pré-eclâmpsia e eclâmpsia, que aumentam os riscos tanto para a mãe quanto para o bebê. “Em geral, as complicações cardiovasculares graves acometem cerca de 1 a 4% das gestações e costumam ser preveníveis com o acompanhamento adequado”, explica a cardiologista Cláudia Guarino, do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI).
Nos casos em que a paciente já possui algum problema cardíaco, o cuidado precisa ser ainda mais integrado entre as especialidades médicas. “Quando a gestante é portadora de alguma cardiopatia, o acompanhamento cardiológico e obstétrico deve ser realizado como a rotina de um pré-natal de alto risco, com consultas mensais que podem se tornar semanais de acordo com a evolução da gestação”, destaca a especialista.
Ela explica ainda que as condutas variam conforme o quadro clínico e podem envolver diferentes tratamentos. “Para reduzir os riscos, são orientados, de acordo com cada caso, desde o uso de ácido acetilsalicílico e reposição de cálcio, até o uso de anticoagulantes e tratamentos específicos para insuficiência cardíaca quando a paciente evolui com uma condição rara denominada cardiomiopatia periparto”.
Como reduzir o risco de doenças cardiovasculares
As especialistas reforçam que manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e fibras, e reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados ajudam a controlar os fatores de risco. Praticar pelo menos 150 minutos de atividade física por semana, não fumar, evitar bebidas alcoólicas e realizar acompanhamento médico periódico também são recomendações para qualquer idade, especialmente se a mulher já possui algum histórico de comorbidade, passou da menopausa ou tem complicações durante a gravidez. “Quanto mais cedo esses cuidados começam, melhor, sempre considerando as fases da vida da mulher”, destaca Tatiane Aguiar.
Sobre a HU Brasil
Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Por Marília Rêgo, com revisão de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social/ HU Brasil