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ATENÇÃO À SAÚDE
HUB inicia atividades para implantar linhas de cuidado
Como início das atividades de implantação de linhas de cuidado no Hospital Universitário de Brasília (HUB), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) realizou, em parceria com o hospital e a Universidade de Brasília (UnB), a oficina “Linhas de cuidado: compartilhando conceitos e experiências de implantação”. O evento ocorreu dias 7 e 8 de outubro, na Fiocruz, no campus universitário Darcy Ribeiro, em Brasília (DF).
Tatiane Cristine Cortiano
Os dois dias de encontro reuniram aproximadamente 100 pessoas, entre gestores e colaboradores do HUB e da Ebserh, professores e alunos da universidade e representantes do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. O objetivo foi promover o debate e identificar os processos assistenciais necessários para a elaboração de linhas de cuidado na instituição.
Para Hervaldo Sampaio Carvalho, superintendente do hospital, a mudança no modelo assistencial é um ponto-chave na fase de reestruturação física, de recursos humanos e de equipamentos pela qual passa o HUB. “O atendimento centrado no paciente é a grande transformação da instituição. Precisamos criar um ambiente para que as linhas de cuidado cresçam e floresçam. Para isso, precisamos do apoio de todos”, disse.
De acordo com Rosane de Mendonça Gomes, da Diretoria de Atenção à Saúde da Ebserh, o HUB faz parte de um grupo de oito hospitais universitários federais que iniciam o processo de reconstrução do modelo de atenção à saúde. “O momento é de sensibilização e alinhamento conceitual para estruturar a estratégia de implementação de linhas de cuidado, centrada no usuário, com abordagem multiprofissional”, afirmou.
Sônia Nair Báo, vice-reitora da UnB, destacou a relevância dessa estratégia de atendimento para a população e para a formação de alunos e residentes. “Temos de pensar na comunidade, onde o paciente está inserido. Esse olhar é fundamental para a oferta de melhor atendimento e para a formação dos profissionais de saúde”, avaliou.
Experiências de sucesso
A apresentação de palestras e de exemplos bem-sucedidos na implantação de linhas de cuidado pelo país ajudou a fomentar e a enriquecer o debate. José Eduardo Fogolin Passos, representante do Ministério da Saúde, mostrou experiências no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionadas ao atendimento de trauma, de acidente vascular cerebral (AVC) e de infarto agudo do miocárdio (IAM).
Segundo ele, essas iniciativas contribuíram significativamente na redução da mortalidade e do custo dos tratamentos, promoveram nova lógica de financiamento e resultaram em treinamento de profissionais da saúde. O ponto crucial, na visão dele, é evoluir na conceituação de linhas de cuidado. “A mudança do processo do cuidado é que reduz a taxa de mortalidade, não apenas os investimentos em tecnologias”, declarou.
No Hospital Risoleta Tolentino Neves, de Belo Horizonte (MG), a opção pelo modelo de gestão do cuidado ocorreu ao se perceber que as formas tradicionais de assistência eram insuficientes para garantir os resultados esperados. “Organizamos os serviços e os processos internos a partir da necessidade dos usuários e da formação do profissional. A abordagem do processo terapêutico passou a ser coletiva, com interação de saberes e práticas”, explicou Mônica Aparecida Costa, diretora técnica do hospital.
Para concretizar o novo modelo, a instituição implantou quatro linhas de cuidado: clínico, cirúrgico, materno-infantil e intensivo. A estratégia prevê definição de perfis prioritários de pacientes e equipes de referência para atendimento.
“Esse modelo apresentado pelo Risoleta é o que queremos que aconteça a partir de agora. Nada faz mais sentido do que a discussão de colocar o indivíduo no centro da atenção”, afirmou Mônica Reis, representante da Secretaria de Saúde do DF. Ela acredita que o segredo está em repensar o ensino à luz das linhas de cuidado e das redes de atenção à saúde. “O mais importante é a sensibilização dos profissionais envolvidos. O processo de trabalho está nas mãos de quem o faz, por meio de uma construção coletiva”, emendou.
A mudança de processos de trabalho, citada por todos os palestrantes, recebeu reforço de Cátia Barbosa da Cruz, gerente de Ensino e Pesquisa do HUB. “Não temos de esperar condições perfeitas para começar. É preciso comprometimento dos profissionais e disposição para fazer”, enfatizou.
Durante a oficina, houve a formação de quatro grupos de trabalho. O objetivo foi analisar o processo de estruturação das linhas de cuidado no HUB a partir do debate e da apresentação de dois casos clínicos, um relacionado à cardiologia e outro à área materno-infantil.
Linha de cuidado
É um modo de praticar, organizar e gerir o processo de trabalho e os serviços de saúde para garantir o cuidado integral do usuário, de modo responsável, coordenado e de acordo com suas necessidades, ao longo de todo o itinerário que faz nos serviços de saúde.