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SUPERAÇÃO
“Eu nasci de novo”, diz Cleyton Muniz Rodrigues
O transplante de rim, realizado em 29 de julho de 2010 no Hospital Universitário de Brasília (HUB), foi o divisor de águas na vida do vendedor de serviços gráficos Cleyton Muniz Rodrigues, de 36 anos. “Eu nasci de novo”, diz. A partir desse dia, ele passou a ter prazer com realizações simples do dia a dia, como tomar água, saborear um sorvete e comer abacaxi, antes impensáveis por conta da insuficiência renal crônica, condição em que os rins param de funcionar.
Os sintomas surgiram de repente, em uma sexta-feira do mês de julho de 2006. “Estava com muito mal-estar, forte dor de cabeça e pés inchados. Procurei a emergência de um hospital e fui imediatamente internado”, relembra Cleyton. Na segunda-feira seguinte, após a realização de exames, ele recebeu o diagnóstico da doença e iniciou a primeira sessão de hemodiálise, procedimento que filtra o sangue e funciona como um rim artificial.
“Esse dia transformou a minha vida. Ao mesmo tempo em que te salva, o tratamento vai te deteriorando aos poucos. A vida de um renal crônico é complicada, já que você não pode mais trabalhar e fica dependente de remédios”, afirma Cleyton ao se referir ao mal-estar, à fraqueza e à anemia que passou a ter com as sessões.
Pelos próximos dois anos e dez meses, o vendedor faria três sessões de hemodiálise por semana, com duração de quatro horas cada uma. “Foi um período difícil. Perdi vários colegas que faziam hemodiálise e já estava sentindo que a qualquer hora seria a minha vez de partir desta para uma melhor”, relata.
O recomeço
Por indicação de uma enfermeira da clínica onde fazia o tratamento em Brasília, Cleyton procurou a ajuda da Unidade de Transplantes do HUB, na esperança de poder fazer a cirurgia. Para surpresa dele, três familiares tinham condições necessárias para doar o rim: a mãe, o pai e o irmão.
Arquivo pessoal
“Após sair o resultado do teste de compatibilidade, minha decisão de doar foi imediata. Poder salvar a vida do meu próprio filho é a melhor coisa do mundo”, afirma o pai, Rivalino Rodrigues da Costa, hoje com 62 anos.
Em apenas dois meses, após o primeiro atendimento no hospital, Cleyton e o pai já tinham feito todos os exames pré-operatórios e estavam prontos para a cirurgia, que foi realizada em 2010, mas Rivalino já estava se preparando para esse momento desde 2006. “No dia em que meu filho ficou doente, eu parei de beber, já pensando num possível transplante”, recorda.
Hoje, Cleyton diz o que mudou na vida dele. “Agora, posso fazer esportes, trabalhar, tomar água e comer o que não podia. Me casei e tive uma filha. Até minha vida sexual melhorou. Tenho qualidade de vida”, conta.
Mesmo assim, o acompanhamento médico continua, e medicamento agora é usado apenas para evitar a rejeição do órgão. De três em três meses, no mínimo, Cleyton vai até o HUB para fazer consultas e exames de rotina. “O HUB foi o melhor hospital que encontrei. O atendimento é muito bom. Já fui atendido por 16 profissionais de várias áreas, como assistência social, nefrologia, urologia, psicologia, ente outras.”
Sobre a importância da doação de órgãos, o vendedor deixa uma mensagem. “Nem todos têm a sorte de encontrar doadores vivos, na própria família. Por isso, as pessoas têm que se mobilizar e entender que o familiar que morre deixará saudade, mas também pode salvar uma vida. O momento é de dor, mas é preciso pensar no próximo”, reflete.