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HEMODINÂMICA
Procedimento inédito no HUB para implante de válvula aórtica é apresentado em congresso europeu
Brasília (DF) – O Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB/HU Brasil) é o primeiro do Distrito Federal a realizar o procedimento Valve-in-valve Aórtico com Modificação de Folheto pela Técnica do Unicórnio, com o intuito de corrigir obstrução em válvula aórtica responsável por controlar a passagem do sangue do coração para a aorta, principal artéria do organismo. O caso foi apresentado no Congresso Europeu de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (EuroPCR), maior congresso mundial da especialidade, realizado em Paris entre os dias 19 e 22 de maio de 2026.
O Valve-in-valve Aórtico com Modificação de Folheto pela Técnica do Unicórnio é um tipo de Implante Transcateter de Válvula Aórtica (TAVI). O TAVI é um procedimento minimamente invasivo que não precisa de cirurgia de peito aberto e que é realizado em casos em que a válvula aórtica do coração está obstruída, comprometendo o fluxo de sangue no corpo. Sendo assim, a válvula doente é substituída por uma prótese que é levada até o coração através dos vasos sanguíneos por pequenas pulsões que são realizadas na virilha e no braço
“O TAVI é o nome do procedimento em geral, mas dentro dessa família de procedimentos, existem variações conforme a situação de cada paciente”, explica Mateus Veloso e Silva, médico cardiologista intervencionista do HUB e autor da pesquisa apresentada no EuroPCR.
Uma dessas variações é a valve-in-valve (válvula dentro de válvula). “[Esse procedimento] é realizado em pacientes que já foram operados do coração anteriormente e receberam uma válvula cirúrgica no passado, feita de tecido animal. Com o tempo, essa válvula biológica envelhece e para de funcionar bem”, comenta Mateus Veloso. “Em vez de submeter o paciente a uma nova cirurgia aberta, o que seria de altíssimo risco para alguém que já passou por uma operação cardíaca, implantamos uma nova válvula por cateter dentro da válvula antiga que já está no lugar. Daí o nome: válvula dentro de válvula”, completa.
O termo complementar “Modificação de Folheto pela Técnica do Unicórnio” refere-se ao fato de que determinados pacientes apresentam maior risco de bloqueio das artérias coronárias durante o implante da nova válvula. Nesses casos, é necessária uma intervenção prévia nos folhetos da válvula doente, que são três pequenas estruturas em forma de meia-lua que controlam o fluxo de sangue do coração para o corpo. O intuito disso é evitar a obstrução dos vasos que fornecem sangue ao coração e garantir a segurança do procedimento.
“Nessa técnica, em vez de passar pelo orifício central da válvula, perfura-se um dos folhetos e insufla-se um balão para abrir caminho. Esse balão inflado dentro da válvula lembra visualmente o chifre de um unicórnio daí o nome da técnica”, destaca o médico cardiologista do HUB.
O procedimento, realizado em novembro de 2025 no HUB e pioneiro nas redes pública e privada de saúde do Distrito Federal, teve como paciente Carlos Barromeu dos Santos Baião. “Um paciente que já tinha uma bioprótese aórtica cirúrgica com mau funcionamento, e que além disso apresentava alto risco de oclusão das coronárias com o novo implante, o que nos levou a associar a técnica do unicórnio para proteger a circulação do coração durante o procedimento”, frisa Mateus Veloso.
A iniciativa contribui com a consolidação do hospital como referência em procedimentos de alta complexidade e inovação assistencial no Sistema Único de Saúde (SUS). Percepções defendidas pelo médico Mateus Veloso na pesquisa “UNICORN Leaflet Modification in Aortic Valve-inValve with Low VTC Distances [Modificação de Folheto pela Técnica UNICORN em Procedimentos Valve-in-Valve Aórticos com Pequena Distância entre a Válvula e as Artérias Coronárias (VTC)]”, que ele apresentou durante o EuroPCR, em Paris.
“Destacamos que procedimentos de alta complexidade podem ser realizados com segurança no HUB, desde que sejam cuidadosamente estudados e planejados por uma equipe experiente. O caso evidencia que o hospital está alinhado com o que há de mais inovador no tratamento da estenose aórtica em nível mundial, levando tecnologia de ponta aos pacientes do SUS”, conclui.
Sobre a HU Brasil
O HUB-UnB faz parte da Rede HU Brasil desde janeiro de 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 46 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Redação e revisão: Elizabeth Souza
Coordenadoria de Comunicação Social/HU Brasil