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JULHO AMARELO
Inimigo silencioso: sintomas comuns podem esconder infecção grave no fígado
Pele amarelada, fadiga crônica, perda de apetite, náuseas e diarreia. Sintomas que parecem comuns a diversas enfermidades cotidianas podem indicar sinais de alerta das hepatites virais, infecções do fígado que, em determinados casos, quando não tratadas a tempo, podem evoluir para complicações graves e até levar ao óbito. No período de 2000 a 2024, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde registrou 826.292 casos confirmados da doença no Brasil.
Com a chegada do Julho Amarelo, mês de conscientização sobre as hepatites virais, reforça-se a importância do diagnóstico precoce e das medidas preventivas contra os cinco principais vírus da doença: A, B, C, D e E. As infecções podem afetar pessoas de todas as idades e apresentam diferenças quanto às formas de transmissão, evolução clínica e tratamento.
Tipos e características: as diferenças entre os vírus
Hepatite A (HAV): transmitida pela via fecal-oral (água ou alimentos contaminados), é uma das formas mais comuns. Embora tenha evolução benigna, pode, raramente, se tornar grave, com necessidade de internação e transplante hepático. Não há tratamento específico, apenas medidas de suporte.
Hepatite B (HBV): transmitida por via sexual, sangue contaminado pelo compartilhamento de material perfurocortante ou de mãe para filho no nascimento. Pode cronificar e evoluir para cirrose e câncer de fígado. O tratamento controla a doença e é oferecido pelo SUS.
Hepatite C (HCV): transmitida por via sexual e, principalmente, pelo contato com sangue contaminado. Apresenta elevada taxa de cronificação, entre 60% e 85% dos casos. O tratamento disponível no SUS apresenta excelentes taxas de cura, próximas de 100%.
Hepatite D (HDV): também transmitida pelo sangue, acomete apenas pessoas que já possuem o vírus da hepatite B, do qual depende para se replicar.
Hepatite E (HEV): raramente descrita no Brasil, é transmitida pela via fecal-oral. Geralmente é autolimitada, mas pode ser grave em gestantes e cronificar em pacientes imunossuprimidos.
O perigo do diagnóstico tardio
O principal desafio no combate às hepatites é o caráter silencioso das hepatites crônicas B e C. A maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas nas fases iniciais, o que pode retardar o diagnóstico e o início do tratamento.
Sintomas como fraqueza, mal-estar e icterícia (pele e olhos amarelados) costumam surgir quando a doença já está em estágio mais avançado. As hepatites B e C podem permanecer assintomáticas por anos e evoluir para complicações como cirrose hepática e câncer de fígado quando não identificadas e tratadas precocemente.
Prevenção: vacinas, higiene e proteção
As medidas preventivas variam conforme a forma de transmissão de cada vírus.
Para as hepatites A e E, a prevenção está relacionada ao saneamento básico, ao consumo de água potável e de alimentos devidamente higienizados e preparados.
Para as hepatites B e C, recomenda-se o uso de preservativos nas relações sexuais e o não compartilhamento de objetos cortantes ou perfurantes de uso pessoal, como alicates de unha, lâminas de barbear e tesouras.
A vacinação continua sendo a principal estratégia de prevenção. O SUS oferece gratuitamente a vacina contra a hepatite A para crianças de até cinco anos incompletos e grupos prioritários, além da vacina contra a hepatite B, integrante do calendário nacional de imunização, com a primeira dose aplicada ainda na maternidade. Atualmente, não há vacina disponível para a hepatite C.
Para pessoas já diagnosticadas, são recomendados o acompanhamento regular da função hepática, o suporte nutricional adequado e a suspensão do consumo de álcool e de medicamentos que possam sobrecarregar o fígado.
Sobre a HU Brasil
Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Por Paulina Oliveira, com revisão de Rosenato Barreto
Gerência Executiva de Comunicação Social / HU Brasil