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ASSISTÊNCIA
HC-UFG amplia atenção à saúde indígena com ações especializadas e foco na universalidade do SUS
Goiânia (GO) – Referência do Centro-Oeste em atenção à saúde indígena, o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG) tem reforçado a sua atuação com iniciativas que ampliam o acesso dessa população a serviços especializados e aprimoram a qualidade do atendimento hospitalar a essa população. O HC é uma unidade vinculada à Rede HU Brasil (novo nome da Ebserh) e celebra o Dia dos Povos Indígenas neste 19 de abril.
“Nosso objetivo é fomentar e qualificar o cuidado aos povos indígenas que acessam os serviços de média e alta complexidade no HC-UFG, garantindo a eles os princípios do SUS, como a universalidade, equidade e integralidade da atenção”, explica a coordenadora do projeto de saúde indígena do HC, Marta Maria Alves da Silva, ressaltando que esse atendimento é transversal em toda a assistência.
Também há a articulação com a UFG, de um projeto de saúde específico voltado para os alunos de Licenciatura Intercultural Indígena sob a coordenação do Instituto de Formação Superior Indígena Takinahakỹ. As ações de saúde realizadas no HC são articuladas com outras unidades acadêmicas e serviços da UFG e com os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) e com as Casas de Apoio à Saúde Indígena (Casai).
A atenção à saúde das populações indígenas tem sido fortalecida também por meio de iniciativas institucionais como a criação da Comitê de Saúde Indígena do HC-UFG por meio da Portaria nº 762, de 9 de dezembro de 2025, para implementar ações no hospital.
O chefe da Divisão de Apoio Diagnóstico e Terapêutico (DADT) e coordenador do Comitê de Saúde Indígena do HC, Carlos Cristiano Almeida, elenca os principais avanços e iniciativas recentes nessa área, como a articulação direta com os DSEI e com as Casai, especialmente as de Querência(MT) e de Goiânia; a integração entre o hospital e a universidade; e o desenvolvimento de ações multiprofissionais de educação, prevenção e assistência no âmbito da UFG, que têm contribuído para melhorar o acesso, qualificar o atendimento e fortalecer a atenção à saúde.
“Essa aproximação fortalece o cuidado, favorece a melhor organização dos fluxos assistenciais e contribui para respostas mais oportunas e adequadas às especificidades da população indígena atendida”, afirma Carlos Almeida.
De acordo com Marta Silva, as principais demandas assistenciais estão voltadas para o atendimento de indígenas com doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão arterial, diabetes mellitus, obesidade, tabagismo, dentre outras. “Temos muitas demandas de atendimento nas áreas de cardiologia, endocrinologia, pneumologia, neurologia, outras. Mas destacamos também a importância da demanda de consultas com pediatria, clínica geral e infectologistas, além do cuidado relacionado à saúde bucal e ocular, que têm sido viabilizadas por parcerias com a UFG”, pontua Marta.
A atenção à saúde indígena promove inclusão e cuidado para populações vulnerabilizadas, contribuindo para o fortalecimento do SUS e para redução das desigualdades em saúde. “Durante o Curso de Licenciatura Intercultural, por exemplo, realizamos ações assistenciais com triagem e avaliações com exames de glicemia, aferição de pressão arterial, índice de massa corporal, entre outros, mas também realizamos vacinação e rodas de conversa com foco na educação, na prevenção e promoção de saúde com temas como alimentação, práticas corporais, saúde bucal, atividades físicas, ergonomia, saúde da mulher e saúde mental”, comenta Marta Silva.
Humanização
Além da oferta de serviços, o HC-UFG garante um atendimento humanizado e culturalmente sensível, com destaque para o acolhimento e o respeito às especificidades culturais durante o cuidado, aspecto essencial para a efetividade das ações em saúde indígena.
O bebê Ropkhukatxi Suyá, filho dos indígenas Ngaikantetxi Suyá e Mbohrono Pataxo Suyá, nascido em novembro de 2025, no município de Querência (MT), apresentou um quadro grave de saúde após o seu nascimento. Com o apoio da CASAI do município e de articulação com a equipe do HC-UFG, o bebê veio para Goiânia e foi atendido no HC-UFG quatro dias após o seu nascimento. Na unidade, o bebê ficou internado, recebeu suporte para a estabilização do quadro e o diagnóstico após investigação do caso pela equipe médica. “Eu agradeço muito a equipe do HC-UFG, que conseguiu essa vaga para o meu filho. Ele ficou 13 minutos desmaiado e eu achei que meu filho não iria sobreviver, mas hoje meu filho está bem, está na aldeia. Eu agradeço muito à Marta que conseguiu essa vaga para ele e fico muito feliz que o Hospital das Clínicas da UFG tenha aberto essa porta para nós”, afirmou Mbohrono Pataxo Suyá, pai do bebê.
“O HC é muito bom porque tem várias especialidades e todo o tipo de exames para investigar o que nós estamos sentindo. Graças a essa articulação com a Casai e com a DSEI, fica mais fácil chegar aqui ao HC”, disse Rubens Trumai Suyá, que acompanhou a avó Ngaiwytitxi Suyá, no último mutirão do HC-UFG, em novembro. Eles são da Aldeia Kigati (ou Khikatxi), no município de Querência (MT), distante cerca de 750 km da capital goiana.
Em 2025, foram realizados mais de 100 atendimentos de indígenas no HC-UFG durante o mutirão de Saúde Indígena da Rede Ebserh. Foram ofertadas consultas em diversas especialidades e exames de média e alta complexidade (como tomografias e ressonâncias magnéticas, por exemplo) para indígenas das etnias Suyá, Kaiabi, Juruna, Karajá, Tapuia, Xavante, Kanela, Kayabi, Kalapalo e Kuikuro, entre outras.
A técnica de enfermagem da Casai Goiânia Marineusa Kanela, que realiza o acompanhamento de indígenas ao HC, relata que já foi paciente do hospital e destaca a importância desse atendimento especializado para os povos indígenas. “É muito gratificante estar aqui, num hospital que fornece especialidades que não temos nas aldeias. Tive dois filhos aqui no HC e fui muito bem recebida. As profissionais tratam a gente com tanto amor que a gente se sente grata. E cada vez que eu venho com um paciente e que se resolve o caso desse paciente, eu saio com o coração sorrindo de alegria e grata”, pontua Marineusa.
Esse cuidado integral representa um avanço no enfrentamento das desigualdades no acesso à saúde dessas populações, que, historicamente, enfrentam barreiras geográficas, culturais e socioeconômicas, o que torna fundamental a ampliação de estratégias que levem atendimento especializado a esses grupos. “A gente tem consciência das barreiras enfrentadas pelos indígenas e, por isso, precisamos promover equidade nesse atendimento”, afirma Marta Silva.
A técnica de enfermagem da Casai de Querência (MT), Aninha Sousa, reforça a importância da atuação de todas as esferas do poder público para a estruturação das Casai. “As Casai são muito importantes para o acolhimento, repouso e alimentação dos indígenas em tratamento longe de casa. O atendimento no HC é fundamental porque as principais demandas nas aldeias são por consultas especializadas e exames”, completa.
Sobre a HU Brasil
O HC-UFG faz parte da HU Brasil desde dezembro de 2014. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares - Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Moisés de Holanda e Thalízia Cruvinel
Coordenadoria de Comunicação Social