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PROBLEMAS RESPIRATÓRIOS
Do diagnóstico ao controle: o que você precisa saber sobre a asma
Com tratamento adequado, os pacientes podem ter uma vida normal. Fonte: Magnific
Nesta reportagem, você vai ver:
Prevenção, diagnóstico e tratamento
Impacto da asma na qualidade de vida
Cuidados na infância
Como diferenciar de bronquite ou viroses comuns?
Vilões dentro de casa
Brasília (DF) - A asma, doença respiratória crônica inflamatória, atinge de 10% a 20% da população mundial, sendo caracterizada por episódios recorrentes de falta de ar, tosse crônica, chiado e aperto no peito. Mas a doença pode ser controlada. O tratamento está disponível via Sistema Único de Saúde (SUS), por isso, nesta reportagem, especialistas da Rede HU Brasil orientam sobre diagnóstico e tratamento.
“A grande maioria das pessoas com asma tem o problema iniciado na infância e um pequeno percentual de pacientes pode ter a doença na vida adulta. Por isso, quanto antes se tiver o diagnóstico e tratar, menores são os prejuízos”, aponta o médico especialista em alergia e imunologia, Herberto José Chong Neto, do Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR). De acordo com ele, a asma é decorrente de uma inflamação que envolve células e citocinas inflamatórias.
Segundo Herberto Neto, as mudanças climáticas e a poluição têm contribuído para o agravamento da asma por proporcionar um aumento da inalação de agentes poluentes diretamente relacionados a alterações do sistema imunológico, além de modificar a biologia dos alérgenos que causam a doença.
Os principais gatilhos para as crises de asma são ácaros, poeira doméstica, mofo, vírus respiratórios que causam gripes e resfriados, poluição, fumaça, mudanças bruscas de temperatura, pelos de animais e odores fortes.
Apesar das crises ocorrerem em qualquer época do ano, alguns períodos podem ser piores para as pessoas com esse problema. O pneumologista Isnard Maul, do Hospital Universitário Alcides Carneiro, da Universidade Federal de Campina Grande (HUAC-UFCG), explica que, no Brasil, é comum um aumento de crises no outono e inverno. Nos períodos secos, contribuem para as crises o aumento da poeira e poluentes no ar. Já na primavera, um dos fatores para a sua ocorrência é a maior exposição ao pólen das flores.
Prevenção, diagnóstico e tratamento
Conforme o pneumologista João Batista Filho, do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HU-UFMA), para a prevenção da crise, além de identificar quais são os gatilhos, o paciente deve evitá-los. “Isso envolve cuidado ambiental, hábitos de vida mais saudáveis, prática de atividade física, evitar o ganho excessivo de peso e outras situações que podem indiretamente agravar ou piorar a asma”, afirma.
João Batista aponta que o diagnóstico de asma se baseia em dois componentes: o clínico, que analisa a história e apresentação dos sintomas; e a confirmação objetiva de alteração dos fluxos respiratórios, medida habitualmente pela espirometria.
“A doença pode se apresentar com várias características diferentes que chamamos de fenótipos. Porém, hoje focamos muito no endótipo, ou seja, em entender qual é a característica molecular que está gerando a inflamação na via aérea”, explica o médico do HU-UFMA. Para ele, a compreensão de qual tipo de asma o profissional está lidando vai ajudar a escolher o arsenal terapêutico mais adequado, principalmente em pacientes que são candidatos à utilização dos medicamentos imunobiológicos.
O SUS disponibiliza gratuitamente tratamentos para as formas mais leves até as mais graves da doença. As ações vão desde medidas educativas e orientações médicas, ao uso de medicações inalatórias e - eventualmente, nos casos de asma grave e de difícil controle - imunobiológicos, e medicações para o controle da doença por meio de programa do governo federal.
Impacto da asma na qualidade de vida
Isnard Maul aponta que, no Brasil, a doença leva crianças, adolescentes e adultos a faltarem à escola e ao trabalho. Para ele, a asma ainda pode provocar limitação em atividades físicas, prejudicar o sono e causar crises que levam ao atendimento de urgência. Mas, segundo o pneumologista, com tratamento adequado, a maioria dos pacientes pode ter uma vida normal e produtiva. “A asma é comum, mas controlável. Com diagnóstico correto, tratamento adequado e controle dos gatilhos, é possível viver bem e sem limitações”, enfatiza Isnard Maul.
Cuidados na infância
A pneumopediatra, Lusmaia Damaceno Camargo Costa, chefe da Unidade da Criança e do Adolescente do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), ressalta que a asma atinge cerca de uma a cada cinco crianças, sendo responsável por um elevado número de consultas e internações. Os sintomas mais comuns de asma em bebês e crianças pequenas são o chiado no peito, esforço para respirar e tosse persistente, principalmente à noite, ao acordar ou após brincadeiras ou risadas.
Como diferenciar de bronquite ou viroses comuns?
De acordo com a Lusmaia Costa, essa é uma confusão muito comum, pois os vírus respiratórios, além de muito frequentes nos primeiros cinco anos de vida, podem causar chiado no peito e outros sintomas muito semelhantes aos da asma. “Diante de três ou mais episódios de chiado, asma é uma possibilidade, principalmente se esse sintoma ocorre mesmo sem a criança estar ‘gripada’, quando é desencadeado por mudança climática, exposição à fumaça ou atividade física”, explica.
A médica esclarece que, se a criança apresentar características clínicas compatíveis com asma, especialmente se tiver pais ou irmãos asmáticos, o diagnóstico pode ser feito em qualquer idade. Segundo Lusmaia, nas crianças menores de 6 anos, a abordagem deve ser cuidadosa, devendo ser diagnosticada por especialistas, como o pneumopediatra. “À medida que ela cresce, é possível fazer exames mais específicos para auxiliar no diagnóstico, como a espirometria, que pode ser feita a partir dos quatro ou cinco anos de idade”, afirma a médica.
A médica lembra que as crianças podem ficar livres da asma quando adultas. Os sintomas podem ser pouco aparentes, sendo necessário saber se não há comprometimento da função pulmonar. “Dessa forma, faz-se necessária avaliação clínica e testes específicos. Isso não significa uma cura, pois a predisposição genética permanece. Os sintomas podem retornar em fases posteriores, a depender do gatilho”, completa Lusmaia.
Vilões dentro de casa
Tapetes, cortinas e pelúcia abrigam os grandes vilões para as pessoas com asma: os ácaros. Segundo Lusmaia Costa, os animais de estimação com pelos ou penas podem causar piora em algumas crianças e normalmente os testes alérgicos demonstram essa sensibilidade. “Em alguns casos, é possível conviver com os animais, se forem mantidos limpos e fora do quarto da criança. Recomenda-se que a casa do alérgico, especialmente o quarto, contenha poucos móveis e que seja de fácil limpeza (com sabão e pano úmido, sem vassouras e sem produtos de limpeza com cheiro forte)”, explica.
Sobre a Rede HU Brasil
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Rosenato Barreto, com edição de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede HU Brasil