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Sepse: saiba reconhecer os sinais de alerta e quando buscar atendimento
O Dia Mundial da Sepse, 13 de setembro, chama atenção para a importância de reconhecer os sinais e buscar atendimento (Imagem ilustrativa: Magnific).
Nesta reportagem, você vai ver:
Brasília (DF) - Uma infecção comum pode se tornar grave quando o organismo reage de forma desregulada, afetando órgãos e colocando a vida em risco. Esse quadro é conhecido como sepse, um problema mundial de saúde que exige diagnóstico e tratamento rápidos. Nos hospitais da HU Brasil, ao longo do mês de setembro estão sendo realizadas ações de educação em saúde e algumas dessas informações são compartilhadas por especialistas nesta reportagem.
Cerca de 400 mil adultos e 42 mil crianças desenvolvem sepse por ano no Brasil, segundo estimativas divulgadas pelo Ministério da Saúde. Essa condição pode surgir a partir de diferentes tipos de infecção. “O corpo tenta combater a infecção, mas essa resposta acaba ficando descontrolada e pode começar a prejudicar órgãos importantes, como rins, pulmões, coração e cérebro”, explica o médico infectologista José Eudes Neri, do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), integrante do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA).
A sepse, no entanto, não deve ser confundida com a simples presença de uma infecção. Na maioria dos casos, a infecção permanece localizada e pode ser tratada normalmente. “Falamos em sepse quando a resposta do organismo à infecção começa a causar alterações no funcionamento dos órgãos. É nesse momento que a situação se torna mais grave”, acrescenta José Eudes.
A expressão “infecção generalizada” também é frequentemente utilizada para explicar a sepse, mas, segundo o infectologista, o termo não descreve corretamente o quadro, haja vista que a sepse não significa necessariamente que a infecção se espalhou pelo corpo. “Podemos dizer que ela é uma complicação grave de uma infecção”, esclarece Eudes.
Praticamente qualquer infecção pode evoluir para sepse. Entre as origens mais comuns estão pneumonia, infecção urinária, infecções do abdome, da pele e meningite.
O quadro também pode começar fora do ambiente hospitalar. “E isso é muito importante. A pessoa pode estar em casa com uma pneumonia, uma infecção urinária ou outra infecção e começar a apresentar sinais de gravidade. Sepse não é uma condição exclusiva de pacientes internados”, ressalta o infectologista.
Embora qualquer pessoa possa desenvolver sepse, alguns grupos apresentam maior risco, como idosos, crianças pequenas, pessoas com câncer ou baixa imunidade, com doenças crônicas ou que passaram recentemente por cirurgias ou internações.
Isso, porém, não significa que pessoas sem esses fatores estejam protegidas. “Apesar de ser mais frequente nos grupos citados, uma pessoa jovem e saudável também pode desenvolver. Algumas infecções podem evoluir rapidamente, mesmo em quem não tinha nenhuma doença anteriormente”, alerta o médico.
Sinais que merecem atenção
A chefe da Unidade de Vigilância em Saúde do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), Francielly Gastaldi, orienta que as famílias observem alterações como febre persistente ou que retorna depois de um período de melhora, calafrios, piora do estado geral ou prostração, confusão, sonolência, falta de ar, aumento da frequência respiratória ou cardíaca, queda da pressão, redução do volume de urina e alterações na coloração da pele. Segundo Francielly, a febre, isoladamente, não é suficiente para indicar sepse.
A ausência de febre também não deve ser interpretada como sinal de que não existe risco. “Pacientes imunossuprimidos e idosos muitas vezes não conseguem, por alterações do sistema imunológico, responder a um processo infeccioso com o desenvolvimento de febre. Dessa forma, os outros sintomas já mencionados devem ser considerados da mesma forma, na suspeita de sepse”, sinaliza Francielly.
Por que o atendimento precisa ser rápido?
Para Saulo Saturnino, coordenador do Serviço de Medicina Intensiva do Hospital das Clínicas da UFMG (HC-UFMG), o tempo é um fator importante na evolução do paciente. As taxas de sobrevivência estão diretamente ligadas à identificação precoce e ao início rápido do tratamento. “Medidas como início de antibióticos e alocação correta em tempo adequado não só aumentam a chance de sobrevida, mas reduzem a evolução de disfunções orgânicas e, consequentemente, o tempo necessário para a recuperação”, afirma.
A avaliação médica é necessária mesmo quando os sinais ainda parecem discretos. Nas fases iniciais, algumas alterações podem ser sutis e só serem identificadas durante o exame clínico ou por meio de exames laboratoriais. “Quanto mais cedo for feita a detecção da sepse, maior será a chance de sobrevivência.”
A sepse pode apresentar diferentes níveis de gravidade. “Nos casos mais graves, pode ser necessário suporte invasivo, como intubação e ventilação mecânica, acesso venoso profundo para uso de medicamentos que mantenham a pressão arterial, acesso arterial para monitoramento contínuo da pressão e até hemodiálise”, comenta Saulo.
Já a necessidade de suporte para diferentes órgãos também indica gravidade. Segundo o especialista, quanto maior o número de sistemas que precisam de intervenção, maior é o risco de mortalidade. Por isso, além de combater a infecção, a equipe precisa acompanhar de perto o funcionamento dos órgãos e agir rapidamente diante de alterações.
Prevenção começa antes da sepse
De acordo com Carolina Cipriano Monteiro, infectologista e presidente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HU-UFMA), prevenir e tratar doenças pulmonares, cardiovasculares, renais, hepáticas e o diabetes mellitus é muito importante para evitar infecções graves. “Além disso, vacinação em dia, bons hábitos de higiene e atividade física regular também são essenciais”, defende.
A vacinação é forte aliada na prevenção de doenças virais e bacterianas graves e óbitos causados por estas doenças. “Vale ressaltar que as vacinas são importantes em todas as faixas etárias, e não apenas na infância”, enfatiza Carolina.
Medidas simples de higiene também ajudam a reduzir a circulação de microrganismos. As mãos, por exemplo, podem atuar como veículo de transmissão de infecções. Por isso, a orientação é higienizá-las, principalmente antes de manipular alimentos e das refeições. Em caso de ferimentos, a recomendação é higienizar o local com água e sabão e evitar a aplicação de substâncias abrasivas ou contaminadas sobre a ferida.
Durante a internação ou atendimento, profissionais, pacientes e acompanhantes têm papel fundamental na prevenção de infecções. A higienização das mãos é considerada a mais importante medida de controle das infecções. “As mãos constituem a principal via de transmissão de microrganismos em serviços de saúde, sendo o veículo mais comum de transmissão indireta entre pacientes. A higienização é capaz de quebrar esse elo de transmissão”, aponta.
Pacientes e acompanhantes também podem contribuir. Entre as medidas estão a higienização das mãos e o cuidado para não manipular cateteres, sondas ou outros dispositivos utilizados pelo paciente. Pessoas com sintomas de infecção respiratória também devem evitar visitas, conforme as orientações de cada serviço.
Gerência Executiva de Comunicação Social da Rede HU Brasil