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ABRIL VERMELHO
Profissionais da Rede HU Brasil reforçam alerta para a hipertensão arterial e destacam riscos durante a gestação
A prevenção da hipertensão está diretamente relacionada à adoção de hábitos saudáveis (Imagem ilustrativa: Freepik).
Natal e Santa Cruz (RN) – A hipertensão arterial está entre as principais causas de doenças cardiovasculares no Brasil e no mundo. Por conta disso, profissionais da Rede HU Brasil se mobilizam durante a campanha Abril Vermelho, que busca conscientizar a população sobre a doença e reforçar a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo. O tema ganha ainda mais visibilidade em 26 de abril, quando é celebrado o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial.
Conhecida como “doença silenciosa”, a hipertensão frequentemente não apresenta sintomas. Segundo o cardiologista do Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol-UFRN), Gustavo Torres, a condição costuma ser assintomática ou manifestar sinais inespecíficos, como dor de cabeça. Ainda assim, representa um relevante fator de risco para complicações graves, como infarto, angina e acidentes vasculares cerebrais (AVC), tanto isquêmicos quanto hemorrágicos.
A prevenção está diretamente relacionada à adoção de hábitos saudáveis. Entre as principais medidas estão a prática regular de atividades físicas, especialmente aeróbicas; o controle do consumo de sal, inclusive em alimentos ultraprocessados; a manutenção do peso adequado; a qualidade do sono; e a redução do estresse. Também é essencial evitar o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. “O estresse pode elevar a pressão arterial devido à liberação de substâncias como a adrenalina. Quando isso se torna frequente, pode contribuir para o desenvolvimento da hipertensão”, explica o cardiologista.
Atenção redobrada durante a gestação
Durante a gravidez, a hipertensão exige cuidados ainda mais rigorosos. De acordo com a ginecologista e obstetra da Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC-UFRN), Maria da Guia, a condição é o principal fator de morbimortalidade materna e fetal no Brasil. Entre as complicações mais frequentes estão pré-eclâmpsia, eclâmpsia, síndrome HELLP, descolamento prematuro da placenta, AVC materno, restrição de crescimento fetal, parto prematuro e óbito fetal.
O acompanhamento pré-natal é essencial para a detecção precoce desses quadros. A pré-eclâmpsia, por exemplo, pode ser rastreada ainda no primeiro trimestre, entre 11 e 14 semanas, por meio da avaliação de fatores clínicos, aferição da pressão arterial, exames de Doppler das artérias uterinas e marcadores bioquímicos. “A detecção precoce permite intervenções importantes, como o uso de aspirina e cálcio antes das 16 semanas, reduzindo significativamente o risco de complicações graves”, destaca a médica.
Alguns fatores aumentam a probabilidade de desenvolvimento da hipertensão na gestação, como obesidade, idade acima de 35 anos, primeira gravidez, histórico pessoal ou familiar de pré-eclâmpsia, hipertensão crônica, gestação múltipla e doenças pré-existentes, como diabetes e enfermidades renais.
Em situações mais graves, pode ser necessária a antecipação do parto. Em geral, gestantes com hipertensão leve ou controlada têm o parto planejado entre 37 e 39 semanas. Já nos casos de pré-eclâmpsia grave, a interrupção da gestação pode ser indicada a partir de 34 semanas — ou antes, dependendo dos riscos para a mãe e o bebê.
Saúde da mulher ao longo da vida
A ginecologista e obstetra do Hospital Universitário Ana Bezerra (Huab-UFRN), Leilane de Melo, ressalta que a hipertensão não se restringe ao período gestacional e pode afetar mulheres em todas as fases da vida. Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia indicam que a condição atinge cerca de 30% da população brasileira, com forte associação a fatores genéticos, comorbidades e estilo de vida.
Entre os principais fatores de risco, destacam-se o sobrepeso e a obesidade, importantes desencadeadores da doença. Nesse contexto, a adoção de hábitos saudáveis é essencial tanto para a prevenção quanto para o controle. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física (mínimo de 150 minutos semanais), redução do consumo de sódio, controle do peso e abandono do tabagismo e do consumo excessivo de álcool são medidas fundamentais.
Em relação aos métodos contraceptivos, a especialista alerta que anticoncepcionais combinados podem apresentar restrições para mulheres hipertensas, especialmente quando há dificuldade no controle da pressão arterial. Nesses casos, métodos sem hormônio ou apenas com progestágeno tendem a ser mais seguros, devendo a escolha ser orientada por um profissional de saúde.
Para a médica, campanhas como o Abril Vermelho desempenham papel estratégico na conscientização da população, especialmente das mulheres, sobre a importância do cuidado com a saúde cardiovascular. “Muitas vezes, a hipertensão só é diagnosticada após o surgimento de complicações. A informação e a prevenção são fundamentais para reduzir a morbimortalidade e melhorar a qualidade de vida”, conclui.
Diagnóstico e tratamento
O acompanhamento médico é fundamental para o controle da hipertensão. O tratamento deve ser individualizado e, na maioria dos casos, envolve tanto mudanças no estilo de vida quanto o uso de medicamentos. A pressão arterial considerada ideal gira em torno de 120 por 80 mmHg. Já níveis acima de 140 por 90 mmHg geralmente indicam a necessidade de tratamento medicamentoso, associado a medidas preventivas.
Sobre a HU Brasil
O Huol-UFRN, a MEJC-UFRN e o Huab-UFRN fazem parte da HU Brasil desde 2013. A estatal foi criada por meio da Lei nº 12.550/2011, vinculada ao Ministério da Educação (MEC), e nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil. A estatal é responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades de assistência, pesquisa e inovação por meio de uma gestão de excelência.
Por Aline Freitas, com edição de George Miranda
Unidade de Imprensa e Informação Estratégica para as regiões Norte e Nordeste
Coordenadoria de Comunicação Social da HU Brasil