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PREVENÇÃO
Pesquisa realizada no Huap-UFF destaca importância do autoexame da vulva
Estímulo ao autoexame visa o diagnóstico precoce de doenças e evitar lesões malignas. Imagem ilustrativa: Magnific.
Niterói (RJ) – O mês de outubro, dedicado à prevenção do câncer de mama, também chama atenção para o cuidado integrado com a saúde da mulher. Uma pesquisa que integra dissertação de mestrado realizada no âmbito do Hospital Universitário Antônio Pedro da Universidade Federal Fluminense (Huap-UFF), vinculado à HU Brasil, é voltada para a importância do autoexame da vulva (parte externa da genitália feminina) que pode auxiliar no diagnóstico precoce de diversas doenças.
O que é a vulva?
A vulva corresponde à parte externa da genitália feminina, incluindo a região pubiana (monte de Vênus), grandes e pequenos lábios, clitóris, abertura da uretra e entrada da vagina. Dentre os principais sintomas que indicam alterações estão a coceira e ardência, podendo também vir acompanhados de dor durante a relação sexual, lesões, manchas e nódulos na pele.
“Existe um desconhecimento muito grande a respeito desse órgão, a vulva, pois o cuidado acaba sendo focado mais na parte interna, a vagina. E as doenças da vulva acabam sendo diagnosticadas em estágio avançado, o que prejudica a qualidade de vida da paciente”, explica a ginecologista Sarah Cuquetto, estudante do mestrado profissional em Saúde Materno-infantil da UFF. A inquietação a respeito do tema fez com que ela iniciasse a pesquisa para entender se as mulheres sabem como cuidar dessa parte do corpo, além de elaborar um panfleto de educação em saúde para as pacientes.
Estão sendo avaliadas as pacientes do ambulatório de ginecologia geral e de patologia vulvar do Huap-UFF, que recebem o panfleto educativo e respondem um questionário que avalia o grau de informação sobre a genitália, além de entender se a paciente sabe como fazer o autoexame vulvar.
Falta de informação leva ao diagnóstico tardio
“O grande problema da falta de conhecimento é o diagnóstico tardio, porque muitas vezes as mulheres apresentam queixas que podem estar relacionadas com doenças pré-malignas e não procuram um serviço médico. Então o estímulo ao autoexame é fazer o diagnóstico precoce de doenças e evitar muitas lesões malignas”, afirma Susana Aidé, professora da Universidade Federal Fluminense e especialista em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia. Também fazem parte do projeto a professora Isabel do Val e a estudante de graduação Nicole Ferreira.
Susana Aidé, que é orientadora da pesquisa, ressalta a importância do estudo para a ciência e para a saúde da população. “A Sociedade Internacional para o Estudo das Doenças Vulvovaginais lançou um protocolo do autoexame para as mulheres, e estimula uma didática para conscientizar os profissionais de saúde ginecologistas, que muitas vezes passam o espéculo vaginal sem examinar a vulva e deixam de enxergar as doenças dessa região”, completa.
Como se preparar para o autoexame?
- Lave bem as mãos antes do exame;
- Pegue um espelho pequeno;
- Escolha um local com boa iluminação e um espaço que garanta sua privacidade;
- Escolha a posição para o exame: você pode se deitar ou sentar-se com os joelhos dobrados e as pernas ligeiramente abertas. Segure o espelho com uma das mãos ou posicione de maneira que possa ver toda a área da vulva.
Passo a passo
- Inspecione toda a área da vulva. Use os dedos indicador e médio para afastar os grandes lábios;
- Comece pelo clitóris e afaste o capuz do clitóris com delicadeza;
- Separe os grandes e pequenos lábios para examinar toda a extensão;
- Inspecione a área próxima a abertura vaginal;
- Observe a região ao redor do ânus em busca de alterações;
- Com os dedos, apalpe delicadamente toda a região vulvar à procura de caroços (nódulos), áreas de espessamento da pele ou sensibilidade alterada;
- Registre por escrito qualquer alteração encontrada ou, se preferir, tire uma foto para acompanhar a evolução;
- Caso identifique qualquer anormalidade durante o autoexame da vulva, procure atendimento médico para uma avaliação adequada.
Sobre a HU Brasil
Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
Reportagem: Paola Caracciolo
Gerência Executiva de Comunicação Social da HU Brasil