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EQUIDADE
Mutirões da Rede HU Brasil garantem acesso à saúde indígena com 420 atendimentos
Brasília (DF) – Entre os dias 19 e 30 de abril, a HU Brasil realizou diferentes ações alusivas ao Abril Indígena, incluindo mutirões de saúde e programações culturais em sete hospitais universitários da rede. O objetivo foi ampliar o acesso aos serviços de saúde de média e alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além de valorizar a identidade, a cultura e o protagonismo indígenas.
Dirlane Pires, da etnia Miranha, é moradora do Parque das Tribos, em Manaus (AM), e precisava de uma consulta pediátrica de rotina para seu bebê de um ano de idade. “Se não fosse o mutirão, eu ainda ia ter que agendar na UBS e esperar muito tempo até o dia da consulta. A vinda de vocês facilita muito nossa vida, porque além de ser do lado de casa, ainda trazem outros profissionais que não temos aqui”, relatou.
Incluindo Dirlane, os hospitais participantes somaram 420 atendimentos, sendo 255 consultas e 165 exames e procedimentos. Dentre as etnias beneficiadas, estão: Mura, Baré, Tikuna, Sateré-Mawé, Kokama, Baniwa, Munduruku, Koripako, Macuxi, Wapichana, Taurepang, Yanomami, Yekuana, Dessana, Tariana, Sanuma, Waiwai e Igarico, Boe Bororo, Bakairi, Cinta Larga, Rikbaktsa, Chiquitano, Balatiponé, Myky, Paresi, Nambikwara, Xavante, Panará, Arara, Kaiabi, Munduruku, Tapayuna e Enawenê-nawê.
O presidente da HU Brasil, Arthur Chioro, reforçou o compromisso da estatal com o SUS e a saúde dos povos indígenas. “Nossos hospitais abriram as portas, envolvendo alunos, residentes, professores e pesquisadores, a fim de ampliar o acesso dessa população aos serviços de saúde, iniciativa tão importante para a constituição da soberania do povo brasileiro. Afinal de contas, os hospitais universitários são do SUS, pelo SUS e para o SUS”, enfatizou.
Balanço das ações de saúde
No eixo assistencial, participaram dos mutirões: Hospital Universitário da Universidade Federal de Roraima (HU-UFRR); Hospital Universitário Getúlio Vargas, da Universidade Federal do Amazonas (HUGV-Ufam); Hospital Universitário Júlio Müller, da Universidade Federal de Mato Grosso (HUJM-UFMT); e o Hospital de Doenças Tropicais, da Universidade Federal do Norte do Tocatinas (HDT-UFNT).
A enfermeira Marcelle Collyer, chefe da Unidade de Retaguarda Hospitalar dos Povos Indígenas (URHPI) e coordenadora do Comitê de Saúde Indígena do HU-UFRR, destacou a importância dessas ações. “O mutirão concentra serviços em uma semana e meia para atender uma população que enfrenta longas distâncias e transporte limitado. Ao trazê-los, contribuímos para a redução de filas de espera nas Casas de Apoio à Saúde Indígena, acelerando diagnósticos e tratamentos que levariam meses”, declarou.
Já o HUGV-Ufam levou atendimento multiprofissional até a comunidade Parque das Tribos, em Manaus, considerado o maior conglomerado indígena não aldeado do mundo, onde reúne 39 povos e 20 línguas faladas. O serviço abrangeu consultas, exames e procedimentos nas áreas de pediatria, fonoaudiologia, fisioterapia, educação física e terapia ocupacional.
O cacique Ismal Munduruku, do Parque das Tribos, destacou a relevância do hospital universitário para os povos originários. “Temos benzedeiras, parteiras e curandeiras que fazem remédios para tratar a população indígena há milhares de anos. Mas a medicina ocidental veio para complementar isso, nos atendendo com coisas mais complexas, como cirurgias. Esse hospital é uma referência para nós”, afirmou o cacique.
Programação cultural do Abril Indígena
No eixo cultural, cinco hospitais promoveram programações específicas. Além do mutirão assistencial, o HU-UFRR realizou ações como almoço cultural para pacientes indígenas internados, solenidade institucional, apresentação cultural do grupo Dunuy Sannau e exposição de artesanato.
O Hospital Universitário da Universidade Federal do Amapá (HU-Unifap) concentrou suas ações na programação educativa e cultural, com a realização do I Fórum Estadual de Saúde Indígena do Amapá e Norte do Pará, envolvendo palestras, rodas de conversa com lideranças indígenas e instituições, exposição fotográfica, artesanato, documentário indígena e apresentações culturais.
Com proposta semelhante, o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS); o Hospital Universitário da Universidade Federal de Grande Dourados (HU-UFGD) e o Hospital Universitário Getúlio Vargas, da Universidade Federal de Amazonas (HUGV-Ufam) também realizaram programações culturais com rodas de conversa, palestras, apresentação de dança, exposição fotográfica e artesanato.
Abril Indígena
O Abril Indígena é dedicado à celebração dos povos originários do Brasil, em razão do Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril. Nos 45 hospitais universitários federais administrados pela Rede HU Brasil, o cuidado de populações indígenas, historicamente vulnerabilizadas, se constrói a partir da escuta, do respeito aos saberes ancestrais e da confiança mútua. Esse modelo está alinhado à Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPSI), instituída pelo Ministério da Saúde em 2002.
Sobre a HU Brasil
Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Por Suzana Gonçalves, com edição de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede HU Brasil