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JULHO AMARELO
Inimigo silencioso: sintomas comuns podem esconder infecção grave no fígado
Brasília (DF) – Pele amarelada, fadiga crônica, perda de apetite, náuseas e diarreia. Sintomas que parecem comuns a diversas enfermidades cotidianas podem indicar sinais de alerta das hepatites virais, que consistem em infecções do fígado às quais, em determinados casos, se não tratadas a tempo, podem levar ao óbito. No período de 2000 a 2024, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde registrou 826.292 casos confirmados da doença no Brasil.
Com a chegada do Julho Amarelo, mês de conscientização sobre as Hepatites Virais, especialistas da Rede HU-Brasil reforçam a importância do diagnóstico precoce e das medidas preventivas contra os cinco principais vírus da doença: A, B, C, D e E.
De acordo com o hepatologista André Lyra, chefe do Serviço de Gastro-Hepatologia (Unidade do Sistema Digestivo) do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes-UFBA), as infecções afetam pessoas de todas as idades. “Cada tipo possui características distintas quanto à transmissão, evolução clínica e tratamento”, pontua o especialista.
Tipos e características: as diferenças entre os vírus
- Hepatite A (HAV): Transmitida pela via fecal-oral (água ou alimentos contaminados), é uma das formas mais comuns. Embora tenha evolução benigna, pode, raramente, se tornar grave com necessidade de internação e transplante hepático. Não há tratamento específico, apenas medidas de suporte.
- Hepatite B (HBV): Transmitida por via sexual, sangue contaminado por compartilhamento de material perfuro-cortante ou de mãe para filho no nascimento. Pode cronificar, evoluir para cirrose e câncer de fígado. O tratamento controla a doença, mas exige medicação contínua, e é oferecido pelo SUS.
- Hepatite C (HCV): Transmitida por via sexual e principalmente pelo contato com sangue contaminado. Apresenta uma taxa altíssima de cronificação (60% a 85% dos casos). O tratamento disponível no SUS apresenta excelentes taxas de cura, próximas de 100%.
- Hepatite D (HDV): Também transmitida pelo sangue, atinge apenas pacientes que já possuem o vírus B, do qual depende para se replicar.
- Hepatite E (HEV): Raramente descrita no Brasil, tem transmissão fecal-oral. Geralmente é autolimitada, mas pode ser grave em gestantes e cronificar em pacientes imunossuprimidos.
O perigo do diagnóstico tardio
O principal desafio no combate às hepatites é o seu caráter silencioso nos casos da hepatite crônica B e C. A maioria dos pacientes não apresenta sintomas nas fases iniciais, retardando a busca por ajuda médica.
A hepatologista Katia Cristina Kampa, do Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), detalha que os sintomas clássicos, como fraqueza, mal-estar e icterícia (pele e olhos amarelados), costumam surgir quando a doença já está avançada. “As hepatites B e C podem se tornar crônicas e continuar sem sintomas por anos. Os sinais só vão aparecer em casos graves e com complicações instaladas”, alerta.
A médica infectologista do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI), Thallyta Antunes, reforça a necessidade de intervenção imediata. “Como a doença é silenciosa, recomendamos que o tratamento seja iniciado o mais rápido possível após a identificação para evitar que a infecção avance para cirrose hepática e suas graves complicações, como o câncer de fígado”, explica.
Prevenção: vacinas, higiene e proteção
Os cuidados básicos variam de acordo com a forma de contágio de cada vírus. Para as hepatites A e E, o foco está no saneamento e na higiene. “A prevenção está relacionada ao consumo de alimentos bem lavados e cozidos, uso de água potável ou mineral”, orienta Thallyta.
Já para os tipos B e C, as medidas envolvem o uso de preservativos nas relações sexuais e o não compartilhamento de objetos cortantes e perfurantes de uso pessoal, como alicates de unha, lâminas de barbear e tesouras.
A vacinação continua sendo a estratégia mais eficaz de proteção. O SUS disponibiliza gratuitamente a vacina contra a Hepatite A para crianças de até 5 anos incompletos e grupos de risco, garantindo até 100% de proteção. Já a vacina contra a Hepatite B faz parte do calendário básico de imunização, com a primeira dose aplicada ainda na maternidade, gerando imunidade duradoura por até 35 anos. Atualmente, não existe vacina disponível para a Hepatite C.
“Para os pacientes já diagnosticados, as recomendações incluem o monitoramento regular da função do fígado, suporte nutricional adequado e a suspensão total do consumo de álcool e de medicamentos que possam sobrecarregar o órgão”, enfatizou o hepatologista André Lyra.
A médica do CHC-UFPR sintetiza o chamado do Julho Amarelo para a população brasileira: “Procure seu médico, faça o teste para as hepatites. Se o resultado for negativo, vacine-se. Se positivo, inicie o tratamento. Utilize camisinha. Previna-se e cuide-se”, finaliza Kátia Kampa.
Sobre a HU Brasil
Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Por Paulina Oliveira, com revisão de Rosenato Barreto
Gerência Executiva de Comunicação Social / HU Brasil