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INCLUSÃO
HU Brasil destaca pioneirismo na avaliação biopsicossocial para ampliar a inclusão de trabalhadores com deficiência
Brasília (DF) – A HU Brasil realizou, na quinta-feira (1), o webinário “Mês da Luta das Pessoas com Deficiência: Inclusão, acessibilidade e respeito aos direitos no ambiente de trabalho”. O evento é alusivo ao Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, celebrado em 21 de setembro, e ao Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Física, em 11 de outubro.
O encontro contou com a participação do coordenador-geral do Núcleo da Avaliação Biopsicossocial da Deficiência da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Wederson Santos. A segunda palestrante foi a membra do Grupo de Trabalho “Deficiência e Acessibilidade” da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Cristina Biz, que coordenou a construção do Manual de Avaliação Biopsicossocial da Deficiência Unificada da HU Brasil.
Segundo o vice-presidente da HU Brasil, Daniel Beltrammi, os ambientes de trabalho em saúde carregam o componente de cuidado com as pessoas, e a complexidade no exercício dessas atividades estimula o entendimento de como potencializar a contribuição dos trabalhadores e trabalhadoras PCD nesses espaços. “Quando transformamos a nossa realidade para receber, com afeto e gratidão essa contribuição, a gente certamente está também fazendo melhor a nossa atividade final. Ao produzir tudo que é preciso para que esses trabalhadores e trabalhadoras estejam conosco, estamos construindo conhecimento e nos desafiando a ser melhores”, enfatiza.
A diretora de Gestão de Pessoas da HU Brasil, Luciana Viana, ressaltou a importância desse momento de diálogo, reflexão e conscientização sobre práticas, políticas governamentais e institucionais desenvolvidas na estatal relacionadas à integração do trabalhador e da trabalhadora com deficiência no meio laboral. “São desafios a serem enfrentados frente aos novos paradigmas que tratam muito mais da abordagem psicossocial da pessoa com deficiência do que propriamente desta ou daquela deficiência física. Isso muda a relação com nossa responsabilidade enquanto instituição na mitigação ou eliminação de barreiras para que toda a competência profissional da pessoa com deficiência possa ser exercida”, afirmou.
Wederson Santos destacou a avaliação biopsicossocial, que se contrapõe a um paradigma anterior, no qual as únicas possibilidades eram acompanhamento de saúde, tratamento, afastamento ou aposentadoria. O entendimento atual é de que a deficiência é fruto de múltiplas dimensões, e os avaliadores e as avaliadoras podem atuar nelas para evitar processos de adoecimento, afastamento e aposentadoria.
“Uma vez incorporada, ela amplia o olhar para o que precisa ser feito junto ao trabalhador. Alguns órgãos da Justiça já estão começando a pensar programas de acompanhamento dos servidores com deficiência, porque agora não é só uma avaliação para assentamento funcional, caracterização de uma condição para conceder direitos e ponto final. Essa perspectiva abre a possibilidade para que equipes de saúde e gestão de pessoas pensem em um processo de acompanhamento longitudinal”, complementa Wederson. Na HU Brasil, a aplicação dessa avaliação é orientada pelo Normativo DGP nº 009, que trata da utilização do IFBr-M, e pelos procedimentos previstos no POP nº 008, para empregados, e no POP DGP nº 056, para dependentes. As informações obtidas na avaliação ajudam a compreender as necessidades de cada pessoa e podem orientar seu acompanhamento, dando continuidade ao cuidado para além do reconhecimento da deficiência e da concessão de direitos.
Cristina Biz falou sobre o processo de construção do Manual de Avaliação Biopsicossocial da Deficiência Unificada da HU Brasil, desde a instituição de grupos de trabalho, a realização de formações até a metodologia utilizada para elaborar o documento. O documento orienta a avaliação biopsicossocial dos trabalhadores com deficiência e estabelece critérios comuns para compreender como cada pessoa realiza suas atividades cotidianas e quais barreiras dificultam sua participação. “A utilização do instrumento permite reduzir variações entre os avaliadores. Isso não significa que cada olhar será igual, porque o raciocínio clínico é de cada um. Institucionalizar o processo é, então, algo bastante importante porque ele gera informação, indicador, níveis de deficiência e funcionalidade”, explica Cristina.
O evento também teve o depoimento de pessoas com deficiência que trabalham na HU Brasil. Denise Oliveira, enfermeira do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB), administrado pela estatal, ingressou na instituição em 2014 e corrobora a visão sobre as mudanças ocasionadas pela avaliação biopsicossocial. “Essa ferramenta traz uma abordagem dos PCDs não somente pelo nosso físico. Ela não nos vê limitados à nossa doença, mas sim como seres humanos”, ressalta.
Maria Girlane Vieira, assistente administrativo do Hospital das Clínicas da UFMG (HC-UFMG), também gerido pela HU Brasil, refletiu sobre os desafios superados e os caminhos encontrados para conseguir as realizações ao longo da vida. “Minha deficiência faz parte de quem sou. Porém, ela não determina o meu valor para a instituição. Para mim, inclusão é justamente isso, não é enxergar primeiro a limitação, mas a pessoa e as suas capacidades, conhecimentos e o seu potencial”, conclui.
Gerência Executiva de Comunicação Social da HU Brasil