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ACOLHIMENTO
Grupo atua frente a perda gestacional na Maternidade Januário Cicco
Foto: 98% dos óbitos acima de 28 semanas de gestação ocorrem nos países menos desenvolvidos
Natal (RN) – Se falar de morte já é difícil, o que pensar em falar de morte em um momento de início da vida? A perda de um bebê durante a gestação ou logo após o seu nascimento geralmente representa um fato marcante na vida de um casal e que pode ser constituído por momentos traumatizantes, lembrados em uma próxima gestação.
Estima-se que a prevalência da perda gestacional varia entre 15 a 20% das gestações. Segundo estimativas internacionais, o Brasil se encontra numa faixa intermediária de taxa de mortalidade fetal de 5 a 14,9/mil nascimentos.
Frente a esta realidade e considerando a possibilidade de presença da morte no contexto da assistência materno-infantil, a Maternidade Escola Januário Cicco, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Mejc-UFRN), vinculada à Rede Ebserh, dispõe de uma equipe multidisciplinar que atua diretamente na atenção integral à mulher diante da perda gestacional e neonatal.
O grupo, criado em outubro de 2016 e constituído por profissionais de saúde, discentes da graduação e pós-graduação interessados na temática, realiza reuniões quinzenais, sempre às quintas-feiras com a participação de mulheres atendidas pela maternidade e seus familiares promovendo o cuidado integral à mulher, com vistas à ressignificação e adaptação à nova realidade.
Segundo Caroline Lemos, psicóloga da Mejc e coordenadora do grupo, o processo de luto por perda gestacional comporta várias especificidades. “A perda não passa apenas pelo bebê, mas também por todas as fantasias e expectativas que se criaram ao longo de vários meses, por vezes, antes mesmo de sua concepção”, afirma.
“Nesse momento, vale ressaltar a importância do acolhimento emocional. Mostrar aos casais que as emoções como tristeza, frustração e choque são normais e esperadas diante desta perda”, completa.
Ela diz que falar com pessoas que tiveram experiência semelhante, participar de grupos ou buscar ajuda especializada são formas de expressar esses sentimentos e dar vazão a essa dor. “É uma forma de perceber seus recursos e conquistar força para continuar seu caminho frente a esta realidade”, finaliza.
No mês alusivo à Sensibilização à Perda Gestacional, a Mejc deu início a ações interativas nas áreas assistenciais. A ideia foi falar sobre o assunto e do quanto o acolhimento por parte dos profissionais de saúde é importante no processo de superação e equilíbrio emocional dos casais que vivenciam esta dor.
Sobre a Ebserh
Desde agosto de 2013, a Mejc-UFRN é filiada à Rede Ebserh. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) administra atualmente 40 hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.
Criada em dezembro de 2011, a empresa também é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações em todas as unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.
Com informações da Mejc