Notícias
SAÚDE MENTAL
Especialistas da HU Brasil explicam como o preconceito e o bullying agravam a dermatite atópica em crianças e adolescentes
Isolamento, mudanças no humor, quedas no rendimento escolar e preocupações excessivas com a aparência são alguns dos sinais de que a doença está afetando a vida emocional e social (Imagem ilustrativa: Magnific).
Rio de Janeiro (RJ) - No mês em que se celebra o dia mundial (14/09) e o dia nacional (23/09) da dermatite atópica, uma doença crônica e não contagiosa, especialistas do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira, do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Rio de Janeiro, vinculado à HU Brasil (IPPMG-CH-UFRJ/HU-Brasil), explicam como a doença afeta a saúde mental de crianças e adolescentes, os principais desafios e a importância do tratamento multiprofissional. A dor física da coceira e das lesões de pele são apenas parte do problema. Um dos grandes desafios está em enfrentar o olhar do outro, o preconceito e o bullying no ambiente escolar.
“A dermatite atópica é uma doença que se manifesta na pele e é causada por uma combinação de fatores genéticos e ambientais, que incluem defeitos estruturais genéticos na pele e reação alérgica a substâncias presentes no ambiente, principalmente os ácaros”, explica a chefe do Serviço de Dermatologia do IPPMG-CH-UFRJ/HU Brasil, a dermatologista e pediatra Simone Saintive.
De acordo com ela, essa inflamação provoca lesões na pele que coçam muito e impactam bastante a qualidade de vida e saúde mental de crianças e adolescentes, alterando períodos de melhora e crises.
“Os pacientes sofrem muito com o preconceito de outras crianças ou até mesmo alguns adultos. Por desconhecimento, as pessoas associam essas lesões à falta de higiene ou de cuidado, e não é nada disso, é uma condição inflamatória da pele”, justifica a médica. Outro fator levantado por ela é que, por serem lesões de pele que podem ter aspecto de ferida, as pessoas acreditam ser uma doença contagiosa, o que não é verdade, e preferem se afastar.
Para o psicólogo do IPPMG, Vítor Mesquita, o medo do bullying pode fazer a criança ou o adolescente se isolar ou esconder o corpo com casacos, inclusive no calor, especialmente quando as lesões da dermatite atópica são visíveis ou quando o paciente já vivenciou preconceito.
“Esse comportamento não significa necessariamente que o adolescente esteja sofrendo bullying naquele momento. Às vezes, o medo ou a expectativa de sofrer comentários já é suficiente para provocar esquiva e isolamento”, explica o psicólogo.
De acordo com ele, durante o acompanhamento psicológico, é importante investigar não apenas a presença de bullying, mas também a vergonha corporal, a autoestima, o medo da exposição e mudanças no comportamento social. E se houver bullying efetivo, a situação deve ser abordada também com a família e com a escola.
Entre os sinais de alerta que indicam que a dermatite atópica está afetando a vida emocional e social da criança e do adolescente estão: isolamento, mudanças no humor, quedas no rendimento escolar, preocupações excessivas com a aparência, alterações do sono, crenças negativas sobre si.
O psicólogo ressalta ainda que é importante perceber quando a criança ou o adolescente passa a demonstrar desesperança, falta de vontade de viver, autodepreciação intensa ou fala sobre morte ou sobre se machucar. Nesses casos, a família deve procurar ajuda profissional imediatamente.
Gerência Executiva de Comunicação Social da HU Brasil