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ATENÇÃO ESPECIALIZADA
Doenças oculares podem evoluir sem sintomas e levar à perda de visão
Acompanhamento oftalmológico contribui para diagnóstico precoce de doenças oculares. Imagem ilustrativa: Magnific.
Brasília (DF) – O Dia da Saúde Ocular, lembrado em 10 de julho, chama atenção para a prevenção de doenças que podem comprometer a visão e para a importância do diagnóstico precoce. Condições como catarata, glaucoma, erros de refração e doenças da retina estão entre as principais causas de deficiência visual e, na maior parte dos casos, podem ser prevenidas ou tratadas quando identificadas a tempo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2,2 bilhões de pessoas no mundo vivem com algum grau de deficiência visual. Em aproximadamente metade dos casos, a perda de visão poderia ter sido evitada ou ainda não foi tratada. No Brasil, estudos indicam que a maioria dos casos de cegueira está relacionada a condições evitáveis ou reversíveis, como catarata e erros de refração não corrigidos. Nesse sentido, os hospitais universitários da Rede HU Brasil atuam na atenção especializada em Oftalmologia no Sistema Único de Saúde (SUS), na formação de profissionais e na oferta de exames e cirurgias de maior complexidade.
“Cerca de 80% da nossa interação com o mundo depende diretamente da integridade visual”, pontuou o oftalmologista do Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr., da Universidade Federal do Rio Grande (HU-Furg), Antonio de Mendonça Neto. Ele acrescentou que o acompanhamento periódico é essencial para identificar doenças silenciosas e evitar perdas irreversíveis. “Orientar hoje é proteger a sua autonomia amanhã”, completou.
O médico destacou três medidas práticas que podem ser incorporadas à rotina para reduzir riscos à visão. Entre elas, o manejo do uso de telas, com pausas regulares para descanso visual; a prevenção de traumas e infecções, evitando o hábito de coçar os olhos; e a proteção contra a radiação ultravioleta, com uso de óculos solares adequados, como formas simples de cuidado contínuo.
Doenças oculares mais frequentes e impacto na visão
O coordenador do Serviço de Oftalmologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), Daniel Vitor, destacou que a visão é o principal sentido por meio do qual o ser humano interage com o mundo. Segundo ele, as alterações mais comuns são os erros refracionais, como miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia (vista cansada), além de condições como conjuntivites, alergias oculares e síndrome do olho seco. Embora frequentes, essas doenças costumam ser corrigidas com óculos, lentes de contato ou tratamento clínico, sem risco de perda visual definitiva.
A catarata também está entre as principais causas de deficiência visual, especialmente em pessoas com mais de 50 anos. Daniel explicou que, na maioria dos casos, o tratamento cirúrgico é eficaz e permite recuperação da visão.
O médico explicou que as doenças que mais preocupam são aquelas capazes de provocar perda visual permanente e que variam conforme a faixa etária. Na infância e adolescência, ele citou malformações oculares, traumas e infecções congênitas, com destaque para a toxoplasmose. “Entre as infecções congênitas, a toxoplasmose merece atenção especial, pois pode causar lesões na retina em até 80% dos bebês acometidos”, afirmou.
Na vida adulta, a principal causa de cegueira irreversível é a retinopatia diabética, associada ao tempo de doença e ao controle inadequado da glicemia. Já entre idosos, destacam-se a degeneração macular relacionada à idade, que afeta a visão central, e o glaucoma, doença silenciosa que provoca perda progressiva do campo visual periférico. “O glaucoma é um exemplo clássico de doença silenciosa. Os sintomas surgem apenas em fases avançadas, quando já há perda visual irreversível”, explicou.
Daniel também ressaltou que diversas doenças sistêmicas podem se manifestar nos olhos, como diabetes, hipertensão, doenças autoimunes e infecções. Em alguns casos, o exame oftalmológico pode contribuir para o diagnóstico de condições gerais do organismo. E reforçou que o diagnóstico precoce é fundamental para preservar a visão, especialmente em doenças assintomáticas nas fases iniciais. Nesse sentido, o acompanhamento oftalmológico periódico é essencial.
A frequência das consultas deve ser individualizada, considerando idade, doenças associadas, histórico familiar e uso de medicamentos. Mesmo sem sintomas, a avaliação regular permite identificar alterações precoces e reduzir o risco de cegueira. Entre os sinais de alerta que exigem atendimento imediato estão perda súbita da visão, dor ocular intensa, vermelhidão importante, visão dupla, alterações no campo visual e surgimento de manchas escuras.
O especialista reforçou que hábitos de vida saudáveis contribuem para a saúde ocular, como alimentação equilibrada, atividade física, hidratação adequada e proteção contra a radiação ultravioleta. Também alertou para riscos evitáveis, como automedicação com colírios, especialmente os que contêm corticoides, que podem favorecer o desenvolvimento de glaucoma e catarata. Outro cuidado importante é evitar o hábito de coçar os olhos, que pode causar lesões na superfície ocular e contribuir para doenças como o ceratocone.
A prevenção de traumas oculares também foi destacada. Segundo Daniel, “a maioria dos acidentes ocorre em casa ou no trabalho e pode ser evitada com medidas simples, como manter objetos pontiagudos, produtos químicos e fontes de calor fora do alcance de crianças e utilizar equipamentos de proteção individual em atividades de risco”.
Acompanhamento oftalmológico periódico
A chefe da Unidade da Visão do HU Bettina Ferro de Souza, integrante do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA), Raissa Casseb, explicou que “alguns grupos precisam de acompanhamento oftalmológico periódico, mesmo quando não apresentam qualquer alteração visual, porque muitas doenças oculares evoluem silenciosamente nas fases iniciais”.
Entre esses grupos estão pessoas com diabetes, devido ao risco de retinopatia diabética, e pessoas com hipertensão arterial, que também podem apresentar alterações na retina. Também requerem atenção indivíduos com histórico familiar de glaucoma, degeneração macular relacionada à idade ou outras doenças oculares hereditárias.
A lista inclui ainda pessoas acima de 40 anos, faixa etária em que aumentam a incidência de glaucoma, catarata e outras doenças relacionadas ao envelhecimento, além de crianças nos primeiros anos de vida, etapa essencial para identificação precoce de problemas que podem comprometer o desenvolvimento visual, como ambliopia, estrabismo e erros refrativos.
Também fazem parte do grupo de atenção prematuros e recém-nascidos com fatores de risco, usuários de medicamentos com potencial efeito ocular, como corticoides de uso prolongado, e pessoas com doenças autoimunes ou outras condições sistêmicas que podem acometer os olhos.
Raissa reforçou que a ausência de sintomas não significa ausência de doença. Segundo ela, “o diagnóstico precoce é uma das principais estratégias para prevenir a deficiência visual e a cegueira evitável”. Também explicou que doenças como glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular podem causar danos irreversíveis quando diagnosticadas tardiamente, mas o controle é possível quando identificadas com antecedência.
Além disso, a especialista ressaltou o impacto da visão na autonomia e na qualidade de vida. “Manter uma boa visão significa muito mais do que enxergar bem. Significa preservar a independência para realizar atividades do dia a dia, como estudar, trabalhar, dirigir, ler, cuidar da própria saúde e manter a participação social”, afirmou.
Segundo ela, a perda visual está associada ao aumento do risco de quedas, acidentes, isolamento social e redução da qualidade de vida, especialmente entre idosos. Por isso, a consulta oftalmológica periódica deve ser entendida como uma medida de prevenção, assim como exames de rotina para controle da pressão arterial ou glicemia.
Sobre a HU Brasil
Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
Por Andreia Pires, com revisão de Rosenato Barreto
Gerência-Executiva de Comunicação Social/Rede HU Brasil