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SEGURANÇA DO PACIENTE
Ações integradas fortalecem a cultura da segurança e a qualidade assistencial
No Dia Mundial da Segurança do Paciente de 2026, o foco são doenças crônicas não transmissíveis, como doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas (Imagem ilustrativa: Freepik).
Nesta reportagem, você vai ver:
- Cuidados seguros para as DCNTs
- Assistência segura à gestante com doenças crônicas no SUS
- Ações concretas nos hospitais da HU Brasil
- Paciente e família como protagonistas do cuidado seguro
Brasília (DF) – Celebrado em 17 de setembro, o Dia Mundial da Segurança do Paciente traz em 2026 o tema “Cuidados seguros para doenças não transmissíveis” e o lema “Cuidado seguro para a vida!”. A proposta é colocar em debate um dos maiores desafios da saúde: garantir um cuidado livre de danos a pacientes que necessitam de acompanhamento contínuo, múltiplas intervenções e articulação entre os diferentes níveis de atenção. O foco deste ano são as doenças crônicas não transmissíveis, com atenção especial a condições como doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas.
Segundo o Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP), as doenças não transmissíveis (DNTs), denominadas no Brasil como Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCTNs), são atualmente a principal causa de morte no mundo.
Para a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em escala global, estima-se que um em cada dez pacientes sofra algum dano durante a assistência à saúde, sendo que metade desses casos poderia ser evitados. Pacientes com DNTs são especialmente vulneráveis, em razão da cronicidade, da necessidade de tratamento contínuo e do contato frequente com os serviços de saúde. Em pessoas têm várias afecções crônicas concomitantes, o risco de danos é ainda maior.
Alinhada ao tema, a HU Brasil propõe ampliar o diálogo sobre qualidade assistencial, compartilhar aprendizados e fortalecer a cultura de segurança como pilar do cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS), reforçando que a segurança deve acompanhar toda a jornada do paciente crônico, desde a prevenção de eventos adversos relacionados a medicamentos até a coordenação do cuidado entre os diferentes pontos da rede.
“É uma oportunidade de mobilizar profissionais, pacientes e familiares para uma cultura de prevenção de riscos e melhoria contínua da assistência”, afirmou a chefe do Setor de Gestão da Qualidade do Hospital Universitário Júlio Bandeira, da Universidade Federal de Campina Grande (HUJB-UFCG), Erica Ricarte.
Cuidados seguros para as DCNTs
Para a chefe do Setor de Gestão da Qualidade do Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago, da Universidade Federal de Santa Catarina (HU-UFSC), Daiana De Mattia, a campanha da Segurança do paciente conversa diretamente com a realidade do hospital. “Grande parte dos nossos pacientes convive com doenças crônicas, como: hipertensão, diabetes, câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias. Muitas vezes, mais de uma ao mesmo tempo”, afirmou. “O paciente crônico não passa pelo hospital uma única vez: ele entra, sai, volta, segue em tratamento contínuo”, frisou.
Segundo ela, o HU-UFSC tem dedicado atenção especial para as seis metas internacionais de segurança do paciente: identificação correta, comunicação eficaz entre a equipe, uso seguro de medicamentos, cirurgia segura, higienização das mãos e prevenção de quedas e lesões por pressão, sob a ótica de quem convive com uma doença crônica.
Assistência segura à gestante com doenças crônicas no SUS
A chefe do Setor de Gestão da Qualidade do Hospital Universitário Ana Bezerra (Huab-UFRN), Carlla Cilene Petronio, afirma que garantir um cuidado seguro às gestantes diagnosticadas com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, exige uma rede de atenção integrada que acompanha a mulher em todas as fases da maternidade.
“Esse percurso começa logo na Atenção Básica, responsável pela captação precoce no pré-natal, rastreamento contínuo dos níveis pressóricos e glicêmicos, pela orientação em saúde e pela estratificação inicial do risco gestacional”, explicou.
O Huab desempenha papel fundamental quando a condição clínica exige suporte mais intensivo, ao oferecer o pré-natal de alto risco e garantir assistência multidisciplinar e especializada desde as primeiras etapas da gravidez. “O acompanhamento rigoroso garante um parto seguro e planejado, centrado nas especificidades da paciente e no monitoramento constante dos parâmetros materno-fetais para prevenir complicação”, destacou.
Carlla Cilene Petronio ressalta que a assistência se estende para além do nascimento. “A continuidade do cuidado durante o puerpério permanece indispensável para a readequação das doses medicamentosas, o monitoramento metabólico e cardiovascular da mulher e a atenção integral ao binômio mãe-bebê no retorno à rede de saúde”.
Ações concretas nos hospitais da HU Brasil
O Setor de Gestão da Qualidade do HUJB-UFCG tem buscado transformar o tema em ações práticas, educativas e participativas. Para a Jornada da Segurança do Paciente, que acontece de 17 a 23 de setembro com o tema “Cuidados seguros para doenças crônicas”, o setor atua de forma integrada com diferentes áreas do hospital, especialmente com a Farmácia, uma vez que a segurança no uso de medicamentos é um componente fundamental do cuidado a pessoas com doenças crônicas.
“Procuramos trabalhar o tema de 2026 em duas dimensões: empoderar o paciente para um uso mais seguro dos medicamentos e fortalecer a segurança dos processos entre os profissionais de saúde”, enfatizou Erica Ricarte.
No HU-UFSC, “a responsabilidade é cuidar bem de quem está aqui hoje e formar profissionais que vão levar essa cultura de segurança para outros serviços de saúde pelo país afora”, destaca Daiana De Mattia.
O Huab-UFRN mantém fluxo rigoroso de identificação e mapeamento precoce de riscos desde a entrada paciente no serviço de pré-natal de alto risco ou na urgência obstétrica. Quando esse ecossistema de segurança é direcionado a gestantes com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, o cuidado configura- se de forma especializada, com foco na mitigação de danos. “Isso permite agir com rapidez diante de qualquer alteração, prevenir complicações graves como a pré-eclâmpsia e definir com precisão o momento mais seguro para o parto, estendendo esse acompanhamento vigilante ao período puerperal”, ressaltou Carlla Cilene.
Paciente e família como protagonistas do cuidado seguro
A segurança do paciente é construída em parceria, e o paciente é um integrante essencial dessa equipe de cuidado. “Queremos que ele participe do cuidado, faça perguntas, confirme sua identificação, conheça seus medicamentos, esclareça dúvidas e se sinta à vontade para alertar a equipe sempre que perceber algo diferente”, afirmou Daiana De Mattia.
Para ela, o paciente não pode ser apenas quem recebe o cuidado, mas alguém que participa ativamente dele. Isso significa incentivá-lo, junto com seus familiares, a perguntar, a se informar sobre seu plano de cuidado, a se sentir à vontade para apontar quando algo parece não estar certo. “Um paciente bem-informado e engajado é também um paciente mais protegido”.
Para Erica Ricarte, é importante encorajar a gestante e seu acompanhante a participarem de verificações simples, porém vitais, como conferir os dados da pulseira de identificação antes de qualquer procedimento e questionar a equipe sobre administração de medicamentos e a higienização das mãos. “Ao incluir a família no planejamento terapêutico, o acompanhante passa a atuar como uma extensão da vigilância em saúde, capacitado a sinalizar precocemente qualquer sintoma atípico ou alteração sutil percebida no leito”, explicou.
A postura colaborativa se estende até o momento da alta responsável, quando a equipe fornece ferramentas e orientações claras para o reconhecimento de sinais de alerta no domicílio, assegurando que o protagonismo e a proteção à saúde continuem ativos no ambiente familiar.
Saiba mais:
Conheça as seis metas internacionais de segurança do paciente:
- Identificação correta do paciente.
- Comunicação efetiva.
- Uso seguro dos medicamentos.
- Cirurgia segura.
- Higiene das mãos.
- Prevenção de danos decorrentes de quedas.
Gerência Executiva de Comunicação Social da Rede HU Brasil