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MINHA HISTÓRIA COM A REDE EBSERH
“Aqui, não me sinto uma pessoa com deficiência. Me sinto uma profissional”
Pessoa com deficiência física, Eliete se formou como Assistente Social aos 52 anos de idade e trabalha desde o ano passado na Unidade de Saúde Ocupacional e Segurança do Trabalhador (USOST) do HC-UFTM
Uberaba (MG) – Hoje, Eliete da Conceição Arrais tem 54 anos de idade e trabalha como Assistente Social na Unidade de Saúde Ocupacional e Segurança do Trabalho (USOST) do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), vinculado à Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Rede Ebserh). É deficiente física, com limitação de movimentos em uma perna.
Aos nove anos de idade, Eliete passou por complicações da Doença de Legg-Calvé-Pethers, que provoca problemas de circulação no fêmur em crianças. “Eu passei por uma cirurgia para corrigir e tinha de passar por uma reabilitação para correção do osso. Mas o fêmur não se reformou corretamente”, o que deixou sequelas, explica Eliete. “Eu tenho dificuldades de mobilidade. Para me movimentar, eu preciso de um apoio, de uma bengala”, completa.
A assistente social conta que passou anos trabalhando como técnica administrativa de nível médio, e lidando constantemente com dores: “Eu tinha que trabalhar, mas tinha que esconder a minha deficiência para conseguir um emprego. Eu fiquei por muitos anos trabalhando e tomando remédio para essa doença, que é progressiva”.
Eliete chegou a ser aposentada por invalidez, mas aproveitou a aposentadoria para voltar a estudar: “Eu não me contive. Foram 28 anos sem estudar, entre o ensino médio e a faculdade. Em 2018, fiz o Enem [Exame Nacional do Ensino Médio] e, através do Sisu [Sistema de Seleção Unificado], entrei aqui na UFTM mesmo. Então, eu consegui entrar na faculdade aos 48 anos de idade, e me formei aos 52 anos de idade, como assistente social”. Em 2024, foi aprovada e convocada para trabalhar na Ebserh, no cargo de Assistente Social, no HC-UFTM. Eliete conta com orgulho: “Eu pedi baixa da aposentadoria e agora estou exercendo a profissão para a qual eu estudei por quatro anos”.
“Nunca desisti do meu sonho”
“Superação! Acho que sou um exemplo, né? De vida, de luta, de persistência. Com 48 anos de idade, voltar para a sala de aula, estudar e me formar... Eu nunca desisti do meu sonho. Não importa o tempo, não importa a idade, mesmo com os obstáculos que a vida dá para uma pessoa com deficiência. Quem é PCD sabe disso. Não podemos deixar que os obstáculos que aparecem para pessoas como nós nos impeçam de realizar um sonho. E de buscar direitos, né?”, conta Eliete.
Ela foi aprovada no concurso para a Ebserh em 2023 e, em agosto de 2024, assumiu como Assistente Social no HC-UFTM, lotada na Unidade de Saúde Ocupacional e Segurança do Trabalhador (USOST). Ela lembra da sua chegada: “Não precisei de grandes adaptações, eu só preciso de uma bengala para andar. Foi mais no sentido de não ter longos caminhos para caminhar, não posso passar muito tempo em pé ou sentada. Fui muito bem recebida, meus colegas são respeitosos. Somos cinco, temos uma convivência boa. Eles entendem, por exemplo, na hora de buscar um documento: eles respeitam que eu não tenha a agilidade [física] que eles têm, por exemplo. Sobre o meu local de trabalho, não pode ter escada, eu preciso que seja perto do arquivo, perto da sala do meu chefe. Que eu consiga ficar próxima dos médicos, com quem eu tenho que discutir os casos. Então o local de trabalho, para me receber, precisa ter essas preocupações”.
Eliete conclui: “Aqui, não me sinto uma pessoa com deficiência. Me sinto uma profissional”.
Redação: Marcio Kameoka
Unidade de Imprensa e Comunicação Estratégica 2
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede Ebserh