ANTIDOPAGEM

Suplementação pode ser um risco para atletas na antidopagem

Especialistas abordaram esse e outros temas em treinamento promovido pela ABCD

Publicado em 16/04/2026 19:09Modificado há 2 dias
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Foto: Freepik
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O uso de suplementos alimentares, cada vez mais popular entre atletas e praticantes de atividade física, esteve no centro de um treinamento especial promovido pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), nesta quinta-feira (16). O encontro reuniu especialistas para discutir evidências científicas, riscos à saúde e implicações no controle antidopagem — e deixou um recado claro: o consumo desses produtos exige cautela, informação e muita responsabilidade.

Durante a abertura, a presidente da ABCD, Adriana Taboza, destacou a relevância do tema para a comunidade esportiva, especialmente diante da crescente oferta de produtos que prometem melhora de desempenho. Segundo ela, é fundamental compreender os efeitos reais dessas substâncias e os riscos envolvidos.

Um dos principais pontos abordados foi a limitação das evidências científicas. De acordo com Patrícia Amaral, professora adjunta na Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Goiás e orientadora da Liga de Nutrição em Esportes e Fisiologia do Exercício, apenas alguns suplementos, como cafeína, creatina, beta-alanina e nitrato, apresentam comprovação consistente de eficácia em contextos específicos. “Ainda assim, o uso deve ser criterioso.”

A preocupação aumenta quando se trata de produtos que combinam diversos ingredientes, como os populares pré-treinos. “Embora existam evidências para ingredientes isolados, os dados sobre produtos combinados são escassos ou inconclusivos”, destacou Patrícia Amaral. Segundo ela, essas misturas podem gerar efeitos imprevisíveis no organismo e até prejudicar a saúde.

Participantes do treinamento on-line no Aplicativo Microsoft Teams
Foto: Reprodução

Outro alerta importante diz respeito à desinformação. A professora chamou atenção para a atuação de influenciadores e até profissionais de saúde que promovem suplementos sem respaldo técnico, muitas vezes em desacordo com códigos de ética.

Patrícia Ferrari Andreotti, gestora da Gerência de Regularização de Alimentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ressaltou que, em alguns casos, o produto simplesmente não contém o que promete: um whey protein, por exemplo, pode ter colágeno ou gelatina no lugar da proteína esperada.

No campo do antidopagem, a regra é rígida: o atleta é responsável por tudo o que ingere. Mesmo quando há a alegação de contaminação de suplementos com substâncias proibidas no esporte, a punição não é automaticamente descartada. Para tentar reduzir a sanção, é necessário comprovar a origem da substância proibida, o que exige, entre outros pontos, a apresentação do produto lacrado do mesmo lote e nota fiscal para análise laboratorial. “O risco e a responsabilidade são sempre do atleta”, reforçou a coordenadora-geral de Educação, Ana Bonetti. A recomendação é redobrar a atenção antes de consumir qualquer produto.

Sobre suplementos manipulados, a orientação também é cautelosa. Patrícia Ferrari esclareceu que produtos feitos em farmácias de manipulação não são considerados suplementos pela ANVISA e não seguem os mesmos padrões industriais de controle, sendo classificados como fórmulas magistrais.

Por fim, as expositoras reforçaram que a alimentação equilibrada continua sendo a base do desempenho esportivo. A suplementação pode ser indicada em situações específicas, mas sempre com acompanhamento profissional.

A conclusão foi clara: em um mercado marcado por promessas e regulação reduzida, informação de qualidade é essencial para evitar riscos à saúde e à carreira esportiva.

Assessoria de Comunicação – Ministério do Esporte

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Cultura, Artes, História e Esportes
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