Programa Skate por Lazer encerra as inscrições com 389 propostas de municípios
A iniciativa do Ministério do Esporte vai selecionar 15 núcleos para receber um professor de educação física e um agente comunitário, com capacidade para atender até 64 jovens

Para democratizar, promover e incentivar a prática do skate para a população brasileira, o Ministério do Esporte lançou em abril o programa Skate por Lazer. A ideia era que municípios se inscrevessem para ter a oportunidade de abrigar um núcleo do programa.
Com dois meses de edital aberto, 389 propostas foram cadastradas, e 330 enviadas para análise. Dessas, 15 serão selecionadas, três em cada região do Brasil. Cada unidade terá direito a um professor de educação física e a um agente comunitário para auxiliar no aprendizado dos alunos. A capacidade de cada um deles é de 64 participantes, com 50% das vagas destinadas exclusivamente a mulheres.
O secretário nacional de Esporte Amador, Educação, Lazer e Inclusão Social, Thiago Martins Milhim, falou do potencial esportivo e recreativo do skate no Brasil. "Como esporte, nós somos referência mundial, visto nossa estreia nas Olimpíadas com duas medalhas, de prata e de bronze. Logo, é responsabilidade do Ministério do Esporte proporcionar melhores condições para que a população brasileira tenha acesso à prática do skate e que novos talentos possam surgir", afirmou.
Para a diretora da Secretaria Nacional de Esporte Amador, Educação, Lazer e Inclusão Social (Snealis), Rejane Penna Rodrigues, a modalidade está evoluindo e ganhando importância para incluir crianças, jovens e até adultos. "Além das vantagens físicas, o skate pode contribuir para alívio do estresse, fortalecimento da autoestima e criar amizades. A proposta do Ministério é promover a sociabilidade e o lazer, com o ensino e a prática do skate orientados por profissionais qualificados e com equipamentos de segurança. O interesse dos municípios para inscrição no edital foi muito bom, e agora estamos na fase de análise técnica das propostas. Importante ressaltar que tivemos inscritos de todas as regiões do Brasil", destacou.
O Programa Skate por Lazer vai garantir a inclusão de todos, independentemente de idade, etnia e gênero, sem preconceitos. Além do acesso gratuito e democrático às estruturas, como pistas e materiais, os núcleos serão implantados em espaços públicos para que qualquer pessoa possa ter acesso à prática recreativa da modalidade.
Cada espaço receberá R$185.900,00, sendo que o total disponibilizado ao programa será de R$ 2.788.500. O exato valor a ser repassado será definido no termo de convênio, observada a proposta apresentada pelo município. A previsão de publicação do resultado da seleção é dia 13 de junho.
Skate muda vidas
Lean de Almeida é publicitário, não binário, tem 24 anos e pratica desde os 20. Ele conta como se sentiu abraçado e incluído pela comunidade do skate. "É uma coisa que abraça tudo e todos, não tem nenhuma distinção. O começo foi complicado, em especial pela distinção de gênero. Aproximei-me aos poucos da cena do skate, indo às pistas, conhecendo o pessoal, e fui me sentindo à vontade. Se eu estiver triste, ando de skate. Dá força, você sente o melhor que pode ser. Isso se leva para a vida."
Jorge Pereira da Silva, 38 anos, do setor de tecnologia da informação, diz que acompanhava o skate desde criança, via campeonatos, e montou um improvisado para andar. "Eu sempre acompanhava o skate gringo. A primeira vez que eu vi um skatista que me chamou atenção foi no bowl do Rio Sul [shopping carioca ], em Botafogo, o Christian Hosoi. A partir daí eu fui me interessando em andar de skate, mas não tinha condição de comprar, por isso improvisava. No meu caso, que sou obeso, traz muitos benefícios, como emagrecimento e fortalecimento muscular das pernas, principalmente. “É uma atividade maravilhosa, recomendo a todos.”
Nathália C.S. Cavalcante tem 33 anos, é nutricionista de gestantes e faz um ano que anda de skate, com o simulador de surfe. “Mesmo depois de o skate entrar nas Olimpíadas, muitas vezes ainda não é visto como um esporte. Ainda há muito preconceito. Quando eu comecei a praticar, enfrentei meus medos. Gera adrenalina. Acabei percebendo que, no meu dia a dia, acabo enfrentando meus medos e dificuldades, com muito mais naturalidade”, ressalta.
Assessoria de Comunicação Social - MEsp