Fluminense leva a melhor no Maracanã, mas quem entra em campo é o enfrentamento à violência contra a mulher
Mesmo com vitória por 2 a 1 sobre o Flamengo e paralisação de 45 minutos por causa da chuva, ação dos Ministérios do Esporte e das Mulheres transforma o Fla-Flu em palco de mobilização nacional pelo respeito às mulheres

O clássico Fla-Flu movimentou o Maracanã na noite deste domingo (25) e entrou para a história não apenas pelo resultado dentro de campo, mas, sobretudo, pela mensagem que ecoou para além das arquibancadas. Em uma partida marcada por forte chuva, que provocou uma paralisação de 45 minutos, o Fluminense venceu o Flamengo por 2 a 1, assumiu a liderança do Grupo A da Taça Guanabara e deixou o rival em situação delicada no Campeonato Carioca. Mas, acima do placar, esteve o enfrentamento à violência contra a mulher que ganhou protagonismo.
Antes da bola rolar — e novamente no intervalo da partida — uma ação conjunta dos Ministérios do Esporte e das Mulheres levou ao gramado, aos telões do estádio e em uma faixa dentro de campo, a mensagem: violência não é futebol, é crime. Nem mesmo a chuva intensa, que atrasou o início do jogo, foi capaz de impedir que o enfrentamento à violência contra a mulher entrasse em campo em um dos maiores clássicos do futebol mundial.
Presente no Maracanã para acompanhar o Fla-Flu, o ministro do Esporte, André Fufuca, destacou a importância simbólica e social da iniciativa, ressaltando que o futebol precisa ser aliado na proteção à vida das mulheres.
“Estamos aqui hoje no Maracanã, no Fla-Flu, um dos maiores clássicos do mundo, com mais de 100 anos de história. Mas é fundamental alertar para um dado alarmante: em dias de clássico, aumenta mais de 25% o número de violência contra as mulheres. Que essa rivalidade fique apenas no campo. Fora dele, precisamos nos unir para combater a violência contra a mulher”, afirmou o ministro.
Fufuca também agradeceu a parceria dos clubes e reforçou o convite para que a mobilização se espalhe por todo o esporte brasileiro.
“Agradeço ao Flamengo e ao Fluminense, que foram parceiros nessa ação, e faço um chamado a todos os clubes, federações, confederações e modalidades esportivas para que essa mensagem seja abraçada por todos. Se ligue. Ou então, a gente liga no 180.”
Jogo decidido no segundo tempo
Dentro de campo, após um primeiro tempo truncado e impactado pelas condições climáticas, o Fluminense foi mais eficiente na etapa final. Serna abriu o placar e John Kennedy ampliou, colocando o Tricolor em vantagem por 2 a 0. O Flamengo ainda reagiu com Cebolinha, que diminuiu o marcador, mas não foi suficiente para evitar a derrota rubro-negra. Todos os gols da partida aconteceram no segundo tempo.
Com o resultado, o Fluminense assumiu a liderança do Grupo A da Taça Guanabara e chega a nove pontos em quatro jogos. Restam duas rodadas para o fim da fase de grupos e o Tricolor ficou em situação confortável na briga por uma vaga nas quartas de final do Campeonato Carioca. Já o Flamengo passou a depender de outros resultados para escapar do torneio contra o rebaixamento.
Mobilização que vai além do futebol
A ação institucional no Maracanã foi pensada para aproveitar o enorme poder de mobilização do futebol, especialmente em jogos de grande visibilidade, como o Fla-Flu. Dados oficiais indicam que, no Brasil, quatro mulheres são vítimas de feminicídio todos os dias, muitas delas dentro de casa. Em dias de jogos, especialmente clássicos, os registros de agressão aumentam significativamente.
Para ampliar o alcance da mensagem, a campanha contou com três frentes integradas: a entrada em campo de uma faixa com mensagem de enfrentamento à violência contra a mulher, a exibição de um vídeo animado nos telões do estádio e a movimentação das redes sociais dos ministérios do Esporte e das Mulheres. A mensagem convidava o público a se posicionar e divulgava o canal de denúncia Ligue 180, serviço nacional de atendimento às mulheres.
A iniciativa contou ainda com a presença do presidente da FIFA, Gianni Infantino, que acompanhou o clássico no Maracanã e reforçou a dimensão internacional do evento e a relevância do debate sobre violência de gênero no esporte.
Vozes da arquibancada
Nas arquibancadas, torcedoras dos dois clubes destacaram a importância da ação para tornar o estádio um espaço mais seguro e respeitoso. Para Nicole Santos, torcedora do Fluminense, a campanha dialoga diretamente com a realidade vivida por mulheres no ambiente do futebol.
“O futebol ainda é um meio muito masculino, e muitas vezes os homens acham que a gente não pode estar aqui. Essa ação é importante porque ajuda a combater essas ‘brincadeiras’ que passam do limite e favorece a presença das mulheres no estádio.”
A torcedora do Flamengo Juliana Ghieroni, que foi sozinha ao Maracanã para acompanhar o clássico, relatou como a iniciativa impactou sua experiência.
“É essencial. Eu estava com receio de vir sozinha a um estádio tão grande, ainda mais em um Fla-Flu. Esse tipo de ação faz a gente se sentir mais segura, empoderada para curtir o nosso time e o futebol."
Com mais de 40 anos de presença nas arquibancadas, Maria Inês Campos, torcedora do Fluminense, reforçou que a conscientização também precisa alcançar os homens.
“Os homens precisam ter responsabilidade, saber o que é certo e o que é errado. O estádio não pode ser espaço para violência contra a mulher.”
Torcedores também manifestaram apoio à iniciativa. Para Wellington José da Rosa, torcedor do Fluminense, o posicionamento do esporte é fundamental.
“É uma iniciativa muito importante. A violência contra as mulheres precisa acabar, e o futebol pode ajudar a dar esse basta.”
Compromisso permanente
Ao transformar um dos maiores clássicos do futebol brasileiro em palco de conscientização, os Ministérios do Esporte e das Mulheres reafirmam o compromisso do Governo do Brasil com o enfrentamento à violência. A ação no Fla-Flu mostra que o esporte pode ser um aliado na promoção do respeito, da igualdade e da defesa da vida.
Assessoria de Comunicação - Ministério do Esporte