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AVANÇO
Inaugurado ambulatório para tratar tumores craniofaciais
Equipe durante um dos sete procedimentos cirúrgicos já realizados no hospital
Os fortes medicamentos para evitar a rejeição do fígado e do rim transplantados acabaram levando o representante comercial Celso Alves Gomes, de 62 anos, a desenvolver câncer de pele. Como buscou tratamento tardiamente, o tumor avançou na testa e no nariz. Solução? Uma cirurgia craniofacial no Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC). O serviço passa a ser oferecido no hospital, único da rede pública do Ceará a contar com um ambulatório específico para tratar tumores de base de crânio.
O cirurgião Márcio Studart explica que, dentro da cirurgia de cabeça e pescoço, a cirurgia de base de crânio ou craniofacial é uma área de atuação. “A ideia dela é tratar de tumores que estão na interface entre a face e o crânio. São tumores que invadem a face e o crânio, na maioria das vezes, a base do crânio”. Como é uma área que perpassa crânio, face e seus espaços, acaba envolvendo pelo menos três especialidades distintas: cirurgia de cabeça e pescoço, otorrinolaringologia e neurocirurgia. “Aí está a importância do Hospital Universitário Walter Cantídio. Porque aqui temos um centro onde encontramos tudo isso”, pontua Studart.
Hospital-escola importante para a formação de residentes há anos, o HUWC sediou a primeira residência Norte/Nordeste de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, em 2005. Desde então, tem sido inovador em várias áreas de atuação dessa especialidade, como a criação do ambulatório específico para cirurgia de base de crânio. Com atividades iniciadas recentemente, sete procedimentos já foram realizados no hospital da UFC. O ambulatório específico para tratar tumores de base de crânio faz parte do Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do HUWC.
Estão à frente das cirurgias os médicos Márcio Studart, da Cirurgia de Cabeça e Pescoço; Marcos Rabelo, da Otorrinolaringologia; e Daniel Figueiredo, da Neurocirurgia. Profissionais com larga experiência e referenciados em suas áreas de atuação que contam com dois residentes, os médicos Bruno Segundo e Marco Augusto Sobreira, e uma equipe multidisciplinar de anestesistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e nutricionistas. “Muitas vezes, o neurocirurgião tem um tumor para tratar, mas que precisa do apoio do cirurgião de cabeça e pescoço. Esse, por sua vez, precisa da ajuda de um otorrinolaringologista. E por aí vai. A interação é muito frequente. Então, a ideia, no futuro, é criar um núcleo envolvendo as especialidades afins, como Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Neurocirurgia, Otorrinolaringologia e Cirurgia Plástica”.
Câncer de pele avançado é o principal desafio
O principal desafio do novo ambulatório é o tumor de pele avançado. “Infelizmente, o câncer de pele é responsável pelo nosso maior número de cirurgias de base de crânio porque são tumores negligenciados. Às vezes, até pelos próprios médicos. Os tumores chegam avançados, com infiltração de ossos do crânio. Ou seja, o que poderia ser retirado com uma anestesia local nos faz passar de 6 a 12 horas ressecando um câncer de pele avançado”, avalia Dr. Márcio Studart. Foi exatamente o que aconteceu com o “Seu” Celso.
Conforme ele mesmo conta, tudo começou com um carocinho aparentemente inofensivo na testa. Consultas e exames tardios constataram: câncer de pele já num estágio bastante avançado. Solução? Duas cirurgias. A primeira, de mais de oito horas, para retirar o tumor e colocar uma tela de titânio em parte da cabeça, além de refazer o nariz e a bochecha esquerda. A segunda, para terminar de refazer o nariz. Mas, para o Dr. Márcio Studart, vale a pena apostar na sobrevida. “Nesses meus quase 10 anos de trabalho aqui e em outros locais, a sobrevida alcança em torno de 60% mesmo nos casos de tumores muito avançados de pele”.
Um dos fatores para a alta incidência de câncer de pele aqui no Ceará, afirma o médico Márcio Studart, é a prolongada exposição laboral ao sol. “Geralmente, são também pacientes de baixa escolaridade, baixo nível socioeconômico, que só procuram quando estão sentindo dores fortes”, completa. Com a segunda maior incidência está o tumor dos seios da face. Esse tipo de neoplasia tem relação com profissões que lidam com fumaça, fuligem e/ou pó de madeira. Ainda segundo o especialista, a maioria dos pacientes vem do Interior do Ceará, especialmente de macrorregiões como a Norte e o Cariri. “Logo, logo estaremos recebendo pessoas de outros estados em função do alto nível de complexidade que tratamos aqui. É algo muito específico”.
Acesso
O acesso ao ambulatório específico para tratar tumores de base de crânio depende de encaminhamento dos profissionais que trabalham nos ambulatórios afins do Hospital Universitário Walter Cantídio – Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Otorrinolaringologia e Neurologia. “O paciente precisa chegar aqui já referenciado por um especialista, que identificou a demanda e encaminhou para o ambulatório específico”. Vale lembrar que o HUWC é um hospital regulado e financiado com recursos 100% públicos (Sistema Único de Saúde). Portanto, os encaminhamentos também podem vir de outras unidades da rede pública de saúde.
Jornalista responsável: Ludmila Wanbergna (MTB 1809 CE)
Unidade de Comunicação Social
Hospital Universitário Walter Cantídio
Complexo Hospitalar da UFC
Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares
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