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PARTICIPAÇÃO
Boas práticas de diagnóstico e tratamento para endometriose realizadas na Meac são compartilhadas em evento nacional
Nos dias 16, 17 e 18 de maio, ocorreu o Congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva e Robótica (Sobracil), no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. Dentro deste encontro, também aconteceu a primeira edição do ‘EndoFortaleza’, conferência científica focada em debater as intervenções para tratamento da endometriose. A Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (Meac), do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (CH-UFC), foi destaque em suas boas práticas assistenciais, de ensino e de pesquisa na área, com apresentações de profissionais sobre as principais evoluções de diagnóstico e tratamento da doença, realizando, inclusive, cirurgias laparoscópicas transmitidas ao vivo durante o evento.
Conforme ressaltou o professor de Ginecologia da UFC e coordenador da Residência de Endoscopia Ginecológica da MEAC, Leonardo Bezerra, este foi um grande encontro multidisciplinar com representantes de todo o Brasil. “O congresso consolidou a nossa referência como serviço de saúde especializado nos casos de alta complexidade. Somos uma Maternidade que atende inteiramente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ofertando o tratamento que gera qualidade de vida para as mulheres que sofrem com endometriose”.
O tema central desta primeira edição do ‘EndoFortaleza’ foi o acometimento intestinal. Leonardo explica que a endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pela invasão de focos do endométrio (camada interna do útero que descama durante a menstruação) a outros órgãos, como os ovários, bexiga, e no caso debatido, o intestino e reto. A doença causa dores pélvicas fortes e incapacitantes, e pode ser causa de infertilidade.
A participação da Meac no Congresso, então, já iniciou com as exposições teóricas sobre o tema. Na sexta-feira (17), a ginecologista Elfie Tomaz, abordou sobre “USG é o padrão ouro para o mapeamento da endometriose intestinal”; no mesmo dia, a coloproctologista Lara Veras participou de uma mesa-redonda com o tema “Cirurgia minimamente invasiva das doenças benignas do cólon e do reto”; e Leonardo Bezerra ministrou a palestra sobre “O que é preciso dominar da anatomia para operar endometriose profunda?”. No sábado (18), ele falou sobre “Disfunções sexuais e urinárias na endometriose intestinal”.
Cirurgias ao vivo
Como parte da programação do evento, dois procedimentos cirúrgicos feitos na Meac foram transmitidos ao vivo, sendo a única instituição federal e 100% SUS a participar das transmissões de cirurgias nesta edição do Congresso. Na tarde da sexta-feira (17), a cirurgia foi conduzida pelos cariocas Marco Aurélio, ginecologista e professor da (Unirio); Cláudia Joaquim, coloproctologista do Hospital Federal de Ipanema; e Anacleto Resende, urologista e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). No sábado (18), Leonardo Bezerra e Univaldo Sagae, professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), lideraram o procedimento. A cirurgia laparoscópica é o que há de mais moderno para o tratamento da endometriose por ser uma técnica menos invasiva, feita a partir de pequenas incisões para entrada do laparoscópio (câmera de alta resolução).
“O objetivo da transmissão foi o aperfeiçoamento dos médicos que estão assistindo. Uma vez que o cirurgião estava operando, também mostrava as dificuldades, as estratégias, as táticas e o uso adequado das técnicas em tempo real”, destacou Leonardo. Ele reforçou, ainda, que o sucesso das intervenções e da transmissão só foi possível graças ao empenho da instituição como um todo, de toda as equipes multiprofissionais e residentes envolvidos e, em especial, do apoio do gerente de Atenção à Saúde da Meac, Edson Lucena; da chefe da Divisão Médica da Meac, Zenilda Bruno; e do gerente de Ensino e Pesquisa (GEP) do CH-UFC, Renan Montenegro Jr.
A transmissão ao vivo foi feita pela Unidade de E-Saúde, da GEP. Luis Carlos Alexandre, chefe da Unidade E-Saúde, explicou que os vídeos duraram cerca de cinco horas por cada cirurgia dada a complexidade desse tipo de procedimento. Duas câmeras foram utilizadas: o próprio laparoscópio, e uma outra câmera externa de alta eficiência, com capacidade de imagem em Full HD e zoom de até 30 vezes de aproximação. Na ocasião, os médicos utilizaram microfone de lapela para narrar os detalhes das cirurgias. Como recurso de interação, o Centro Cirúrgico contou, ainda, com uma televisão para que os profissionais na Meac pudessem ver a plateia que estava no Centro de Eventos. “Usamos os aparelhos que temos na GEP para coletar e transmitir as imagens. Tudo aconteceu de forma bastante dinâmica, com interações constantes. A plateia conseguiu interagir como se estivesse presencialmente no Centro Cirúrgico”, concluiu Luis Carlos. Os recursos de vídeo são importantes ferramentas de educação estimulados no CH-UFC para gravação e transmissão de aulas, procedimentos e eventos, como foi neste caso.
Serviço: atendimento para endometriose na Meac
A MEAC recebe pacientes encaminhadas pela atenção primária (Unidade Básica de Saúde), através da Central de Regulação do Município de Fortaleza.
Sobre a Ebserh
O CH-UFC faz parte da Rede Ebserh desde 2017. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Marília Rêgo
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh