DIÁLOGO

CPDP LatAm 2026 encerra com ECA Digital e transparência das plataformas como temas prioritários

Último dia foi marcado pela discussão sobre a proteção da criança e do adolescente e a eficácia dos relatórios de transparência para a governança dos dados

Publicado em 13/08/2026 10:01Modificado em 27/10/2026 11:01
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Diretor da ANPD, Iagê Miola, destacou os direitos humanos como baliza na elaboração de políticas públicas de proteção de dados
Diretor da ANPD, Iagê Miola, destacou os direitos humanos como baliza na elaboração de políticas públicas de proteção de dados

A conferência Computer, Privacy and Data Protection (CPDP), edição América Latina, encerrou, nesta quinta-feira (13), a rodada de debates sobre governança de dados, soberania digital e interoperabilidade, que começou na quarta-feira (12), no Centro Cultural da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. Nos dois dias do evento, especialistas e representantes de diferentes países participaram de 28 painéis e duas plenárias onde puderam trocar experiências e apresentar boas práticas no que diz respeito à proteção dos dados dos titulares em uma realidade de transnacionalidade das informações. A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) esteve presente como moderadora ou fazendo parte da equipe de palestrantes em sete dessas mesas-redondas, sendo quatro no último dia. 

Durante as plenárias e painéis, os representantes da Agência apresentaram aspectos que envolvem a implementação do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), desde os mecanismos de aferição de idade até os relatórios de transparência por parte dos provedores. Além disso, outras ações tiveram destaque, como a realização do projeto-piloto Sandbox Regulatório de Inteligência Artificial e a instauração de processos de monitoramento, fiscalização e sanção contra empresas e plataformas que cometeram infrações à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a outros normativos que asseguram a proteção dos titulares de dados.

Abrindo o dia, o painel “Transparência algorítmica dos Estados como princípio habilitador de direitos e liberdades fundamentais” levantou o debate sobre como a governança responsável, eficaz e transparente dos dados dos titulares, por parte do poder público, impacta diretamente na vida do cidadão. “Os direitos humanos devem balizar a elaboração de políticas públicas, em especial aquelas cujas tomadas de decisões são automatizadas, inclusive com o uso de ferramentas de Inteligência Artificial”, explicou o diretor da ANPD, e painelista na ocasião, Iagê Miola.  

Em outro momento da manhã, a coordenadora de Sanções - Crianças e Adolescentes no Ambiente Digital da ANPD, Mariana Távora, foi palestrante no painel “Implementando o ECA Digital: o que a experiência das grandes plataformas e a atuação da ANPD ensinam sobre verificação de idade e privacy by design”, e destacou o advento do Estatuto como um avanço no campo protetivo da infância. “As publicações da ANPD sobre aferição de idade seguem os momentos da regulação e reservam aos fornecedores a possibilidade de aplicarem os métodos de acordo com os riscos seus serviços e produtos, respeitando as balizas do ECA Digital, do Decreto 12.880/2026, e das regulamentações da Agência”, disse a coordenadora. 

Durante esse painel, Mariana Távora também abordou o caráter responsivo ou exemplar na atuação da ANPD. “A área da fiscalização possui monitoramento, fiscalização e sanção. Essa estrutura demonstra diferentes níveis de abordagem junto ao regulado para conduzi-lo à conformidade e, ao mesmo tempo, responsabilizá-lo pelos prejuízos eventualmente causados”, concluiu a coordenadora.  

Na parte da tarde, o painel “Informação sem fronteira, soberania limitada: quem comanda o poder digital, a competição de mercado e a inovação numa economia digital globalizada?” contou com a participação da diretora da ANPD Lorena Giuberti Coutinho que, ao lado de representantes do Canadá, China e Estados Unidos, destacou a relação entre o poder público e o mercado em relação à proteção de governança dos dados. “As medidas de competição de mercado e as medidas de proteção de dados devem ser implementadas no sentido de também convergirem em um ordenamento jurídico comum”, disse a diretora, que também apontou a proporcionalidade como um princípio a ser alcançado por ambos os lados. 

O último painel do dia abordou a governança dos dados pela economia global, cujo crescimento tem acelerado especialmente na área da Inteligência Artificial. Com o tema “IA Agêntica e a Reconfiguração do Papel dos Dados Pessoais no Mercados Digitais”, a apresentação teve como palestrante a coordenadora-geral de Tecnologias e Ambientes Digitais da Agência, Camila Leite, para quem a implementação de normativos e a regulação podem contribuir para uma concorrência que atenda os padrões exigidos pela LGPD. "O próprio ECA Digital pode promover a competição no mercado, inclusive, com modelos de proteção responsáveis e mais eficientes", explicou a coordenadora-geral", explicou a coordenadora-geral. 

Durante a plenária de encerramento do CPDP LatAm 2026, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, apresentou números sobre o processo de digitalização dos serviços públicos. A ministra citou a plataforma Gov.br, que oferece mais de cinco mil serviços, e também destacou a mudança do Brasil da 16ª para 10ª posição no ranking de governança digital da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). “No que diz respeito à soberania digital, o Brasil se alicerça em três elementos para avançar na governança dos dados: o identificador, com a identidade digital; a infraestrutura que permitirá a oferta dos serviços digitais e a proatividade que acontecerá, por exemplo, na automação da concessão de benefícios”, finalizou a ministra.


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