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SAÚDE
Cuidado individualizado com a pessoa idosa faz a diferença no tratamento do diabetes
Neste Dia Nacional do Diabetes, celebrado em 26 de junho, o alerta é para uma condição que afeta milhões de brasileiros, especialmente a população idosa. Três a cada dez pessoas idosas no Brasil vivem com diabetes mellitus, segundo dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) do Ministério da Saúde. A pesquisa revela uma condição altamente prevalente entre as pessoas com 65 anos ou mais (30,4%), índice superior aos 22,4% de quem tem entre 55 e 64 anos. Estima-se que cerca de 20 milhões de brasileiros vivam com esse problema. Alguns deles são acompanhados e tratados pelo Hospital das Clínicas da UFPE, que integra a Rede HU Brasil.
A prática de exercícios físicos realizada de maneira regular é um dos principais pilares no controle adequado da glicemia, associada à alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e uso racional de medicamentos – incluindo antidiabéticos orais, insulinas e, quando indicados, agonistas do receptor de GLP-1.
“Os exercícios físicos contribuem para a redução do risco cardiovascular (principal causa de morte em diabéticos), combatem a sarcopenia (perda de massa muscular tão comum no envelhecimento), melhoram o equilíbrio reduzindo o risco de quedas, auxiliam no controle do peso e ainda trazem benefícios cognitivos e para a saúde mental, tornando-se indispensáveis no cuidado à pessoa idosa”, explica a profissional de Educação Física do HC-UFPE Bárbara Amaral.
A especialista destaca que as principais diretrizes recomendam a combinação de exercícios aeróbicos (como caminhada e hidroginástica), pelo menos 150 minutos por semana; de resistência muscular (musculação ou elásticos, 2 a 3 vezes por semana) e de equilíbrio/flexibilidade (como alongamentos), evitando ficar mais de dois dias seguidos sem se movimentar.
Tratamento
Embora o tratamento farmacológico do diabetes na pessoa idosa seja semelhante ao recomendado para adultos jovens, ele deve ser individualizado, especialmente na presença de síndromes geriátricas, como instabilidade postural, incontinência urinária, déficit cognitivo, imobilidade, incapacidade de comunicação, ausência de suporte familiar, além de condições frequentes como o uso de muitos medicamentos (polifarmácia) e a sarcopenia, a perda progressiva de massa, força e função muscular.
“Nessas situações, o estabelecimento das metas glicêmicas e a abordagem terapêutica devem ser diferenciados, uma vez que os idosos apresentam maior risco de eventos adversos, particularmente hipoglicemia”, explica a médica endocrinologista e gerente de Atenção à Saúde do Hospital Universitário Alcides Carneiro, da Universidade Federal de Campina Grande (HUAC-UFCG), Alana Abrantes.
O tratamento deve ser ajustado conforme a funcionalidade e o grau de fragilidade do paciente. Em vez de metas rígidas, priorizam-se esquemas terapêuticos simples, seguros e eficazes, capazes de reduzir o risco de hipoglicemia, prevenir sarcopenia e quedas e, consequentemente, preservar a mobilidade, a cognição e a qualidade de vida.
O diabetes está geralmente relacionado à síndrome metabólica, um conjunto de condições que inclui obesidade, hipertensão, alterações do colesterol e triglicerídeos. Entre os sinais de descompensação da doença estão sede excessiva, aumento da fome, perda de peso inexplicada, aumento da frequência urinária, infecções recorrentes (como as urinárias e candidíase) e problemas oculares, além de confusão mental, tontura, fraqueza e dificuldade de locomoção.
Alimentação
A alimentação saudável é um capítulo à parte, não só no tratamento, mas também para a prevenção da doença. O consumo de frutas, proteínas (como carnes, peixes, ovos, leite e derivados), legumes, verduras e o brasileiríssimo arroz com feijão devem estar no cardápio. Esses alimentos são ricos em vitaminas, minerais e fibras, essenciais para o bom funcionamento do organismo. Outro cuidado importante é com os carboidratos, priorizando alimentos naturais e evitando os ultraprocessados, que provocam maiores picos glicêmicos.
Sobre a HU Brasil
O HC-UFPE faz parte da HU Brasil desde dezembro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil foi criada em 2011 e, atualmente, administra 47 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Moisés de Holanda, com revisão de Rosenato Barreto
Gerência Executiva de Comunicação Social da HU Brasil
Tratamento de diabetes envolve mudanças no estilo de vida, incluindo alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e monitoramento de glicose