Fórum Mulher no Esporte debate avanços e desafios da participação feminina no cenário esportivo
Dados relevantes mostram a disparidade na representatividade da mulher no setor
Os avanços e desafios da participação feminina no esporte foram os temas discutidos no II Fórum Mulher no Esporte promovido pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), nesta terça-feira (15.04), na cidade das Artes no Rio de Janeiro. Com a presença de 300 mulheres, o evento reuniu atletas olímpicas, treinadoras, gestoras, jornalistas e especialistas da área.
Bicampeã olímpica do vôlei feminino e comentarista esportiva, Fabi Alvim, conduziu o evento como mestre de cerimônia e abriu o Fórum com a palestra “Além do que se vê”, uma reflexão profunda sobre os desafios e avanços da mulher no cenário esportivo, quando também compartilhou detalhes de sua trajetória esportiva.
“Tentei trazer discussões e fazer provocações, como também falar um pouco além do esporte”, afirmou Fabi, que relembrou a infância e citou a solidão por ser a única menina a jogar futebol com os meninos na rua, uma experiência que a fez perceber cedo a distinção entre "esporte de menino e de menina". Essa lembrança pessoal serviu de gancho para apresentar dados alarmantes: 26% dos homens têm mais chances de praticar esportes, enquanto meninas e mulheres são seis vezes mais propensas a desistir da atividade esportiva por não terem o suporte necessário.
Durante o evento, foi apresentada por Fabi a constante disparidade na representatividade feminina no esporte. Informações levantadas pela atleta mostram que apesar de as mulheres representarem 52% da população, apenas 4% do conteúdo da mídia esportiva é dedicado a elas. Além disso, somente 12% das notícias esportivas são apresentadas por mulheres. A desigualdade econômica também se manifesta de forma drástica: em 2020, apenas duas atletas mulheres figuravam entre os cem mais bem pagos do mundo, e em 2024 nenhuma mulher constava nessa lista. No que se refere à liderança técnica, Fabi apontou que apenas 13% das treinadoras credenciadas nos Jogos Olímpicos são mulheres, evidenciando a necessidade de maior representatividade feminina em todas as esferas do esporte.
A secretária nacional de Excelência Esportiva do Ministério do Esporte, Iziane Marques, representante do Ministério do Esporte, abordou em sua fala os temas equidade de gênero, liderança feminina no esporte, treinadoras de alto rendimento, performance da mulher atleta e preparação olímpica. Para ela, “É fundamental realizar eventos como esses, eles são importantes para ampliar as vozes femininas que historicamente foram silenciadas ou sub representadas no esporte. Participar desse movimento é uma oportunidade poderosa de reafirmar o protagonismo feminino em todas as esferas do esporte. Falar sobre liderança feminina é falar sobre transformação, representatividade e futuro. Encontros como esses são essenciais para consolidar esse caminho e garantir que as próximas gerações encontrem um ambiente esportivo mais justo, inclusivo e potente”, afirmou Iziane.
“Provocar discussão sobre o papel da mulher no esporte em todos os âmbitos é muito importante, desde o alto rendimento à gestão. Estamos cada vez mais quebrando barreiras, mostrando a necessidade da equidade de gênero, e esses temas devem ser naturais à sociedade. O Fórum da Mulher no Esporte vem justamente aumentar esse movimento e promover o debate de questões atuais com diversas áreas envolvidas”, ressaltou a vice-presidente do COB, Yane Marques.
Assessoria de Comunicação - Ministério do Esporte

