Encontro Nacional reforça capacitação e troca de experiências no combate à manipulação esportiva
Segundo dia foi marcado por estudos de caso e treinamentos direcionados a delegados das Polícias Civis e Federal

O segundo dia do I Encontro Técnico Nacional sobre Combate à Manipulação de Resultados Esportivos foi dedicado a um público restrito: delegados das Polícias Civis e Federal de todo o país. Em um ambiente fechado, foram apresentadas e debatidas operações reais de combate à manipulação de resultados, com o objetivo de compartilhar métodos, estratégias e aprendizados para fortalecer a atuação investigativa em todo o território nacional.
Para o secretário Nacional de Apostas Esportivas e de Desenvolvimento Econômico do Esporte, Giovanni Rocco Neto, a presença de 54 delegados (27 da Polícia Civil e 27 da Polícia Federal) reforça a importância da capacitação. Segundo ele, o encontro “é muito importante para que os policiais na ponta possam combater esse crime. Esse crime só vai poder ser combatido com informação, com articulação de todas as polícias, seja ela federal ou civil.”
A percepção também foi compartilhada pelos participantes. A delegada Maria Alice Barros Martins Amorim, de Mato Grosso, destacou que “vir a este encontro, aprender estratégias de investigação e de conduta para lidar com casos tão perniciosos para a sociedade, é extremamente importante”, lembrando que os profissionais da ponta “carecem de maiores informações e acesso à dinâmica de apuração de uma matéria tão específica como essa.”
Segundo os especialistas, a manipulação de resultados não se limita a uma modalidade, mas aparece com maior frequência em competições de menor expressão. Isso acontece porque as casas de apostas, ao pagarem a chamada “cota fixa” por resultado acertado, não diferenciam divisões, ligas ou campeonatos; assim, manipular uma competição regional ou de categoria inferior pode ser tão lucrativo quanto manipular um jogo de elite. Além disso, menores salários de atletas e estruturas mais frágeis de equipes menos financiadas aumentam a vulnerabilidade a tentativas de corrupção.
Mecanismos de monitoramento
À tarde, as discussões ganharam perspectiva de mercado e cooperação internacional. O Diretor de Integridade na América Latina da Sportradar, Felippe Marchetti, apresentou mecanismos de monitoramento e formas de detecção de manipulação em competições, com base no trabalho da empresa em diferentes países. Firmado em maio deste ano, o vínculo direto entre a Sportradar e o Ministério do Esporte (MESP) prevê, por meio de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT), o intercâmbio de informações, treinamentos e ações conjuntas para reforçar a integridade esportiva no Brasil.
Também participou Tarsila Klein Schorr, Assistente Anticorrupção do UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime), agência da ONU que atua em mais de 150 países no combate à corrupção e ao crime organizado. Ela reforçou que a corrupção no esporte deixou de ser um problema isolado para se tornar sistemática e transnacional, exigindo estratégias globais de enfrentamento. De acordo com mapeamento do próprio UNODC, em 2025 apenas 49 países criminalizam a manipulação de competições esportivas, sendo apenas seis nas Américas, entre eles o Brasil.
A importância dessa troca de experiências foi destacada como eixo central do encontro. Ao reunir operações conduzidas em diferentes regiões e alinhar perspectivas nacionais e internacionais, o evento busca garantir que técnicas de investigação, modelos de cruzamento de dados e estratégias de repressão sejam disseminados em todo o país. O foco é a capacitação de delegados e agentes de segurança pública, permitindo que o enfrentamento à manipulação esportiva seja mais ágil, padronizado e eficaz.
Com esse segundo dia, o encontro reforça seu caráter estratégico: mais do que discutir diretrizes, ele prepara os profissionais da linha de frente para identificar, investigar e reprimir fraudes esportivas em todas as modalidades e esferas competitivas.

Assessoria de Comunicação - Ministério do Esporte