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Levantamento da Ebserh apresenta HUSM como segundo hospital filiado em número de pesquisas no país
Os hospitais universitários federais são considerados referência na produção do conhecimento em Saúde. Com base nessa constatação, a Assessoria de Ensino e Pesquisa (AEP) da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), em conjunto com as Gerências de Ensino e Pesquisa dos hospitais universitários, fez um levantamento entre 22 hospitais filiados para apontar as pesquisas desenvolvidas nas instituições. Entre os objetivos estão a identificação do perfil das pesquisas desenvolvidas nos hospitais filiados, a criação de mecanismos que possibilitem o compartilhamento e divulgação de informações entre os hospitais, a criação de ambientes colaborativos para realização de pesquisa acadêmica e desenvolvimento tecnológico.
O levantamento, realizado pelas Gerências de Ensino e Pesquisa dos HUs, é referente aos trabalhos desenvolvidos entre janeiro de 2012 e novembro de 2014. As informações foram obtidas a partir da construção de um instrumento de coleta de dados on-line desenvolvido, conjuntamente, com os gerentes e, posteriormente, disponibilizado no Módulo Projetos de Pesquisa, do Sistema de Informações Gerenciais (SIG). Entre os dados avaliados – lançados no sistema pela GEP/HUSM nos meses de outubro e novembro do ano passado – constavam as características gerais do projeto, o pesquisador responsável, o tipo de pesquisa, a área de conhecimento e tipo e natureza da tecnologia em investigação.
O Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM-UFSM) aparece em segundo lugar em número de pesquisas. Sozinho, o HUSM somou 311 pesquisas, o equivalente a 10% do total contabilizado nos hospitais (3.112).
Veja abaixo a entrevista com a Gerente de Ensino e Pesquisa do HUSM, Dr.ª Beatriz da Silveira Porto, sobre os resultados do HUSM no levantamento.
Assessoria de imprensa – Como o resultado desse levantamento promovido pela AEP/EBSERH foi recebido no HUSM? Essa posição era esperada?
Gerente de Ensino e Pesquisa – A ideia do levantamento surgiu durante os seminários da AEP com os gerentes de Ensino e Pesquisa dos HUs, que ocorreram durante o ano de 2013 e 2014. Observou-se uma grande disparidade na forma de registro das pesquisas, o que dificultava a análise dos dados e a visualização do panorama das pesquisas no todo. A partir desta constatação, começamos a construir a plataforma de modo a padronizar as informações e permitir comparações e análises mais fidedignas.
A equipe da GEP foi incansável na produção dos nossos dados e recebemos com alegria esta colocação. Obviamente, temos que levar em consideração que a avaliação foi realizada com 22 HUs federais de um total de 47 hospitais. Por isso, temos que ponderar este resultado com cuidado e com suas limitações.
Assessoria de imprensa – Qual a importância da Pesquisa para o Ensino e Assistência Hospitalar?
Gerente de Ensino e Pesquisa – A pesquisa é um pilar fundamental para a excelência do ensino e da assistência. A geração do conhecimento, tanto teórico como aplicado, alimenta e qualifica o ensino e a assistência. Não há melhoria do ensino nem assistência de excelência sem o respaldo da pesquisa.
Assessoria de Imprensa – O levantamento constatou que os hospitais constituem campo de prática para pesquisas predominantemente acadêmicas: 92%. As pesquisas clínicas e de inovação tecnológica ainda são tímidas. Qual a justificativa para esse percentual e no que ele impacta no ensino e assistência?
Gerente de Ensino e Pesquisa – O predomínio das pesquisas acadêmicas mostra a forte inserção docente no HUSM, através dos cursos de graduação e pós-graduação: trabalhos de conclusão de curso de graduação, de residência médica e multiprofissional, de mestrado e doutorado stricto sensu e, mais recentemente, do mestrado profissional. Há também, a iniciação científica. Esta produção é importante e precisa ser estimulada. Muitos destes projetos, apesar de acadêmicos, podem ter aplicabilidade clínica e gerar novas abordagens diagnósticas e/ou terapêuticas, como é o caso de muitos projetos desenvolvidos no mestrado profissional.
Por outro lado, é fundamental e estratégico que, cada vez mais, o HUSM possa ter condições de receber estudos clínicos para desenvolvimento de novos medicamentos e tecnologias terapêuticas e diagnósticas, especialmente, aquelas voltadas para o SUS. Para isso, precisamos apoiar os pesquisadores e fomentar os grupos de pesquisa que atuam no HUSM, além de prover infraestrutura física, de equipamentos e de pessoal, para que se tenha condições de desenvolver esses estudos. A criação do Setor de Pesquisa e Inovação Tecnológica e de uma Unidade de Pesquisa Clínica (UPC- HUSM) dentro da estrutura organizacional da GEP, com área física mínima, equipamentos próprios, além de pessoal capacitado para auxiliar as equipes de pesquisa são uma das conquistas neste sentido.
Outras iniciativas importantes, como a criação de um Gabinete de Apoio a Projetos (GAP/HUSM) e do Programa de Iniciação Científica do HUSM (PROIC/HUSM) também colaboraram neste sentido. Tivemos ainda a organização do Comitê Gestor da Pesquisa Clínica no HUSM, o mapeamento dos grupos de pesquisa que atuam no HUSM e o fortalecimento e valorização da Comissão Científica do HUSM, que tem um papel fundamental na análise dos projetos.
Assessoria de Imprensa – Quais as áreas da saúde mais investigadas na pesquisa acadêmica? Na pesquisa clínica o interesse por essas áreas se repete ou o foco é outro?
Gerente de Ensino e Pesquisa – Na pesquisa acadêmica, observamos a participação de todas as áreas, inclusive áreas de gestão, administrativas etc.
Na pesquisa clínica, no sentido de desenvolvimento de novos medicamentos, no entanto, temos estudos apenas nas áreas de infectologia e oncologia até o momento.
Assessoria de Imprensa – O levantamento sobre as pesquisas desenvolvidas nos hospitais apontou algumas fragilidades, como a não obrigatoriedade de atualização de dados e a inexistência de Comitê de Ética em Pesquisa em algumas instituições. No que o HUSM está à frente e no que ainda deve avançar?
Gerente de Ensino e Pesquisa – No HUSM há um trâmite institucional estabelecido para registro de projetos que deve ser seguido por todos os pesquisadores. Todo projeto a ser realizado no HUSM deve ser registrado previamente no SIE/UFSM e na GEP/HUSM. Depois é submetido à análise da Comissão Científica do HUSM, que avalia, obrigatoriamente, três pontos imprescindíveis: se houve concordância nos setores envolvidos, se o orçamento está adequado e qual a fonte financiadora e se há referência correta quanto à participação do HUSM no projeto. Além disso, faz sugestões em relação à metodologia e demais aspectos do projeto, visando adequá-lo às exigências do Comitê de Ética (CEP/UFSM), minimizando pendências e atrasos. Após aprovado no HUSM, o projeto vai para a Plataforma Brasil para análise e aprovação final do CEP e só então pode ser iniciado. Isto permite que se conheça todos os projetos que são desenvolvidos aqui.