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Relatos de quem cuida
“Apesar de ter 26 anos de profissão, sinto a paixão de recém-formada”
Fiz a última prova da faculdade pela manhã e, à tarde, recebi uma ligação do HU para trabalhar como enfermeira na Emergência. Em menos de um mês, com registro provisório, estava no hospital no período noturno e, em um ano, passei num concurso do Estado para trabalhar no CIT (hoje Ciatox), de maneira que fiquei com dois vínculos, ambos no HU. Sempre dividi meu tempo entre estudo, trabalho e família, minha base para tudo.
Da Emergência, fui para a UTI, um espaço que me conquistou pelo potencial de aprendizado e pelas histórias de vida. Cada história uma lição. Nunca esqueço da filha de um paciente que chorava muito ao dizer que seu pai tinha pedido um café antes de ir pra cirurgia; só queria sentir o sabor do café pela última vez pois “sabia que não ia sobreviver”. Ela não permitiu pois ele estava em dieta zero. Peguei um copo de café, uma seringa e ela colocou café na boca de seu pai, como seu último desejo, enquanto se despedia. Pouco tempo depois ele faleceu, e ela estava mais serena.
Assumi a Coordenação do Departamento de Enfermagem da Sociedade Catarinense de Terapia Intensiva. Promovia eventos e discussões locais, regionais e estaduais. Participava de eventos Regionais e Nacionais como enfermeira representante da Terapia Intensiva de Santa Catarina. Sai da assistência para coordenar a Clínica Médica, um desafio. Além da experiência administrativa, grandes amizades. Nesse meio tempo conclui o mestrado trabalhando com acessos venosos periféricos. Retornei à UTI e também assumi a gerência em algumas vezes. Cursos, capacitações, reuniões e protocolos.
Nas folgas de escala, muitas vezes fui ao hospital para arrumar gavetas, organizar estoques. Acompanhei histórias de vida e de morte, de esperança e de fé. Recuperações e despedidas.
E a grande enchente com apagão? Punção entre velas, lampião na emergência, pacientes sendo ambuzados, material boiando em meio a tanta água, até extintor tivemos que usar pois uma vela estava queimando papeis de prontuário de um paciente. Como voluntária, acompanhei a enfermeira Zulmira do Serviço de Controle de Infecções em algumas de suas atividades, ajudei a ministrar cursos para higienização hospitalar e controle de infecções.
O controle de infecções sempre me atraiu. Quando surgiu a oportunidade concorri à vaga, e há cinco anos estou desvendando esse mundo. O mundo em que buscamos vencer inimigos invisíveis tão perigosos...
Nos últimos cinco anos tenho trabalhado com índices, capacitações, orientações, protocolos, rotinas assistenciais. Estou no último ano do curso de doutorado em enfermagem, procurando conhecer mais a fundo as bactérias multirresistentes identificadas nos nossos pacientes.
Com a pandemia que vivemos, sinto que, enquanto enfermeira do Serviço de Controle de Infecção preciso estar atualizada e ainda mais compartilhar conhecimento e experiências. Apesar de ter 26 anos na profissão, sinto a paixão de recém-formada, onde minha segunda casa é o nosso querido Hospital Universitário.
Taise Costa Ribeiro Klein, enfermeira HU-UFSC/Ebserh.