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SAÚDE MATERNA
Furg recebe primeira visita técnica da Rede Alyne para acompanhamento da Especialização em Enfermagem Obstétrica
Rio Grande (RS) – A Universidade Federal do Rio Grande (Furg), por meio da Escola de Enfermagem (EEnf/FURG), recebeu, de 23 a 26 de fevereiro, a primeira visita técnica das tutoras do Curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica (CEEO) da Rede Alyne. A formação tem sede nacional na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e, no município, é coordenada pela Furg, em articulação com o Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr. (HU-Furg), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), e com a Secretaria Municipal da Saúde do Rio Grande.
A especialização já está em andamento desde novembro de 2024 e integra a Rede Alyne, iniciativa do Ministério da Saúde voltada à qualificação da atenção obstétrica no Sistema Único de Saúde (SUS). Participaram da visita a professora da UFMG Bárbara Sgarbi Morgan Fernandes e a enfermeira obstétrica Vanessa Paula Faria, que atua no Hospital Sofia Feldman e no Hospital Santa Casa de MG.
Segundo a coordenadora local da especialização, Fernanda Martins, “A especialização já está em andamento. Iniciamos as atividades do curso com aula inaugural em 7 de novembro de 2025. Desde então, estamos desenvolvendo as atividades teóricas, e essa foi a primeira visita presencial das tutoras ao longo do curso”. E explicou que o acompanhamento faz parte da metodologia da formação: “Elas ainda virão em um segundo momento, ao longo da especialização. Essa primeira visita foi voltada especialmente ao diagnóstico situacional e à organização dos cenários de prática.”
A visita técnica teve como objetivo avaliar as condições assistenciais, estruturais e pedagógicas dos campos que receberão as especializandas. A programação foi organizada pela Escola de Enfermagem da Furg, com articulação junto ao HU-Furg e a outras instituições do município, ampliando o diálogo sobre os cenários hospitalares e da atenção básica.
Para o gerente de Ensino e Pesquisa do HU-Furg e vice-coordenador local da especialização, Edison Barlem, “a visita técnica representa um marco estratégico para consolidar a integração ensino-serviço no âmbito da Rede Ebserh. Mais do que avaliar estrutura física, estamos validando processos assistenciais, fluxos, protocolos e a capacidade pedagógica dos nossos cenários de prática”.
O gestor destacou ainda o compromisso institucional: “O HU-Furg assume um compromisso com a qualificação da atenção obstétrica baseada em evidências, na segurança do paciente e na humanização do cuidado. A especialização fortalece a formação avançada em serviço, amplia a autonomia da enfermagem obstétrica e contribui diretamente para a redução de desfechos maternos evitáveis no SUS. Ao integrar hospital, universidade e rede municipal, estruturamos um ecossistema formativo capaz de produzir impacto real na saúde materna da região”.
Avaliação da estrutura e integração ensino-serviço
A programação iniciou com acolhimento institucional na Escola de Enfermagem e apresentação da equipe gestora, coordenação e docentes. As tutoras visitaram laboratórios de práticas e simulação clínica, além dos espaços administrativos e acadêmicos. No HU-Furg, conheceram o Centro Obstétrico, a Maternidade, a UTI Neonatal, o Banco de Leite Humano (BLH) e os ambulatórios, com apresentação da organização assistencial e dos fluxos de atendimento.
Fernanda explicou que “as atividades práticas vão acontecer no Centro Obstétrico do HU e no Centro Obstétrico da Santa Casa, inicialmente nessas duas instituições hospitalares. Além disso, teremos como cenário de prática as unidades básicas de saúde do município de Rio Grande. As práticas ainda não começaram, e a previsão é que tenham início em abril”.
Durante a visita, também foi realizado o encontro “Conversando sobre Preceptoria”, reunindo enfermeiras obstétricas que atuarão na supervisão das especializandas. O momento foi dedicado ao alinhamento de instrumentos de acompanhamento, responsabilidades e integração entre ensino e serviço.
“Estamos investindo na formação das enfermeiras que atuarão como preceptoras. Algumas estão em vivência prática no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, em um curso de aperfeiçoamento teórico-prático com carga horária total de 100 horas. Essa qualificação é fundamental para garantir a qualidade da formação das futuras especialistas”, pontuou Fernanda.
Rede Alyne e impacto na saúde materna
O nome da Rede é uma homenagem a Alyne Pimentel, jovem negra que morreu em 2002 em decorrência de negligência no atendimento obstétrico. O caso se tornou referência internacional ao reconhecer a responsabilidade do Estado brasileiro por falhas na assistência materna, reforçando a necessidade de um cuidado qualificado, seguro e sem discriminação.
O Curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica integra a Rede Alyne, programa do Governo Federal lançado em 2024 pelo Ministério da Saúde. A iniciativa busca reduzir a mortalidade materna em 25% e as mortes de mulheres negras em 50% até 2027, com foco na qualificação do pré-natal, do parto, do puerpério e na redução das desigualdades raciais na atenção à saúde. A formação possui carga horária de 750 horas, distribuídas em três módulos:
- Políticas e Contextos da Saúde das Mulheres;
- Práticas da Enfermagem Obstétrica: cuidado, ética e tecnologias;
- Formação-Intervenção e coprodução de conhecimento.
O HU-Furg integra o grupo de hospitais universitários da Rede Ebserh que participam da iniciativa. A implantação do curso amplia a capacidade institucional de formar profissionais para atuação qualificada no pré-natal, parto, puerpério e atenção ao recém-nascido no Sistema Único de Saúde (SUS).
Sobre a Ebserh
O HU-Furg faz parte da Rede Ebserh desde julho de 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Andreia Pires
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh