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UTI do Hospital Escola recebe visita técnica de equipe do Moinhos de Vento
A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE UFPel) foi selecionada em junho de 2021 para participar do projeto “Saúde em Nossas Mãos: Melhorando a Segurança do Paciente em Larga Escala no Brasil” do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), juntamente com outros 204 hospitais em todo o país, tendo como satélite (Hub) o Hospital Moinhos de Vento, que é responsável pela condução das sessões de aprendizado, bem como pelo suporte contínuo e pelas visitas que se fizerem necessárias.
Na última semana ocorreu a primeira visita técnica presencial dos representantes do Hospital Moinhos de Vento, que conversaram com os profissionais da unidade e avaliaram as práticas realizadas, com foco nos cuidados para prevenção de infecções hospitalares. “Foram dois dias de apresentação do projeto, seus objetivos e metodologia. Uma visita muito importante para a UTI, mas principalmente para o hospital como um todo, pois recebemos um feedback através de uma visão de quem está de fora e pode nos sugerir melhorias para nosso trabalho”, esclareceu a líder da equipe do projeto e enfermeira assistencial da UTI adulto do HE, Neyla Cristina Carvalló Viana.
PROJETO – O projeto “Saúde em Nossas Mãos” parte do conceito que a Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (IRAS) é um evento adverso relacionado a assistência que a sua prevenção protege os pacientes de danos e salva vidas e que prevenir infecções além de melhor a qualidade assistencial e a sobrevida dos pacientes, reduz de maneira significativa os custos institucionais e melhora clima organizacional e a autoestima das equipes assistenciais.
Dentre as IRAS, as com alto impacto em mortalidade, morbidade e custos hospitalares, são: infecção primária da corrente sanguínea associada a um cateter venoso central (IPCS), pneumonia associada a ventilação mecânica (PAV) e infecção do trato urinário associada à cateter vesical (ITU-AC).
O projeto tem como objetivo principal a redução de 30% na densidade destas infecções em UTIs, pois estas infecções têm, por sua magnitude epidemiológica e impacto clínico, econômico e social e por sua possibilidade de ser evitada a partir dos bundles de prevenção, assim como aumentar a adesão ao protocolo de Higiene de Mãos em 30% e apoiar o modelo de avaliação de custos nas infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS).
A metodologia escolhida para condução do projeto é denominada de Modelo de Melhoria e a implantação das estratégias de qualificação das práticas são realizadas primeiramente em um grupo pequeno de pacientes e profissionais da saúde, permitindo que os testes sejam em pequena escala, resultem em aprendizados e adaptações. Uma vez que o processo seja considerado adequado à realidade local e tenha tido sucesso nos testes, procede-se para a implantação para o restante da unidade progressivamente.
Desenvolvido pela Associates in Process Improvement (API), o Modelo de Melhoria se tornou uma das principais abordagens para melhoria, sendo referência na área da saúde. A capacitação dos hospitais e a implantação dos Ciclos de Melhoria é gradual em todo o projeto. O uso de metodologias estruturadas, o acompanhamento e apoio para melhoria, o movimento de engajamento e a participação em resultados coletivos representam ingredientes potentes para a mudança de cultura das instituições e que as levarão à um patamar mais elevado de Segurança.
AÇÕES – Várias atividades foram realizadas desde o ingresso da UTI Adulto do HE UFPel neste projeto como: visita virtual da equipe do Moinhos de ventos à UTI Adulto, reuniões periódicas com as sessões de imersão virtual, alteração de fluxos e processos, elaboração de modelo de checklist de visita multidisciplinar ao paciente em terapia intensiva, novas placas de identificação dos leitos, revisão de POPs, apresentação do programa para os acadêmicos, residentes e equipe assistencial, padronização da técnica de higiene oral, campanha e capacitação permanente de higienização das mãos, aumento no número de dispensers de álcool no local e alterações na estrutura física, que passou a contar com um isolamento com pressão negativa e antecâmara.
Dentre estas ações, uma que merece destaque é a implantação do quadro de gestão diária para sustentar a melhoria (GDSM), com objetivo de acompanhar diariamente as atividades que devem ser realizadas pelas equipes para prevenção das infecções hospitalares. “Este quadro visa acompanhar os cuidados do pacote de prevenção da PAV. Baseado no Kamishibai, uma antiga forma de contar as histórias no Japão, que consistia em cartões, ilustrados na frente e texto no verso. Mais tarde começou a ser utilizado pela Toyota como parte do sistema de produção, pois utiliza o controle visual para realizar melhorias dentro do processo de fabricação quando padroniza o processo, agrega responsabilidades e estabelece diálogo entre os envolvidos no momento exato em que essas pequenas auditorias estão sendo realizadas. Portanto, no nosso quadro, os cartões de referência são os cuidados relacionados a prevenção da PAV: processo conforme cor verde e o não conforme vermelho. Desta forma, visualmente enxerga-se onde será nosso foco de melhoria e a modificação do processo e da realização do cuidado", explicou Neyla.