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ACOLHIMENTO
Profissionais do HE-UFPel discutem trajetória e conquistas do Ambulatório Multidisciplinar de Pessoas Trans
Pelotas (RS) – No dia 29 de janeiro, o Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), realizará uma roda de conversa alusiva ao Dia Nacional da Visibilidade Trans. O objetivo da data é promover a conscientização sobre a realidade e os desafios enfrentados pela população transgênero, bem como lutar pela garantia de direitos e igualdade de oportunidades. A ação, promovida pela Unidade de Saúde Mental e equipe do Ambulatório Multidisciplinar de Pessoas Trans, mais conhecido como Ambulatório T, é direcionada para profissionais, acadêmicos e docentes do Hospital e da Universidade. A roda de conversa, intitulada “Ambu T HE-UFPel, uma trajetória de luta e conquistas para a comunidade”, será realizada na segunda-feira (29), às 13h30, no Auditório do HE-UFPel.
O Dia Nacional da Visibilidade Trans, instituído em 2004, evidencia as demandas da população travesti e trans brasileira, bem como visa combater a discriminação e o preconceito, promovendo a inclusão e o respeito à diversidade de gênero. Desde então, o Sistema Único de Saúde (SUS) busca oferecer atendimento integral a essa população, tendo implementado a Política Nacional de Saúde Integral de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (Política Nacional de Saúde Integral LGBT), por meio da Portaria nº 2.836, de 1º de dezembro de 2011.
Nesse contexto, o HE-UFPel promove a roda de conversa tendo como base um dos objetivos da Política, “qualificar a rede de serviços do SUS para a atenção e o cuidado integral à saúde da população LGBT”. O evento contará com a participação do médico endocrinologista Jivago da Fonseca Lopes, preceptor de Residência Médica e Responsável Técnico pelo Ambulatório T do HE-UFPel; da assistente social da Unidade de Saúde Mental, Mariângela Alves Gonzáles, e apoiadora Técnica do Ambulatório T do HE-UFPel; da psicóloga Angelina Pontes da Silva, e apoiadora Técnica da Rede de Atenção às Equidades da Secretaria Municipal de Saúde de Pelotas; da assistente social Bianca Medeiros, coordenadora da Rede de Atenção às Equidades da Secretaria Municipal de Saúde de Pelotas; e da paciente do Ambulatório T, Sophia Prestes, que também é acadêmica do curso de Gestão Pública/UFPel.
Ambulatório T amplia atendimento e busca habilitação junto ao Ministério da Saúde
Desde 2018, o Ambulatório Multidisciplinar de Pessoas Trans (Ambulatório T) do HE-UFPel desempenha papel fundamental no atendimento à população trans. Idealizado pelos médicos Letícia Weinert e Eduardo Machado, chefe da Residência de Endocrinologia da UFPel, o Ambulatório é vinculado ao serviço de Residência de Endocrinologia e Metabologia. Em 2021, a equipe cresceu e ampliou o atendimento, funciona todas as sextas-feiras pela manhã, além de uma quinta-feira por mês. O número de pacientes atendidos passou de 30, entre 2018 e 2021, para cerca de 120 pacientes no final de 2023.
A partir de 2022, o médico Jivago Lopes assumiu como Responsável Técnico (RT) pelo Ambulatório T, atuando como endocrinologista e liderando esforços para a habilitação do serviço junto ao Ministério da Saúde. “Estamos na luta pela habilitação do nosso serviço e, também, pela aquisição da hormonioterapia pelo Hospital para podermos disponibilizar aos nossos pacientes, que até o momento adquirem particular ou via processos judiciais”, explica o médico. Com o credenciamento, o HE-UFPel passará a receber verba específica, via SUS, pela prestação do serviço multidisciplinar, o que possibilitará a oferta gratuita de medicações aos pacientes.
Atualmente, os pacientes são encaminhados pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS), via regulação municipal, para atendimento no Ambulatório T. Ao chegarem, são acolhidos pela equipe multiprofissional composta por psicólogos, assistentes sociais, endocrinologistas e enfermeiros. Além disso, a equipe conta com o suporte de psiquiatras, ginecologistas e da Faculdade de Psicologia da UFPel. Destaca-se que, toda última sexta-feira do mês, é realizado o “Grupo T”, um espaço de apoio destinado aos pacientes trans do HE-UFPel, sob a coordenação da psiquiatra Nicolle Roswag.
Paciente do Ambulatório T relata como o tratamento transformou sua vida
Sophia Prestes, 45 anos, mulher transexual, estudante do curso de Gestão Pública/UFPel, compartilhou sua experiência como paciente do Ambulatório T do HE-UFPel. Ela ressaltou a importância do Ambulatório T em sua vida, compartilhando que “salvou minha vida, fez com que eu tivesse amor-próprio, que eu recomeçasse e conseguisse ter novas perspectivas e alcançar coisas que jamais imaginaria na minha vida”. Além de sua jornada no Ambulatório, Sophia também é bolsista de iniciação científica em projeto e planejamento na saúde coletiva pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), atuante como delegada usuária do SUS nas Conferências de Saúde - Municipal, Estadual e Nacional, e Conselheira Municipal LGBT+.
Após buscar tratamento particular, em 2021, Sophia chegou ao Ambulatório T, onde encontrou o suporte necessário para continuar a terapia hormonal e o acompanhamento psicológico, necessários para a transição de gênero. Ela salientou a importância de realizar o processo de forma segura e orientada: “A transição é uma mudança perigosa e invasiva. Se for realizada sem orientação médica, pode causar danos irreversíveis, então, sempre aconselho as pessoas a fazerem a transição segura, tudo certinho, com médicos”. Ela também destacou, “Esse é um Ambulatório que nos acolhe com tanto amor e carinho e é um ambulatório que a gente sabe que nós podemos contar com ele”.
Visibilidade trans: desafios e conquistas
O endocrinologista Jivago enfatizou a relevância do debate sobre o cuidado e acolhimento às pessoas trans em Pelotas e região. Segundo ele, o Ambulatório desempenhou papel fundamental ao liderar a discussão, abordando as demandas e necessidades dessa comunidade. Além disso, o especialista destacou uma iniciativa voltada para as universidades da região, “Nós, também, levamos o conhecimento técnico para as universidades da região, com a questão da transgeneridade e sua abordagem endocrinológica e integral e humanizada para os alunos de Medicina da UFPel, UCPel e Furg”.
Como mulher trans, Sophia ressaltou a importância da visibilidade no dia a dia das mulheres trans, reconhecendo os desafios enfrentados. Ela destacou que “É fundamental reconhecer os desafios enfrentados, tanto em termos de inclusão social quanto de acesso a oportunidades. A visibilidade proporciona não apenas apoio psicológico, mas também a possibilidade de acesso a serviços de saúde de qualidade, como os oferecidos pelo SUS. Além disso, a luta pela visibilidade trans é também uma luta por direitos, cidadania e dignidade, buscando superar a marginalização e as dificuldades econômicas e sociais enfrentadas pela comunidade trans feminina e a comunidade mulheres travestis”.
Sobre a Ebserh
O HE-UFPel faz parte da Rede Ebserh desde 2014. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Andreia Pires, com revisão de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh