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CIRURGIA PEDIÁTRICA
Cirurgia inédita no estado é realizada no CHC
No dia 24 de março deste ano, no Hospital de Clínicas, foi realizado um procedimento inédito no Paraná: a primeira videocirurgia para correção de persistência de cloaca. Trata-se de uma doença rara – que atinge um em cada 200 a 400 mil nascidos vivos –, de tratamento bastante complexo. É uma anomalia na qual os aparelhos genital, urinário e gastrointestinal convergem para o mesmo orifício, no períneo da criança.
O procedimento, que contou com transmissão ao vivo para o Auditório da Ortopedia, foi realizado pela médica, presidente da Associação Civil Argentina de Cirurgia Pediátrica (ACACIP) e ex-presidente da Associação Internacional de Endocirurgia Pediátrica (IPEG), Marcela Bailez. Ela é referência na área. Viaja por diversos países ensinando e demonstrando as técnicas. A correção de persistência de cloaca é feita, geralmente, de maneira aberta, com uma incisão na barriga e outra perineal. A diferença da cirurgia que foi realizada no HC é que a etapa abdominal foi feita por videocirurgia, sem a necessidade da laparotomia.
Não foi complicado convencer Marcela a participar da operação. Pelo contrário. Conhecida de congressos médicos em comum com a médica cirurgiã pediátrica do HC, Camila Girardi Fachin, a médica argentina não hesitou ao receber o convite para compartilhar seus conhecimentos. “Como ela é uma entusiasta por difundir a técnica e a videocirurgia, ela faz muita coisa para, realmente, difundir a técnica da videocirurgia em várias doenças. Ela se prontificou para vir, o que foi uma alegria enorme”, relata Camila.
São inúmeras as contribuições deixadas pelos ensinamentos da Marcela Bailez no Hospital Clínicas. Os princípios da cirurgia realizada podem ser aplicados em outras doenças, em outras crianças, podendo ser feitas operações por vídeo ao invés de cirurgias abertas. Nas videocirurgias, geralmente, a criança tem menos dor no pós-operatório, a recuperação é mais rápida, a alta é mais precoce, a visualização das estruturas é melhor - porque o vídeo amplifica a imagem e na criança é tudo bem pequeno.
A cirurgia foi um sucesso e a paciente, de um ano e meio, já está em casa. Existe, ainda, mais um caso de persistência de cloaca. Apesar de ser uma anomalia muito rara, o HC acaba agregando pacientes do estado inteiro e contava, então, com duas pacientes de, mais ou menos, um mês de diferença, com a mesma doença. “Mas agora, com os ensinamentos que ela deu, a gente vai proceder pela técnica que ela ensinou com a outra cirurgia aqui, no dia 14 de maio”, destaca Camila.