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CAPACITAÇÃO
Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG) é selecionado para Projeto Saúde em Nossas Mãos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), do Ministério da Saúde (MS)
Dentre mais de 300 concorrentes HUGG é contemplado para receber, por dois anos, capacitação do Hospital do Coração (HCor-SP). Objetivo é, até 2023, reduzir em 50% infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) e alcançar adesão de, pelo menos, 95% dos profissionais para higienização das mãos.
O Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), filiado à Rede Ebserh, foi um dos selecionados, dentre mais de 300 concorrentes, para participar do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), programa desenvolvido, em 2008, pelo Ministério da Saúde, e voltado para contribuição do aperfeiçoamento do SUS em que instituições hospitalares privadas de ponta, sem fins lucrativos, desenvolvem projetos utilizando as suas competências para maior qualificação e melhoria da assistência em saúde dos hospitais públicos escolhidos. A solicitação para participação no programa foi capitaneada pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH)* do HUGG e já está atuante desde o final de agosto de 2021:
– Estávamos bastante ansiosos antes do resultado, pois é um projeto que envolve o Ministério da Saúde e hospitais de excelência. Sabíamos que seriam selecionados hospitais públicos em que se enxergava capacidade de melhoria, por isso ver o nosso nome nesse seleto grupo é motivo de bastante felicidade, apesar de sabermos do peso que isso traz e da quantidade de trabalho que teremos –, informou a infectologista Débora Otero, integrante da CCIH do HUGG.
O HUGG participa, especificamente, do projeto “Saúde em Nossas Mãos – atitudes que salvam vidas” e durante o triênio 2021-2023 receberá capacitação do Hospital do Coração (Hcor-SP), que funcionará como orientador, por meio de diversas oficinas e treinamentos, além de visitas presenciais e virtuais para os envolvidos nas melhorias.
– Teremos eventos presenciais e remotos, em razão da pandemia, que forçou os capacitores a se reinventarem. Esse modelo híbrido já está todo traçado para o triênio, inclusive. O empenho será total pois não queremos apenas apresentar um resultado. O objetivo é alcançarmos uma mudança real para além do projeto, funcionando como replicadores dessas capacitações –, continuou Debora.
O projeto é voltado para a meta de reduzir em 50% as infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) em dois anos, sendo que no primeiro deve-se reduzir 30%, pelo menos. Além disso, pretende-se, até 2023, obter, no mínimo, a adesão de 95% dos profissionais de saúde à higiene de mãos nos cinco momentos preconizados pela OMS. O principal objetivo do projeto é salvar vidas a partir da redução das IRAS, e isso ocorrerá de forma custo-efetiva, ou seja, com redução também do custo financeiro. O setor candidatado pelo HUGG para participação foi a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulta:
– Inicialmente mandamos informações de nossas taxas de infecção da UTI para que os avaliadores pudessem fazer uma linha de base para comparação ao longo do período. Além disso, durante o projeto passaremos mensalmente os dados aos avaliadores para saber se estamos caminhando na direção correta. Como já tínhamos a prática de coletar e consolidar os dados a cada mês, consistentemente, desde 2014, as ações e capacitações pelo projeto servirão, também, para que refinemos nossos processos de vigilância, e servirão como estímulo para divulgação dos dados com maior frequência e transparência para a equipe assistencial, além de discussões em torno de melhoria. Com esse envolvimento maior da ponta, incluindo toda a equipe assistencial como participante ativa do projeto, além do conhecimento e análise contínua da evolução dos indicadores, ficará claro como é importante a adesão aos protocolos para conseguirmos melhorias. Conseguiremos, também, reforçar que a prevenção de infecção não é exclusividade da CCIH e, sim, um cuidado de todos os envolvidos na assistência ao paciente. Desde a recepção até o diretor. E tudo isso dentro de uma lógica custo-efetiva –, afirmou a infectologista.
Para o andamento do projeto foi definida uma equipe núcleo envolvendo cinco pessoas, sendo um Organizador ( Carmen Fernandes Alves, enfermeira CCIH) responsável pelas agendas, horários e atas das reuniões; um Líder (Luana Lima Andrieto, enfermeira/rotina CTI) responsável por motivar os profissionais envolvidos e manter a pulsação do projeto; um Analista ( Debora Otero, médica infectologista CCIH ) para coordenar os processos de coleta e reporte de dados e indicadores, um Arquiteto (Áureo do Carmo Filho, Coordenador Médico do CTI) que será uma ponte entre a diretoria e a equipe assistencial, e um Patrocinador (João Marcelo Ramalho Alves- superintendente do HUGG), que tem de ser da alta gestão para dar prioridade ao projeto na instituição e promover condições necessárias:
– Estas pessoas não são as únicas, mas são responsáveis por fazer o projeto andar. Também estão sendo identificadas na equipe assistencial outras capazes de ajudar nesse programa visando melhorias, garantindo visibilidade sobre a importância da adesão aos protocolos na forma e ordem preconizadas, assim como à vigilância dos processos, por meio de um checklist de verificação ou lista de verificação. É uma mudança cultural, que nos protege, protege o paciente e tem um impacto financeiro positivo. É a base da medicina baseada em evidências, em que protocolos, para uma boa prática, tem de ser seguidos –, continuou a integrante do CCIH.
Dentre os facilitadores para o sucesso do projeto está o envolvimento da equipe do CTI, em todas as instâncias, e o apoio institucional:
– Os profissionais do CTI são de excelente qualidade técnica, então têm tudo para dar certo. Além disso, temos a direção bem envolvida, especialmente por meio do Superintendente, João Marcelo, e do Gerente de Atenção à Saúde, Pedro Portari. Há, inclusive, uma segunda etapa do projeto, que é um modelo de custeio, que a gente se candidatou, mas ainda não obtivemos resposta, muito incentivado por eles. Isso é extremamente positivo –, completou.
Debora Otero frisou, ainda, a importância de um legado de incentivo à higienização das mãos, levando em consideração a continuidade da importância da prática, mesmo em períodos pós-pandemia:
– Houve um aumento da adesão a higienização as mãos, além do uso de equipamentos de proteção individual (EPI), com a pandemia, mas as pessoas, com o passar do tempo, estão esquecendo da importância da higiene de mãos. Não basta proteger a gente, tem de proteger também o paciente, por isso é importante insistir na higiene de mãos, troca de luvas e uso racional de EPI. Conseguimos mudar a estrutura de dispensadores de formulação álcoolica para Higiene de Mãos do CTI e de algumas enfermarias, assim como o tipo da formulação alcoólica disponível, de forma a não ser muito pegajosa, visando conseguir melhor adesão. Conseguimos, também, disponibilizar mais dispensadores a beira do leito dos pacientes –, disse.
Tais mudanças já proporcionaram um aumento do consumo de higiene das mãos em cinco vezes no âmbito da terapia intensiva. Mas essa é uma tarefa contínua, especialmente agora, incentivado pelo Projeto Saúde em Nossas Mãos do Proadi-SUS:
– Vamos fazer agora uma vigilância mais direcionada e específica da adesão à higiene de mãos por meio de observação direta que é uma demanda do projeto e da OMS. Vamos atualizar, melhorar e repetir os treinamentos anteriores e realizar novos. Para isso, além do núcleo do projeto, temos o apoio constante da equipe do Setor de Vigilância em Saúde e Segurança do Paciente e da equipe do Núcleo de Educação Permanente –, finalizou.
*A equipe da CCIH é composta por: Karla Regina Oliveira de Moura Ronchini Médica infectologista e Presidente CCIH, Debora Otero Britto Passos Pinheiro Médica infectologista, Luanda Silveira Papi Médica Infectologista pediátrica, Carmem Fernandes Alves Enfermeira, Glaucia Ribeiro Gonçalves de Rezende Enfermeira, e Suelen Lopes Santos da Silva Ambrósio Técnica de enfermagem.
PROADI-SUS
Sobre a Rede Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.
Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas.
Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.