Notícias
JANEIRO ROXO
Hanseníase tem cura: especialista do HUGG-Unirio desmistifica o tema
Campanha Janeiro Roxo chama atenção para a hanseníase (Fonte: Freepik)
O primeiro mês do ano chama atenção para a conscientização da hanseníase, problema de saúde pública notificada, com mais de 19 mil casos em todo o Brasil entre janeiro e novembro de 2023, segundo o painel de monitoramento do Ministério da Saúde. Revestida pela cor roxa, a campanha alerta sobre a importância do diagnóstico e tratamento precoces, pontos esclarecidos por especialista do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG-Unirio), que tem serviço de atendimento à enfermidade.
- É uma doença descrita na literatura de civilizações antigas, carregando um estigma de doença mutilante que levava ao afastamento do doente do convívio social, devido ao risco de contágio quando não havia tratamento eficiente. Ainda hoje, a hanseníase representa um problema de saúde pública no Brasil, que é o 2º país em número de novos casos no mundo. A OMS a considera uma doença tropical negligenciada (DTN), com mais de 200.000 novos casos notificados todos os anos -, explica o médico dermatologista do HUGG, Ricardo Barbosa Lima.
Também chamada de lepra, a hanseníase é causada pela bactéria Mycobacterium leprae e atinge preferencialmente a pele e nervos periféricos. A contaminação ocorre por meio das gotículas de mucosa oral e nasal (espirro, tosse) a partir do contato com pessoas que estão com a doença, mas não estão em tratamento, especialmente com as formas multibacilares, ou seja, quando o indivíduo possui múltiplos bacilos.
Segundo o médico Ricardo, se não for tratada, pode causar incapacidades progressivas e permanentes, com surgimento de feridas e deformidades nas extremidades do corpo, podendo ser necessária a amputação de mãos e pés.
Como identificar e tratar
O profissional de saúde analisará as lesões por meio de testes de verificação da sensibilidade tátil, térmica e dolorosa. O dermatologista do HUGG esclarece que o diagnóstico precoce é importante, pois permite o tratamento e a cura da doença, impedindo o desenvolvimento das incapacidades e complicações, além de bloquear a cadeia de transmissão da enfermidade.
- A principal alteração que aparece na hanseníase são as lesões da pele, únicas ou múltiplas, com “dormência”, ou seja, com alteração de sensibilidade térmica e/ou dolorosa e/ou tátil. Às vezes, a alteração da sensibilidade pode ocorrer nas mãos e pés sem lesões de pele, facilitando queimaduras e ferimentos, sendo, nestes casos, mais difícil o diagnóstico da doença -, complementa Ricardo.
O tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS, seja por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou dos serviços especializados, com medicamentos que combinam três substâncias antimicrobianas (rifampicina, dapsona e clofazimina). Nos pacientes com até 5 lesões cutâneas (paucibacilares), o tratamento é previsto para seis meses. Para os casos multibacilares, é feito por um ano. É importante mencionar que, uma vez iniciado o tratamento, o paciente não transmite a doença.
Combater o preconceito
Historicamente, a hanseníase carrega estigmas por ser uma doença que atinge a pele, pensamento fortalecido por políticas antigas de segregação social das pessoas, circunstância que dificulta o acesso ao diagnóstico precoce. Combater a desinformação e o preconceito facilita o diagnóstico. A ampla divulgação de informações sobre a enfermidade por meio de campanhas educativas permite o reconhecimento dos sinais pelo doente, por um familiar ou amigo, levando à procura por uma unidade de saúde.
- O preconceito está ligado ao passado, quando a hanseníase era considerada doença contagiosa, incurável e mutilante por falta de tratamento adequado, o que não ocorre atualmente. Quanto mais cedo o tratamento for iniciado, mais rápido se interrompe a transmissão e menor o risco de complicações em casos mais graves. Infelizmente, ainda há pessoas incapacitadas pela doença, sem o devido cuidado, em virtude de falhas no atendimento e na disponibilidade de medicamentos mais eficazes -, finaliza Ricardo.
Por este motivo, as campanhas educativas precisam ser implementadas e precisamos falar da hanseníase para alcançar resultados melhores no combate à doença. Por isso, além da campanha Janeiro Roxo, o mês reforça a conscientização sobre a enfermidade, com 31 de janeiro sendo considerado como Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase (Lei nº 12.135/2009).
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG-Unirio) faz parte da Rede Ebserh desde dezembro de 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Marília Rêgo e Carla Araújo, com apoio de Andreia Pires e revisão de Danielle Morais
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh