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Dissecção Endoscópica Submucosa: conheça a nova técnica utilizada pelo setor de Endoscopia do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle
Os usuários do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG-Unirio/Ebserh) diagnosticados com neoplasia precoce do trato gastrointestinal contam com uma nova técnica para o tratamento da enfermidade: a Dissecção Endoscópica Submucosa (ESD). Este método, dentre outras vantagens, evita cirurgias, reduz tempo de hospitalização e de recuperação do paciente. A utilização do procedimento começa a ser possível graças à correta identificação dos pacientes, por meio de análises de cromoscopia (aplicação de agentes corantes que realçam a superfície da mucosa) e magnificação de imagem (capacidade de ampliar uma pequena área ou lesão da mucosa por meio de um zoom), realizáveis através dos equipamentos de endoscopia adquiridos, em 2021, pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, responsável pela gestão do hospital.
Na década de 90, no Japão, foi desenvolvido um novo procedimento endoscópico chamado de remoção endoscópica por dissecção da submucosa (ESD). Esta técnica é realizada com o paciente sob sedação ou anestesia geral, em centros especializados. No início, é inserido um endoscópio para ver a área afetada. Depois, é injetada uma solução na parede do tubo digestivo para ajudar a elevar a lesão. A lesão, então, é removida usando dispositivos específicos (chamados facas de dissecção). No final a extração é feita, frequentemente, num fragmento único. Esta nova técnica, agora oferecida pelo HUGG, torna-se cada vez mais uma alternativa ao tratamento cirúrgico de lesões gastrointestinais.
Dois usuários já foram contemplados com a utilização do novo método. Um apresentava diagnóstico de carcinoma espinocelular do esôfago ( o mais comum dos tumores malignos ligados a este órgão) e o outro tinha uma lesão de sigmoide, localizado entre o cólon e o reto, cuja característica já apresentava sinais de invasão da submucosa. Ambos tiveram alta hospitalar no dia seguinte ao procedimento, já com dieta pela via oral:
– A equipe está preparada, temos centro cirúrgico e um equipamento capaz de diagnosticar lesões precoces para indicação da dissecção endoscópica. Nesses primeiros casos, entretanto, ainda foi necessário contar com o apoio da iniciativa privada que cedeu um bisturi microprocessado, mais apropriado para realizar o procedimento, já que possui tecnologia avançada capaz de liberar o impulso elétrico adequado para minimizar o risco de complicações –, disse a chefe do setor Diagnóstico e Terapêutico do HUGG, Yolanda Manhães Tolentino.
Além de evitar cirurgias e reduzir o tempo de hospitalização e, consequentemente, o tempo de recuperação do paciente, a nova técnica melhora a satisfação do usuário, evita colostomias, reduz os custos e tem taxa de reaparecimento da doença inferior a três por cento.
– Os dois pacientes tratados no dia 20/9 foram apenas o primeiro passo do HUGG para avançar no tratamento do câncer nos pacientes do SUS que não tem ainda acesso a esta técnica. Com a contínua colaboração da EBSERH, através do investimento em mão de obra especializada e novos insumos, conseguiremos avançar nesse caminho e melhorar, cada vez mais nosso, atendimento –, finalizou a médica.
DADOS E INFORMAÇÕES*
No Brasil, o câncer de esôfago (tubo que liga a garganta ao estômago) é o sexto mais frequente entre os homens e o 15º entre as mulheres, excetuando-se o câncer de pele não melanoma. É o oitavo mais frequente no mundo e a incidência em homens é cerca de duas vezes maior do que em mulheres.
O tipo de câncer de esôfago mais frequente é o carcinoma epidermoide escamoso, responsável por 96% dos casos.
Já o câncer de cólon estima-se que no Brasil, para cada ano do triênio 2020-2022, ocorram 20.540 casos de câncer de cólon e reto em homens e 20.470 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 19,64 casos novos a cada 100 mil homens e 19,03 para cada 100 mil mulheres.
*Dados fornecidos pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA)
Serviço
Para ser atendido no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG-Unirio/Ebserh), os usuários devem seguir o procedimento padrão : O paciente deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (Clínica da Família do seu Município ou Posto de Saúde) próxima da sua residência. O paciente informa no atendimento da Unidade Básica de Saúde Pública a sua situação de saúde. A Unidade Básica de Saúde poderá agendar a consulta por meio de um sistema informatizado chamado SISREG (Sistema de Regulação).
Sobre a Rede Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.
Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas.
Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.