Notícias
INUGURAÇÃO
Método Canguru - Segunda etapa
Uma separação brusca e ou interrompida não completando o ciclo natural da vida. Estamos falando de uma criança prematura, com baixo peso, que precisa de cuidados numa Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (Utin), e muitas vezes por um bom período, até que peso, tamanho e outros cuidados estejam devidamente dentro dos padrões clínicos pediátricos. Mas essa realidade fez surgir uma grande ajuda, que, além de melhorar todos os cuidados, acelerou a recuperação do recém-nascido prematuro, diminuindo inclusive o tempo de hospitalização do bebê.
O Método Canguru tem três etapas: na primeira o bebê recebe o tratamento dentro da Utim enquanto ele ainda está muito doente. “Imagine um prematuro que nasceu de seis meses, pesando 1000g, precisando de muitos cuidados médicos e de enfermagem. Mesmo assim os pais são acolhidos na UTIN, participam dos cuidados com o bebê e a mãe é incentivada e apoiada a manter a produção de leite, importantíssima para a alimentação do prematuro”, explicou a coordenadora do método Canguru, a neonatologista Geisa Barros.
O contato pele a pele com o bebê na posição canguru já pode ser iniciado, o que também facilita o ganho de peso e o bem estar da mãe, bebê e família. Quando o bebê já está melhor e mais estável, com 1 mês de vida, por exemplo, e pesando 1500g, ele é transferido da Utin para a Unidade de Cuidados Intermediários Canguru (UCINCa), onde pode ficar junto de sua mamãe, que interna de novo no hospital para que, com a supervisão e apoio da equipe multiprofissional, ela possa cuidar, amamentar e estimular o filho na posição canguru.
Mãe e bebê juntinhos o tempo todo, é como se chamada a etapa II. Na UCINCa ele fica internado até que a mãe esteja bem segura para cuidar e amamentar o bebê em casa, agora com o apoio de sua família. “Quando isso acontece e o bebê está ganhando peso, cresceu mais um pouco e está pesando em torno 1800g, aí então a alta é programada. Começamos agora a terceira etapa, ambulatorial, depois da alta. Eles vão pra casa mas voltam ao hospital em dias alternados, no início, para que a equipe veja se está tudo bem. Esse acompanhamento acontece até que o bebê esteja pesando 2500g”, destacou a médica.
Essa metodologia de assistência aos bebês prematuros passou a fazer parte obrigatória do cuidado oferecido pelo Sistema Único de Saúde aos recém-nascidos prematuros, após a publicação da portaria 930 do Ministério da Saúde, de maio de 2012.
O Hucam vem trabalhando há mais de década na primeira etapa, após vários treinamentos de grande parte da equipe. Acolhimento e contato pele-a-pele precoce entre a mãe ou pai e o recém-nascido na Utim, de forma crescente e pelo tempo que ambos entenderem ser prazeroso e suficiente, permitindo, dessa forma, uma maior participação deles no cuidado ao seu bebê.
A partir de setembro de 2015 o Hucam passa a contar também com a UCINCa,. Esta unidade tem cama para as mães, bercinhos de apoio para os bebês e presença constante da equipe multiprofissional. A abertura da UCINCa só foi possível com a contratação de profissionais pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), e com o apoio do Rotary Club.
A médica destacou ainda que esse foi um árduo trabalho, de todos os profissionais envolvidos, em especial o chefe do Departamento de Pediatria da UFES, Professor Francisco Zaganelli, que criou esse projeto de extensão, envolvendo estudantes de medicina e outras áreas, disseminando conhecimento e trazendo outras parcerias.
Durante a permanência na UCINCa, na segunda etapa, a mãe é incentivada a participar de várias oficinas, com trabalhos manuais e outros. “Estamos muito felizes de poder oferecer aos prematuros o cuidado completo, agora também na Unidade de Cuidados Intermediários Canguru (UCINCa) e o acompanhamento ambulatorial na etapa III. Assim a alta hospitalar pode ser dada mais precocemente e de forma segura”, disse a médica Geisa Barros.
O Método Canguru foi idealizado e implantado de forma pioneira por Edgar Rey Sanabria e Hector Martinez em 1979, no Instituto Materno-Infantil de Bogotá, Colômbia, e denominado “Mãe Canguru” devido à maneira pela qual as mães carregavam seus bebês após o nascimento, de forma semelhante aos marsupiais.
Era destinado a dar alta precoce para recém-nascidos de baixo peso frente a uma situação crítica de falta de incubadoras, infecções, ausência de recursos tecnológicos, desmame precoce, altas taxas de mortalidade neonatal e abandono materno.
A posição canguru consiste em manter o recém-nascido de baixo peso ligeiramente vestido, na posição vertical, contra o peito da mãe.
Vantagens do método:
- Aumenta o vínculo mãe-filho;
- Diminui o tempo de separação mãe-filho, evitando longos períodos sem estimulação sensorial;
- Estimula o aleitamento materno, favorecendo maior frequência, precocidade e duração da amamentação;
- Proporciona maior competência e amplia a confiança dos pais no manuseio do seu filho de baixo peso, mesmo após a alta hospitalar;
- Favorece um controle térmico melhor;
- Reduz o número de recém-nascidos em unidades de cuidados intermediários devido à maior rotatividade de leitos;
- Proporciona um relacionamento melhor da família com a equipe de saúde;
- Favorece a diminuição da infecção hospitalar;
- Diminui a permanência hospitalar.