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RELATOS DE QUEM CUIDA
“Digo para os que ficam aqui que se reinventem sempre”
Meu nome é Gislene Nascimento Brunholi, sou conhecida como Gigi e estou escrevendo este texto no dia da minha aposentadoria. Quantas lembranças, histórias e “causos”. Corre à boca miúda que os corredores do hospital têm ouvidos (rsrs).
Entrei para o Hucam-Ufes em 1994. Recém-formada e muito orgulhosa de fazer parte da Universidade Federal do Espírito Santo. Ia trabalhar no único hospital universitário federal do Estado. Imagina! Como diz Belchior: Tinha “vinte e cinco anos de sonho e de sangue e de América do Sul. Por força do destino...” cá estava no Hucam.
Cheguei no Serviço Social e fui acolhida pelo grupo. Desde o começo fui lotada na Pediatria e foi amor à primeira vista. Nunca quis sair de lá. Conheci colegas de trabalho que foram parceiras durante toda essa caminhada. Com essas colegas, construímos a brinquedoteca, criamos uma agenda de atividades para as crianças e acompanhantes e envolvemos toda a equipe, estabelecendo uma relação recíproca entre as intervenções técnicas e a interação entre os profissionais.
Em 2006 recebi um convite, juntamente com outros profissionais, para fazer parte de uma formação em Humanização. Era o começo da Política Nacional de Humanização (PNH). Entre tantas atividades, criamos a Câmara Técnica de Humanização do Hucam, atuante até hoje, contribuímos para a criação da Câmara Técnica Estadual de Saúde, realizamos muitos cursos em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde. Nessa época, o Hucam se destacou no Estado pelas suas ações de humanização.
A partir dessa visão ampliada de saúde, acabei me inserindo numa proposta muito ousada: contribuir para implementação do Programa de Residencial Multiprofissional no Hucam, com foco em pediatria. Atuei como preceptora e como coordenadora de prática. O Programa da Residência continua formando profissionais com uma visão multiprofissional e uma assistência integral. Um orgulho!
Em 2019, meu nome foi indicado para a Ouvidoria e, com a experiência no Serviço Social e na Humanização, aceitei o desafio. Fiz minha trajetória na Ouvidoria defendendo o direito dos usuários e o SUS 100% público. A minha gestão priorizou uma visão de integração dos diversos atores para produção da saúde.
Entendo que nessa trajetória conquistei muitos colegas de trabalho que se tornaram amigos. Aceitaram muitas vezes caminhar juntos reinventando nossa prática. Caminhei junto com essa grande equipe que “sentia o hospital”; o Hucam era nosso, nossa casa! Quantos momentos difíceis vendo o sucateamento e o abandono da instituição. Olhava para os lados e via muitos colegas incansáveis, fazendo tudo que era possível para assegurar a assistência e o ensino e, assim, entendia o quanto era desafiante nosso trabalho.
Quantas histórias desde a época do Sanatório. Sempre fui nostálgica quanto a essa parte. Adoro as histórias desse período. É como se fosse uma história de família. Tem história de freira, tem história do Serviço Social desse tempo; tem fotos da grande horta cuidada pelos pacientes (para conhecer a história procure Zilma, nossa guardiã).
Encerro este ciclo após um mandato de seis anos à frente da Ouvidoria ao mesmo tempo que me aposento.
Digo para os que ficam que se reinventem sempre. A vida é cheia de oportunidades e é importante estar aberto a se reinventar!
Gislene Nascimento Brunholi, assistente social e ex-ouvidora do Hucam, aposentada
Sinval Paulino
Coordenadoria de Comunicação