Notícias
DE OLHO NA PESQUISA
Estudos na área de estomatologia contribuem para o diagnóstico de doenças da boca e estruturas anexas em pacientes do Huap-UFF
Rafaela Rozza realiza pesquisas no Ambulatório de Diagnóstico Oral do Huap-UFF
A estomatologia é a área da odontologia que previne, diagnostica, trata e define o prognóstico das doenças da boca. Os estomatologistas são, por exemplo, os profissionais indicados para examinar o paciente e, se necessário, realizar biópsia das lesões da mucosa oral e dos ossos maxilares, tornando-se essenciais no diagnóstico precoce do câncer de boca. Hoje, no quadro “De olho na pesquisa”, vamos saber mais sobre o assunto com a estomatologista do Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap-UFF/Ebserh), Rafaela Rozza, que dedica sua carreira a esta especialidade.
“Em ambiente hospitalar, como no Huap, estomatologistas também podem atuar no paciente oncológico, prevenindo os principais efeitos colaterais na região oral e maxilofacial advindos da radioterapia na região da cabeça e pescoço e da quimioterapia, além daqueles que fazem uso de alguns medicamentos causadores de osteonecrose dos maxilares”, explica Rafaela. Outra atribuição ambulatorial e hospitalar do estomatologista é estar atento às repercussões orais das inúmeras doenças sistêmicas e interagir, sempre que necessário, com a equipe médica do paciente.
Pela natureza diagnóstica e cirúrgica, a estomatologia utiliza ferramentas que vão desde o exame clínico básico até ao uso de tecnologias avançadas de análise dos tecidos, biópsia e imagem.
Professora do Programa de Pós-Graduação em Patologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e integrante do Ambulatório de Diagnóstico Oral do Huap, Rafaela demonstrou interesse pela estomatologia ainda na graduação em Odontologia, realizada na Universidade Federal do Paraná (UFPR).
“Desde o segundo período da faculdade, passei a me interessar pelo meio acadêmico, sendo bolsista de iniciação científica e de extensão na área de estomatologia. Durante o mestrado em estomatologia em Curitiba (PUCPR), ao realizar um seminário sobre lesões orais neurais, tomei conhecimento de uma doença genética relacionada, que é a neurofibromatose tipo 1, e soube que tinha uma pesquisadora em Niterói que investigava o tema. A pesquisadora em questão era Karin Cunha, também estomatologista e professora da pós em Patologia da UFF, que orientou Rafaela durante o doutorado feito na UFF, em Niterói. Hoje, Rafaela é professora da UFF e atua junto com Karin e mais quatro pesquisadores em diversas linhas de pesquisa envolvendo tanto a neurofibromatose tipo 1, bem como as especialidades odontológicas de estomatologia e patologia oral.
Inovação tecnológica para prevenção, diagnóstico e tratamento em estomatologia
No Ambulatório de Diagnóstico Oral, os pacientes são referenciados para o Huap-UFF para atendimento na estomatologia, que previne, faz o diagnóstico, prevê o tratamento e o prognóstico das doenças da boca. “Além das lesões orais e maxilofaciais, eu gosto de falar de condições da boca, porque a gente tem doenças que não são “lesões” e que trazem inúmeros prejuízos à saúde e qualidade de vida dos(as) pacientes, por exemplo a falta de saliva (hipossalivação), síndrome da ardência oral, nevralgias, entre outras”, explica.
Para a avaliação das doenças orais e maxilofaciais, são utilizadas diversas técnicas inovadoras, como autofluorescência óptica, terapias a laser de baixa e alta intensidade (cirúrgico), além da citopatologia oral, que avalia no microscópio o material coletado através de raspagem da mucosa oral e possibilita o rastreio do câncer de boca.
Integração com a patologia oral
Para os estomatologistas desempenharem integralmente o seu trabalho, outro especialista é necessário: o patologista oral e maxilofacial, que realiza a avaliação laboratorial do material biológico obtido nas biópsias e emite um laudo. “Poucos serviços têm o patologista oral trabalhando junto com o estomatologista. No Huap, temos. Todas são docentes: Adrianna Milgares é citopatologista oral e Danielle Castex e Karin Cunha são patologistas orais. Destaco que ambas as especialidades são complementares e inescusáveis no diagnóstico de muitas doenças do sistema estomatognático”, completa Rafaela
Além do câncer oral, também estão dentre as linhas de pesquisa do ambulatório o líquen plano oral, a lesão liquenoide e outras desordens potencialmente malignas, língua geográfica e psoríase oral. Outros estomatologistas do serviço são a Adrianna Milagres, Arley Silva e Thaylla Dick. Rafaela Rozza se concentra em investigar as manifestações orais da neurofibromatose tipo 1 e manifestações orais das doenças inflamatórias intestinais (DII).
“Pacientes com a DII precisam realizar exames de colonoscopia com frequência para avaliar a atividade inflamatória intestinal, e estamos estudando esse perfil de inflamação na mucosa oral desses pacientes, comparando com as biópsias intestinais. É um estudo inédito onde contamos com a colaboração do ambulatório de DII do Huap. Em um estudo piloto, observamos que há mais inflamação na mucosa oral de pacientes que possuem DII quando comparamos com os que não possuem a doença”, explica Rafaela. A esperança, com a pesquisa, é de que a mucosa oral seja uma ferramenta de mensuração da atividade inflamatória das DII, havendo, até mesmo, um aumento nos intervalos entre as colonoscopias, melhorando o custo de monitoramento e a qualidade de vida dos indivíduos com a doença.
Prática para a formação
Além de pesquisadora, Rafaela é docente no Departamento de Patologia e no Programa de Pós-Graduação em Patologia. Ela comenta que a formação do(a) aluno(a) passa pelo atendimento aos pacientes no ambulatório, discussão de casos nas sessões clínicas e produção de artigos acadêmicos. “Como docentes, temos vários desafios que a universidade pública nos traz. Temos a questão da extensão vista na assistência ao paciente, do ensino para formação de novos(as) alunos(as), da produção acadêmica e da parte administrativa, onde, na última, nós organizamos o serviço de assistência que inclui a atualização dos protocolos clínicos e manuais e a prestação de contas de bolsas de pesquisa. Tudo isso faz parte da vida do docente e hoje percebo que atingi uma maturidade que me permite trabalhar vencendo os desafios que aparecem”, conclui.
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário Antônio Pedro da Universidade Federal Fluminense (Huap-UFF) faz parte da Rede Ebserh desde o início de 2016. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Reportagem: Paola Caracciolo
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh